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Lituânia, ou um mundo de espaço entre linhas para explorar

A seleção lituana que Portugal defronta esta terça-feira (19h45, RTP1) tem o hábito de, sem bola, afastar facilmente os jogadores uns dos outros e dar bastante espaço no próprio meio campo, que poderá ser explorado com muita gente aparecer no corredor central

Tiago Teixeira (analista de futebol)

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

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Contexto: A seleção comandada por Valdas Urbonas é, neste momento, a última classificada do grupo B, com apenas um ponto conquistado nas quatro primeiras jornadas. Além da fraca pontuação, contam já com dez golos sofridos, o que equivale a uma média de 2,5 golos sofridos por jogo.

Luxemburgo 2-1 Lituânia
Lituânia 1-1 Luxemburgo
Sérvia 4-1 Lituânia
Lituânia 0-3 Ucrânia

Do ponto de vista coletivo, a Lituânia é uma seleção que apresenta muitas fragilidades no momento defensivo, que ficam completamente expostas quando defrontam adversários com mais qualidade individual, como foi o caso da Sérvia e Ucrânia.

Contra a Sérvia, apresentaram-se organizados em 5x4x1, num bloco médio/baixo. Nunca conseguiram condicionar a construção sérvia (apenas o ponta de lança Laukzemis numa primeira linha) nem tão pouco impedir a entrada em zonas de criação, uma vez que a linha média, composta pelos dois médios centro (Slivka e Simkus) e pelos dois médios ala (Chernykh e Novikovas), se encontrava muitas vezes desalinhada, permitindo assim que a bola entrasse com muita facilidade no espaço entre os médios centro e os médios ala.

Também no controlo da profundidade é uma seleção que revela muitas dificuldades, uma vez que a linha defensiva se encontra muitas vezes desalinhada, e não recua para proteger o espaço nas suas costas.

Na figura que se segue, relativa à primeira grande oportunidade que a Sérvia teve no jogo contra a Lituânia, o ala direito (Baravykas) estava mais recuado que os restantes defesas, que mesmo com um jogador da Sérvia enquadrado, não recuaram para proteger o espaço nas suas costas e permitiram que Jovic aparecesse isolado na cara de Bartkus.

Contra a Ucrânia, Valdas Urbonas optou por organizar a sua equipa em 4x5x1 (em alguns momentos foi 4x1x4x1) no momento defensivo, mas os problemas foram os mesmos. Muita facilidade para os jogadores ucranianos jogarem no espaço entre linhas da Lituânia.

Um pouco de paciência na circulação de bola foi quanto bastou para os médios da Lituânia saírem das suas posições e concederem muito espaço nas suas costas.

Mesmo nos momentos em que os médios da Lituânia permaneciam na linha média, as facilidades eram muitas. O bloco defensivo não era compacto (espaço entre defesas e médios, e ausência de coberturas defensivas) e o portador da bola tinha sempre muito tempo e espaço para executar, ligando com facilidade a fase de construção com a de criação.

Se Portugal, à imagem do que fez a seleção da Sérvia e da Ucrânia, povoar muito o corredor central (espaço entre linhas) e deixar a largura para os defesas laterais, certamente que irá chegar a zonas de finalização muitas vezes e em excelentes condições para finalizar.

Relativamente ao 11, seria importante que:

1- Ferro fosse um dos centrais, pela qualidade com que liga com os médios através do passe vertical;

2- Rúben Neves e William jogassem no duplo pivô, pela capacidade que têm em ligar a construção com a criação;

3- Félix, Bernardo e Pizzi/Bruno Fernandes aparecessem entre linhas, para receber.

No que diz respeito à organização ofensiva, a seleção da Lituânia é muito limitada na primeira fase de construção. Os centrais não têm qualidade para sair a jogar de forma apoiada e, à mínima pressão, optam por jogar mais direto na frente.

O ataque à profundidade é a solução mais utilizada para chegar ao último terço. Seja em momentos de ataque posicional, seja em transição ofensiva, procuram muito os passes longos para as costas da linha defensiva adversária.

Na receção ao Luxemburgo, organizados em 4x2x3x1, o extremo direito, Novikovas, baixava em campo para ter mais facilidade e espaço para receber a bola, e depois, virado para o corredor central por ser canhoto, tentava servir os movimentos do avançado (Cernych) e do extremo esquerdo (Valskis) com passes longos para as costas da linha defensiva.

Individualmente são uma seleção sem grande qualidade e, para agravar essa situação, estão privados do seu melhor jogador - Novikovas, extremo com qualidade técnica e responsável pelos últimos dois golos da sua seleção, que está lesionado e não foi convocado.

O principal perigo para a baliza de Portugal será o avançado e capitão Cernych, que irá movimentar-se muito em profundidade para receber a bola nas costas dos defesas portugueses.