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A seleção está de volta, 10 meses depois. Sem Ronaldo

Capitão da seleção nacional tem uma infeção no pé e já está confirmado que estará fora da estreia de Portugal na 2ª edição da Liga das Nações, frente à Croácia, no Dragão, esta noite (19h45, RTP1)

Lídia Paralta Gomes

Diogo Pinto/FPF

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Então, foi assim: já estávamos no prolongamento, Renato Sanches pegou na bola a meio-campo, arrancou com aquela força que fez dele o melhor jogador jovem do Europeu e deu para Nani que numa espécie de trivela enrolada cruzou para Cristiano Ronaldo. O remate do capitão foi intercetado, mas estava lá Quaresma para empurrar a bola para a baliza. Se perguntarem aos portugueses qual é a melhor recordação que têm de um jogo com a Croácia, é possível que quase todos falem deste golo.

É claro que o 3-0 à Croácia de Suker, Boban, Jarni e Prosinecki no Euro 96 também é uma bela memória, mas naquele 25 de junho de 2016, em Lens, Portugal sabia que com o golo de Quaresma talvez tivesse ultrapassado o obstáculo mais complicado para chegar à final do Euro 2016. Porque aquela Croácia que se nos atravessou nos oitavos de final do Euro do nosso contentamento estava a caminho de se tornar numa das mais impressionantes equipas do Mundo e isso é obra quando o país balcânico também nos deu essa tal geração de Suker, Boban, Jarni e Prosinecki.

Henri Szwarc

Dois anos depois do jogo no Euro 2016, Luka Modric, Ivan Rakitic, Mario Mandzukic e Ivan Perisic fizeram melhor que a geração de 1998 e chegaram à final do Mundial. Perderam com a França, é certo, mas foram uma das grandes histórias do Mundial russo, com um jogador (Modric) em estado de graça. Uns meses depois, já com o estatuto de vice-campeã mundial, a Croácia veio a Portugal para aquele que é o último duelo entre as duas equipas, um particular sem grande história no Algarve (1-1) antes do arranque da primeira Liga das Nações. E é precisamente no início da 2ª edição da competição que Portugal e Croácia se voltam a encontrar, hoje, às 19h45 (RTP e Sport TV).

O tempo, sabemos todos, não é uma entidade mutável, mas a memória desse jogo de setembro de 2018 no Algarve parece hoje até menos longínqua do que a que temos da última vez que Fernando Santos e companhia se juntaram. A covid-19 riscou o futebol de seleções do mapa, pelo meio o Euro 2020 foi na enxurrada e já lá vão quase 10 meses desde o derradeiro jogo: a 17 de novembro, vitória por 2-0 no Luxemburgo, duelo que valeu a Portugal a qualificação para o Euro entretanto adiado. E 10 meses teve de esperar Ronaldo por nova oportunidade de fazer o golo 100 na seleção, depois de fechar as contas desse jogo no Luxemburgo.

Mas o capitão talvez tenha de esperar um pouco mais: tem uma infeção num dedo do pé direito, não treina com os colegas desde 4ª feira e não vai mesmo jogar este sábado perante a Croácia, já que foi excluído da lista final de 23 jogadores inscritos. Ronaldo perde assim a oportunidade de atingir um número redondo curiosamente no mesmo sítio em que marcou pela primeira vez pela seleção: na abertura do Euro 2004, derrota por 2-1 com a Grécia. Nesse dia, o Dragão estava cheio para um encontro de má memória. Hoje ninguém poderá assistir ao vivo o jogo — covid-19 oblige.

MLADEN ANTONOV

Croácia sem referências

Se há inimigo de Portugal neste primeiro jogo do grupo 3 da Liga das Nações — em que estão ainda Suécia e França — ele chama-se indefinição. Portugal tem apenas duas novidades, Rui Silva, guarda-redes do Granada, e Francisco Trincão, recém-transferido para o Barcelona, mas grande parte dos convocados está num momento de forma desconhecido, já que para muitos a pré-época acabou de começar.

Outros chegaram à Cidade do Futebol diretamente das férias, como João Félix, Bernardo Silva, Cancelo, Nélson Semedo e Anthony Lopes, que estiveram na final 8 da Liga dos Campeões. Do grupo, só José Fonte e Renato Sanches, do Lille, já jogaram de forma oficial na nova temporada. E o médio nem sequer está disponível — foi dispensado por lesão.

Por outro lado, será sem dois jogadores importantes, Luka Modric e Ivan Rakitic, que a Croácia viaja para Portugal, que defende o título da Liga das Nações, conquistado precisamente no Dragão há um ano. As ausências darão uma vantagem teórica a Portugal, mas não falta qualidade na equipa dos Balcãs: Ivan Perisic foi recentemente campeão da Europa com o Bayern e Ante Rebic marcou 11 golos na Serie A com o Milan. Por aqui passará boa parte do perigo dos croatas.

Depois do jogo com a Croácia, Portugal viaja para Estocolmo, onde vai jogar na terça-feira (19h45, RTP e Sport TV) com a Suécia, onde há muito já não mora Zlatan Ibrahimovic, a grande referência da seleção nórdica neste século. E numa competição em que só o primeiro de cada grupo passa à fase final, que se jogará apenas em setembro ou outubro de 2021 (culpem de novo a covid-19), vencer os dois primeiros jogos será essencial. Até porque o outro adversário do grupo é só a atual campeã do Mundo.