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Fernando Santos: "Nunca disse aos meus jogadores que o 0-0 era um bom resultado. Mas se calhar devia tê-lo feito"

Na antevisão ao jogo com a Croácia, Fernando Santos refutou as críticas ao jogo da equipa com a França, recusando que a equipa tenha jogado à defesa. Frente aos croatas, o selecionador nacional admite algumas alterações à equipa

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DIOGO PINTO/FPF/LUSA

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Reação à derrota com a França

“Dormir bem, não dormi, acho que eles também não, azia acho que também tivemos todos mas transportar isso para o jogo não serve para nada, não é? O que temos de transportar é a capacidade de resposta destes jogadores e as equipas de alto nível ficam sempre insatisfeitas com um resultado negativo, com uma derrota principalmente, o que para nós é quase uma catástrofe. É importante este jogo para mostrar que não foi mais do que um acidente, que pode acontecer, faz parte, mas que nós não gostámos nada. Os jogadores estão focados e com uma grande determinação para o jogo com a Croácia. É uma equipa que ainda luta, que tem objetivos. Nós também temos um, que é servir a Seleção Nacional. Com Andorra não facilitámos, apesar de ser particular e este não tem nada de particular. Por isso há que dar uma resposta ao mais alto nível”

Jogar para Cristiano marcar

“Ninguém vai agora num jogo oficial estar a pensar no Cristiano, no sentido de ter uma oportunidade para marcar e dar a outro para marcar… isso é impossível, nem o Cristiano gostaria. Se calhar num particular, em alguns jogos, pode acontecer, quase nem se dá por isso mas toda a gente se junta para certo jogador fazer mais um golo, porque está a disputar um prémio. Neste caso nem acho que o Cristiano achasse isso positivo. Ele vai marcar quando tiver de marcar”

Portugal jogou para o empate?

“Compreendo e respeito todas as críticas, mas não tenho de concordar com elas. Essa crítica de que Portugal jogou para empatar acho que não é uma análise séria do jogo. Porque se Portugal tivesse jogado para empatar se calhar não tinha entrado com a equipa que entrou nem jogado daquela forma. No Europeu, de acordo com as características dos jogadores, normalmente jogámos com uma primeira base de não sofrer golos e depois procurar surpreender em ataques rápidos e contra-ataques. Era uma estratégia de acordo com as nossas características e o nosso jogo assentava em quatro defesas, quatro médios muito fortes e dois avançados muito rápidos e móveis. A partir de um determinado momento, com outros jogadores, começámos a jogar de outra forma. Jogadores muito mais de posse, não tão fortes atleticamente, com grande capacidade de circulação. O que queremos é ser uma equipa de ataque em posse, manter o adversário lá atrás. E isto tem tido resultados muito bons, fomos campeões da Liga das Nações, fizemos jogos muito bons com esta abordagem. Foi dessa forma que encarámos o jogo com a França. Nunca disse aos jogadores para jogarem em contra-ataque, nunca disse que o 0-0 era bom resultado. Se calhar devia te-lo feito, devia ter montado uma equipa mais atlética e com um jogador rápido na frente, mais vertical. A verdade é que não fomos capazes. Eu já vi o jogo três vezes, acho eu. Primeiros dez minutos muito bem, Portugal é claramente a melhor equipa nos primeiros 10 minutos e depois tivemos muitas dificuldades, deixámos que a França nos empurrasse, ao contrário do que nós queríamos fazer e não fomos capazes nem de defender bem nem usar as nossas características de posse de bola. Obviamente que estamos chateados. Para nós perder é um pesadelo. Esta taça vale muito em 2019 e vale agora, queríamos ganhar. Esta equipa era uma das grandes equipas do mundo, era, é e vai continuar a ser”

Onze para Croácia

“Vamos fazer algumas alterações à equipa, mas vai continuar forte e coesa e à procura de ganhar o jogo”

Onze sem jogadores da I Liga

“É bom sinal para Portugal, porque ter jogadores nas melhores equipas é um sinal de qualidade. Se não estavam todos em Portugal. Isso obviamente tem de ser um orgulho e não um drama. Eu acho que o campeonato português é bom, porque as equipas portuguesas, e bem, se vão renovando com jogadores portugueses, da formação, mas também investem em jogadores de qualidade estrangeiros. Esta é uma fase difícil por causa da pandemia mas o campeonato português mantém um bom nível. Agora, podemos olhar de outro prisma: se estes jogadores estivessem todos a jogar em Portugal o campeonato tinha outro nível? É evidente, mas isso não é possível. Os clubes portugueses têm de aproveitar a qualidade dos jogadores que formam para vender”

Atitude para jogo com a Croácia

“A minha ideia é ganhar, com o enorme respeito que temos pela Croácia. É um jogo importantíssimo. Um adversário de enorme qualidade que nos últimos anos tem sido sempre uma das equipas mais fortes da Europa, é vice-campeão do Mundo. Com estas dificuldades temos de ir com tudo o que temos. Tenho 23 jogadores de grandes jogadores e acredito em todos eles”