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Um paradoxo saído do banco

Portugal entrou no Euro sub-21 com uma vitória difícil por 1-0 frente à Croácia, num jogo em que as alterações de Rui Jorge na 2.ª parte deram o golo que já se justificava, mas ao mesmo tempo deixaram a seleção demasiado vulnerável nos minutos finais - e talvez sem necessidade

Lídia Paralta Gomes

Tullio Puglia - UEFA/Getty

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Momentos depois do relógio bater no minuto 63, Rui Jorge tirou de uma vez Florentino, Francisco Trincão e Tiago Tomás. Se o avançado do Sporting se encontrava no registo que tantas vezes encontra em Alvalade (muito esforço, luta e uma bola que lhe chega demasiado poucas vezes), o médio do Mónaco e o extremo do Barcelona estavam a ser provavelmente dos melhores em campo na estreia de Portugal no Europeu sub-21 que, culpem a pandemia, este ano se realiza em moldes inusitados: fase de grupos em março, fase a eliminar em maio/junho.

Mas voltando a Florentino e Trincão: o médio era o tampão que até então tinha impedido quase toda a iniciativa perigosa por parte da Croácia e o ex-SC Braga o homem da criatividade num ataque de alguma torrente, mas ao qual parecia faltar o último passe.

As suas saídas pareceram, aqui entre nós, estranhas, até porque nas mesmas zonas do campo coabitavam elementos em sub-rendimento (Gedson, Pote...).

Acontece que cinco minutos depois, dois dos homens que saltaram do banco fizeram o seguinte: Dany Mota, possante avançado nascido no Luxemburgo e que joga no Monza de Itália, fez uso da sua capacidade de jogar de costas e encontrou Fábio Vieira a desmarcar-se. O médio do FC Porto, com classe, olhou para o guarda-redes Semper e o sangue frio até lhe permitiu escolher o lado.

Marcio Machado/Getty

Estávamos ao minuto 68 e Portugal estava finalmente na frente, depois de toda uma 1.ª parte e mais um pedaço da 2.ª a controlar o jogo, a não permitir grande espaço à Croácia no ataque e a rondar a área adversária, a cheirar a baliza, mas sem conseguir marcar. Mas se é certo que foi do banco que saiu o saca-rolhas para o golo, não menos é que foi a seguir a marcar que a seleção nacional sentiu maiores dificuldades, mais ainda quando já em vantagem a saída de Vitinha tirou o que restava de agressividade ao meio-campo ao qual então se pedia para agarrar definitivamente o jogo.

Mesmo que sem criar ocasiões claras, a Croácia criou o caos que Portugal tinha conseguido evitar até então, porque a Portugal faltou-lhe o pragmatismo e o domínio do momento que a linha média lhe tinha dado até ao golo. E uma vitória que poderia ter sido tranquila, tornou-se demasiado sofrida.

Poderia ter sido tranquila porque na 1.ª parte não faltaram oportunidades para Portugal, principalmente a partir dos 20 minutos de jogo, quando a Croácia ficou desligada após um início interessante, principalmente à conta de Majer, rapaz com ares de Luka Modric não só no cabelo mas também no controlo de bola com o peito do pé e na preparação do remate.

Aos 25’, Vitinha e Tiago Tomás, em remates seguidos, quase marcavam e no canto que se seguiu Diogo Queirós rematou ao ferro. Aos 34’ foi a vez de Pote rematar perigoso, para defesa do sempre atento Semper. Aos 38’ foi Gedson a desperdiçar, aos 43’ Vitinha novamente.

O golo, esse, não surgiria de nenhum destes rapazes, estava no banco como se viu. E quando assim é, aqueles 20 minutos finais até parecem insignificantes. Mas não deverão ser, devem ser uma lição no arranque de uma competição em que Portugal terá agora pela frente a Inglaterra (no domingo) e a Suíça (na quarta), para tentar chegar vivo a maio.