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Fernando Santos: “Há sempre ansiedade nos jogadores. Não é a ansiedade de dar tremeliques, é a de querer jogar, que não faz mal a ninguém”

Na antevisão ao jogo decisivo com a França para a Liga das Nações (sábado, 19h45), o selecionador nacional diz que há sempre pressão e ansiedade nos jogadores, mas que tanto Portugal como os gauleses estão habituados a finais. Fernando Santos nega ainda que o objetivo seja o empate sem golos, que serviria Portugal, mas sim o de ganhar, como em todos os jogos

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DIOGO PINTO/FPF/LUSA

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Preparação para o jogo

“Nestes dois treinos não fiz nada, ontem só treinaram 12, hoje treinámos todos, mas aquele treino de recuperação e para os jogadores se divertirem um pouco e estarem mentalmente frescos. O trabalho que tem sido feito é o das palestras, nas conversas que se tem, no visionamento dos vídeos. É um jogo decisivo, mas Portugal e França, campeão da Europa e campeão do Mundo, já passaram por muitos jogos decisivos e isso é ótimo para as equipas. Felizmente para Portugal há muitos anos que temos jogos decisivos, quer dizer que somos das melhores seleções do Mundo, da mesma forma que há cinco, seis, sete seleções que estão sempre assim. Seria mau era se não tivéssemos jogos decisivos. Não é uma final total, porque há um único resultado que faz com que haja uma decisão final, mas é decisivo no caso de uma vitória de uma das equipas. Queremos puxar a balança para nós. Temos de estar concentrados, não fugir àquilo que sempre somos, não fugir às nossas características e matriz de jogo, uma equipa que procura defender com 11 e atacar com 11. São jogos muito equilibrados, é um grande jogo, que merecia público. Não tem a ver com eu achar ou não que deveria haver público, não é por ai, o país está confinado e a saúde está em primeiro lugar, mas com o estádio cheio era mais interessante. Há respeito, mas não há subserviência”.

Nuances possíveis na França

“Lá, a França apresentou-se com Giroud, Mbappé e Griezmann. Pode alterar e ser um tridente mais móvel, com Martial em vez do Giroud, isso é que pode dar nuances diferentes ao jogo mas nós preparamos o jogo naquilo que são os atributos da seleção francesa, mas também naquilo em que poderá ter mais dificuldade. Eles também conhecem as nossas qualidades”.

Pressão e ansiedade

“São equipas que disputam finais e estão em fases finais há muito tempo e os jogadores estão sempre em grande pressão e ansiedade. Mesmo contra adversários mais fáceis há ansiedade, porque se uma equipa como Portugal ou França perdem um jogo com uma equipa mais fraca é logo quase um escândalo. Há sempre ansiedade nestes jogadores, não é a ansiedade de estar a tremer, de dar tremeliques. É a ansiedade de querer jogar, é um ato responsável. A ansiedade no bom sentido, desde que não nos tolde os sentidos, não faz mal a ninguém”

Objetivo: ganhar

“Não, os jogadores estão comigo há seis anos e sempre ouviram a minha proposta e a minha proposta é ganhar. E se queres ganhar, a primeira coisa que tens de fazer é marcar golos. Sem golos quanto muito empatas. É ter dinâmicas diferentes, criatividade, qualidade. Agora, sempre disse que estamos mais perto de ganhar quando não sofremos, mas isso é evidente, é a única verdade do futebol. O resto são conjunturas. O que é certo é: se não sofrer não perde. Mas, para nós, o objetivo claro é ganhar. Está lá sempre escrito no quadro. E depois diz: organização, concentração, paixão e confiança. Sempre disse isto desde o primeiro momento”.

Gestão dos jogadores

“Fisicamente está bem, mas o problema não é só com o Cristiano. Eu também disse que o Moutinho tinha poucos jogos depois de sair da Seleção e por isso teria de ter mais tempo de jogo em campo. O Sérgio e o Renato estavam a jogar muito e por isso não podiam estar tanto tempo em campo. Nós queremos ter os jogadores frescos se os jogadores forem chamados, essa gestão tem de ser feita e foi o que fizemos contra Andorra”

Jogo aberto?

“As duas equipas vão jogar para ganhar, mas não vão ser desequilibradas porque sabem que vão ter problemas seguramente. As duas equipas vão respeitar-se, entre aspas. O que não tem nenhum mal, mas não vão ser subservientes. O respeito do futebol é conhecer bem o adversário”