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Rui Jorge e a final do Euro: "Se há frase que eu não gosto é que as finais são para se ganhar"

Na antevisão da final perante a Alemanha (domingo, 20h, RTP1), o selecionador elogiou o adversário e deixou um alerta: "Se formos pelos duelos corpo a corpo, se os deixarmos chegar próximos, vamos ter muitas dificuldades, porque eles são muito superiores a nós em termos físicos"

Lusa

FPF/Diogo Pinto

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O selecionador nacional de sub-21 advertiu hoje que Portugal sentirá problemas no domingo se a final do Europeu da categoria com a Alemanha resvalar para uma toada física, vertente na qual admite a desvantagem lusa.

“Se formos pelos duelos corpo a corpo, se os deixarmos chegar próximos, vamos ter muitas dificuldades, porque eles são muito superiores a nós em termos físicos. Se não conseguirmos que o jogo vá para outro nível, poderemos ter muitas dificuldades. Caso contrário, poderemos ter alguma vantagem, mas restará perceber se o conseguiremos fazer suficientemente bem”, considerou Rui Jorge, em videoconferência de imprensa.

Portugal, finalista vencido em 1994 e 2015, e Alemanha, vencedora em 2009 e 2017 e vice-campeã em 1982 e 2019, defrontam-se no domingo, às 21:00 locais (20:00 em Lisboa), no Estádio Stozice, em Ljubljana, numa final com arbitragem do georgiano Giorgi Kruashvili.

“Queremos levar o jogo para o nosso lado, até para que os nossos jogadores se divirtam em campo e tenham outro prazer em jogá-lo, mas para isso temos de conseguir fazê-lo e mostrar essa capacidade, algo que não conseguimos contra a Espanha [vitória por 1-0, nas meias-finais, com um autogolo de Jorge Cuenca]. Vamos tentar fazê-lo e proporcionar um grande espetáculo”, apontou.

Rui Jorge mostrou-se “expectante” tal como na véspera do confronto ibérico, ainda que sem estar “mais confortável” com o estilo de jogo alemão, que assume ser “claramente diferente” do espanhol.

“Acho que passou um bocadinho a imagem de que fomos completamente subservientes, mas tivemos bons momentos no jogo e a jogada do golo é muito bonita. Pela forma como terminou em autogolo, as pessoas esqueceram um bocadinho o que está para trás, mas essa jogada é um bocadinho o exemplo daquilo que é a nossa equipa no jogo”, ilustrou.

A meia-final decorreu na quinta-feira, em Maribor, e a equipa portuguesa ainda só se dedicou à recuperação física em Ljubljana, tentando que “o cansaço não se possa sentir tanto” na final com a Alemanha, que ainda vai estudar, para, depois, definir a abordagem estratégica.

“Não destacaria jogadores, até por ser uma equipa extremamente coletiva, que faz da agressividade, velocidade de circulação e intensidade do passe mais-valias difíceis de contrariar, além da projeção dos seus laterais. É uma tremenda equipa e sabíamos que era impossível nesta altura fugir de um grande adversário. Tentaremos estar preparados para o jogo e utilizar a nossa forma de jogar mais curta para os derrotar”, insistiu.

Sem nunca se ter assumido como favorito ou candidato à conquista do título, Rui Jorge acrescentou que irá passar ao grupo uma mensagem idêntica a jogos anteriores, recusando que esta final implique outra abordagem que não seja “disputá-la da melhor forma”.

“Se há frase que eu não gosto é que as finais são para se ganhar. As pessoas que dizem isso são as mesmas que dizem que os jogos são todos iguais e cada jogo é para vencer. Foi uma frase que eventualmente pode ter feito sentido em certa altura, mas é um lugar-comum e, se pensarmos bem, não faz assim tanto sentido. É só mais um jogo”, concluiu.

A 23.ª edição do campeonato da Europa de Sub-21 integra pela primeira vez 16 participantes e tem decorrido na Hungria e Eslovénia, num formato desfasado, devido ao adiamento para este ano do Euro2020, motivado pela pandemia de covid-19.