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Sérvia, esse adversário incógnito cheio de gente conhecida

A Sérvia irá estrear um novo selecionador precisamente contra Portugal no jogo deste sábado (19h45), pelo que é sempre complicado definir os caminhos que Fernando Santos tem de percorrer para derrotar o adversário

Tiago Teixeira

NurPhoto

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Contexto: a seleção da Sérvia iniciou a qualificação para o Euro 2020 precisamente em Portugal (1-1 foi o resultado). Na segunda jornada, a derrota por 5-0 frente à Ucrânia deixou o selecionador Mladen Krstajic em maus lençóis, tendo mesmo acabado por ser despedido, apesar de uns dias depois ter ganho 4-1 à Lituânia na terceira jornada do grupo B.

Para o seu lugar foi escolhido o sérvio Ljubisa Tumbakovic, que em junho foi despedido da seleção de Montenegro, por ter recusado dirigir a equipa no jogo contra o Kosovo (relembre-se que o Kosovo declarou, em 2008, a sua independência da Sérvia de forma unilateral).

A sua estreia como selecionador da Sérvia será precisamente contra Portugal, pelo que torna difícil uma análise fiável sobre como se irá apresenta o próximo adversário da seleção portuguesa.

Ainda assim, e tendo em conta a ideia de jogo e as dinâmicas que Ljubisa Tumbakovic pôs em prática na seleção do Montenegro, é de esperar uma Sérvia a querer construir de forma apoiada desde zonas recuadas, organizada em 4x2x3x1, onde o duplo-pivô se posiciona nas costas da primeira linha de pressão adversária, para receber a bola e ligar com os jogadores que se encontram entre a linha média e a linha defensiva.

É fundamental que Portugal não conceda muito espaço entre linhas, como por exemplo aconteceu no jogo da meia final da Liga das Nações contra a Suiça, onde a distância entre a primeira linha de pressão (Ronaldo, Félix e Bernardo) e os médios (Neves, Bruno Fernandes e William) foi demasiado grande, permitindo aos suíços construir com facilidade.


A nível defensivo, a estrutura sérvia não deverá fugir muito do 4x4x2 (4x4x1x1), posicionados num bloco médio e com a preocupação de conceder pouco espaço entre os defesas e médios.

Será determinante que Portugal, coletivamente, consiga tirar o máximo de rendimento do imenso talento que tem na frente de ataque. Para tal, um posicionamento interior dos médios alas, com a proximidade do segundo avançado (como por exemplo acontece de maneira vincada no Benfica de Bruno Lage), poderá criar condições para Portugal explorar o corredor central e ser perigoso em ataque posicional.

William Carvalho e Rúben Neves (dois médios com muita qualidade no passe vertical) no duplo pivô, em cobertura, e com a missão de fazer a bola chegar a zonas de criação, onde Bruno Fernandes, Bernardo e Félix (jogadores com muita qualidade técnica e capacidade de jogar em espaços reduzidos) aparecem posicionados nas costas dos médios adversários. A largura fica a cabo dos dois defesas laterais.

Independentemente de como a Sérvia se apresentar a nível coletivo, é certo que será um seleção cheia de talento individual e que pode criar muitos desequilíbrios na organização defensiva portuguesa.

As estrelas

Nemanja Matic (Manchester United, 31 anos)
Não está a ser um início de época fácil para Matic, que conta apenas com 22 minutos jogados, mas a sua qualidade é inegável. Caso seja opção para o 11 inicial, será fundamental em zonas de construção, pela capacidade que tem em proteger a bola mesmo quando é pressionado, e pela qualidade com que liga o processo ofensivo através do passe vertical.

Sergej Milinkovic-Savic (Lazio, 24 anos)
Mais um médio cheio de qualidade que Ljubisa Tumbakovic tem ao seu dispor. Milinkovic-Savic acrescenta capacidade física (muito agressivo e forte nos duelos) tanto no momento defensivo como no momento ofensivo, sendo um médio com qualidade técnica e que aparece bem em zonas de finalização.

Dusan Tadic (Ajax, 30 anos)
Extremo, médio ofensivo, avançado, não há posição na frente de ataque onde Tadic não jogue, e em todas é sinónimo de qualidade técnica (extraordinário a manter a bola controlada), criatividade, capacidade no último passe e qualidade na finalização. Terminou a época passada com uns incríveis 38 golos marcados e 24 assistências, e esta época já leva 7 golos e 4 assistências em apenas 9 jogos. É sem dúvida nenhuma um dos grandes perigos da seleção da Sérvia.

Adem Ljajic (Besiktas, 27 anos)
Mais um craque no ataque da Sérvia, que tanto pode jogar na posição de médio ofensivo, como nos corredores laterais. Ljajic é fantástico tecnicamente (muita qualidade no último passe), tem uma excelente visão de jogo e é muito criativo. No espaço entre a linha defensiva e a linha média pode fazer verdadeiramente a diferença. O ano passado fez 9 golos e 14 assistências em 33 jogos disputados.

Luka Jovic (Real Madrid, 21 anos)
Depois de uma época onde fez 27 golos ao serviço do Frankfurt, Jovic transferiu-se para o Real Madrid, onde procura ganhar o seu espaço. Na seleção da Sérvia conta apenas com 6 internacionalizações (2 golos marcados) mas é cada vez mais uma das principais figuras em termos ofensivos. Oferece mobilidade (movimentos de apoio e profundidade), agressividade e qualidade em zonas de finalização.

Aleksandar Mitrovic (Fulham, 24 anos)
O poderoso avançado do Fulham, tem feito um início de época de grande qualidade no Championship (2ª divisão inglesa), levando já 5 golos marcados em apenas 6 jogos realizados. Destaca-se principalmente pelo que oferece em zonas de finalização, tanto ao nível da agressividade com que ataca a bola, como da finalização propriamente dita (forte pelo ar e com os pés).