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Chocolate aos suíços

Portugal nem precisava de ganhar à Suíça para assegurar um lugar nos quartos de final do Euro sub-21, mas fê-lo. E com classe. Vitória por 3-0 com um futebol dominador com bola, momentos de brilhantismo e primeiro lugar do grupo. Em maio, o adversário é a Itália

Lídia Paralta Gomes

JOE KLAMAR/Getty

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Quando o assunto é fases de grupos, habituámo-nos demasiado à palavra “calculadora”. Um cliché futebolístico como tantos outros e ao mesmo tempo uma espécie de nuvem negra para as nossas seleções, como se não nos fosse possível fazer o que quer que seja sem aquele bocadinho de sofrimento que consagrámos de tal maneira que até a nossa canção nacional é tantas vezes sobre ele.

É por isso refrescante ver uma equipa de Portugal que recusa fazer contas. Basta um empate? Sim, mas se calhar vamos ganhar. E foi com este espírito que a seleção nacional fez uma fase de grupos do Euro sub-21 praticamente perfeita: três vitórias, seis golos marcados, zero sofridos e primeiro lugar no grupo, confirmado com um triunfo por 3-0 frente à Suíça, um verdadeiro chocolate, prosaicamente falando, e um jogo que Portugal dominou sempre que quis ter bola - que foi quase sempre.

Seguem-se agora uns quartos de final frente à Itália, não daqui a um par de dias mas sim apenas em maio, neste Europeu jogado a dois tempos devido à pandemia.

Num jogo em que tudo jogava a seu favor e que Portugal até podia gerir, o primeiro golo apareceu logo aos 3 minutos, com Diogo Queirós a aproveitar o adormecimento da defesa helvética para dar o melhor seguimento a um cruzamento de Vitinha.

Com Daniel Bragança como primeiro médio, a trazer qualidade à primeira fase de construção - jogo fabuloso do jogador do Sporting -, o critério de Vitinha e a visão de Fábio Vieira, rapidamente a linha intermédia de Portugal tomou conta do jogo com bola. E só nos poucos momentos em que Portugal não a quis é que a Suíça conseguiu chegar à área, ainda assim sem nunca criar verdadeiro perigo.

Damjan Zibert - UEFA/Getty

A vantagem de apenas 1-0 ao intervalo explica-se por alguma falta de assertividade portuguesa no último terço: com enorme paciência e constantes trocas de bola, Portugal não tinha dificuldades em lá chegar, mas na área as coisas não corriam bem.

Nos primeiros minutos da 2.ª parte, Portugal baixou um pouco a intensidade, sem nunca, no entanto, deixar fugir o jogo. A tranquilidade voltaria aos 60’, numa jogada em que Fábio Vieira colocou nas costas da defensiva helvética, onde apareceu Tiago Tomás frente a Racioppi. O guarda-redes suíço ainda atrapalhou o avançado português, mas a bola sobraria para Trincão, que sem dificuldades fez o 2-0.

O 3-0 não demoraria mais que cinco minutos, num lance em que o central Van der Werff, pressionado por Francisco Conceição, errou o corte, deixando o jogador do FC Porto isolado em frente à baliza e à vontade para marcar pela primeira vez pelos sub-21.

Daí até final foi gerir. Ou melhor, tentar outras soluções, outras dinâmicas, com Rui Jorge a fazer entrar Filipe Soares e Gedson Fernandes, homens mais físicos e pragmáticos, dando descanso aos homens mais criativos.

Com uma fase de grupos de nível alto e em crescendo, talvez conviesse a Portugal agarrar o ímpeto e seguir por aí fora nos próximos dias, mas este novo mundo não funciona assim: será preciso esperar até maio e cruzar os dedos para que o momento de forma dos miúdos portugueses não se perca.

Porque a jogar assim, com talento e confiança e sem fado, esta equipa é candidata a tudo.