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Portugal

Fernando Santos: "Jogámos a passo durante 30 minutos. Se só usarmos a qualidade técnica, qualquer adversário nos vai causar problemas"

Apesar de elogiar os "60 minutos brilhantes", o selecionador nacional criticou, após a vitória (1-3) contra o Luxemburgo, a forma como a equipa jogou durante a primeira parte e a falta de "intensidade e paixão

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A seleção jogou com ansiedade?

"Ansiosa? Ansiedade não tem nada a ver com andar a passo. Jogámos a passo, andámos ali durante 30 minutos a jogar pelada, para trás e para o lado e para o lado e para trás, nada de intensidade no jogo, nem em termos ofensivos ou defensivos.

Nunca metemos velocidade no jogo, metemos a partir dos 25 minutos com uma jogada brilhante do Cancelo, a seguir acabou por ser o golo deles. De resto, sempre uma equipa muito amorfa e sem intensidade, a qualidade técnica não chega. Tinha dito isso aos jogadores e [eles] sabem isso: temos que equilibrar na intensidade do jogo.

Naquilo que é a dinâmica, a intensidade em termos ofensivos e defensivos, ganhar divididas, recuperar bolas, apertar o adversário. Quando fazemos isso, a nossa qualidade técnica vai marcar sempre a diferença porque a equipa tem muita. Se só usarmos a qualidade técnica, qualquer adversário nos vai causar dificuldades.

Fizeram-nos isso durante 30 minutos, marcaram um golo, então acordámos, reagimos e fomos para cima, fizemos o golo e ainda tivemos outras oportunidades. Ao intervalo, disse-lhes que essencialmente tínhamos de mudar completamente a nossa atitude. Quando digo atitude não estou a dizer que os jogadores não quiseram, é ao nível da paixão e da intensidade.

Na segunda parte, já ganhámos as bolas todas, as divididas e não divididas, o Luxemburgo já parecia uma equipa diferente e construímos um resultado mais volumoso contra uma equipa bem organizada, que sabe estar no campo, luta muito e trabalha bem."

Porque não está essa paixão presente durante 90 minutos?

"Se conseguisse resolver o problema, obviamente não tinha acontecido. Vou ter de conseguir. Agora, também não é fácil a jogar de 70 em 70 horas, em que só temos tempo para ter uma palestra, não podemos estar a massacrar os jogadores. Não tenho treino para o poder fazer, então tem de ser à base da conversa. Fiz cinco palestras e chega a uma altura em que é palestra a mais.

Mas os jogadores estão de parabéns pelo que fizeram durante 60 minutos. Brilhantes. Não foi do outro mundo, mas foi uma exibição muito forte, que poucos adversários podem resistir a Portugal. Mas temos de ser iguais a nós próprios sempre, com paixão e organização, depois a qualidade técnica dos jogadores portugueses vai fazer a diferença, como faz sempre."

O que trouxe Pedro Neto ao jogo?

"Teve outro movimento, outra dinâmica, procurou profundidade e foi à procura da bola. O Félix teve mais dificuldade. Tem a sua própria forma de jogar, não é um jogador de combate nem isso a gente espera, mas tem muita qualidade e pode fazer desequilíbrios e tal. Mas temos de estar todos juntos e com dinâmico para que isso possa funcionar."

Cristiano Ronaldo voltou aos golos

"Agora vai sossegar e descansar. Vamos pensar no Euro depois."