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Fernando Santos: "Deixava de fumar para ganhar o Europeu. Se me dissessem para deixar de acreditar em Deus, não, aí perco o Europeu amanhã"

Depois de revelar que leva tabaco para um mês na mala para o Europeu, Fernando Santos respondeu ao desafio na conferência de imprensa de antevisão ao jogo de quarta-feira com Israel (19h45, RTP1), o último de preparação. Trocava tudo pelo o Euro, menos a sua fé e a família

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MIGUEL A. LOPES/Getty

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Mais ou menos nervoso que em 2016?

“Nem mais nervoso nem mais condicionado, com a mesma convicção, isso sim. Afirmei isso aos jogadores quando cheguei e aos portugueses quando disse que éramos candidatos ao Euro 2016 e afirmo-o da mesma forma, com a mesma convicção. Portugal é candidato a poder vencer este Euro2020. Agora sabemos do grau de dificuldade, isto não é matemática pura, é um jogo de muitas contingências, o futebol é um jogo de erros. Temos de errar o menos possível e sermos melhores que os nossos adversários”

Vacinação

“Eu não sou médico e estas questões deviam ser feitas à DGS. Não está provado que alguém que tenha sido vacinado não possa testar positivo, que eu saiba. Se calhar estou aqui a dizer alguma baboseira. O que sei é que quem está vacinado tem muito menor hipótese de correr riscos. O que eu me sinto seguro é naquilo que tem sido feito com o cumprimento escrupuloso das normas da DGS, o afastamento, a máscara, os testes. Temos feito muito bem. Tivemos um caso há um ano em que tivemos três jogadores positivos e eu nessa altura disse, e acho que as pessoas até ficaram mal impressionadas comigo, que não acreditava que mais algum jogador da Seleção testasse positivo. E a razão é porque sei o que aqui se cumpre, a responsabilidade dos jogadores. Tivemos um caso com o Guedes, que testou positivo lá. Aqui tenho a certeza que não lhe vai acontecer mais nada. Eu pedia a todos os portugueses que se vacinassem, para bem deles, de todos. Eu já o fiz”

Onze de 4.ª feira já aproximado ao do Euro?

“Não tem nada a ver, zero. Desculpe rir-me, nem o devia fazer, peço perdão. Eu percebo a pergunta, mas é uma pergunta recorrente. Estamos centrados naquilo que estamos a trabalhar, no processo de jogo. O que queremos que os jogadores façam nos vários momentos do jogo. Não vai haver nenhum exame nem amanhã, nem houve com a Espanha, de qualquer jogador para saber se vai jogar com a Hungria, zero. Isso é muito redutor. Amanhã há jogadores que jogaram com a Espanha que não vão jogar porque é importante ver todos os jogadores e tenho decisões para tomar”

Israel como teste

“É verdade que Israel joga com três centrais, tal como a Alemanha, mas isto não pode ser um teste para jogar contra a Alemanha seguramente. Não é um teste para ninguém, para os jogadores. Tem a ver com a nossa equipa”

Hungria

“O Cancelo ontem tinha razão. Nós pensamos na França e na Alemanha… para já aquilo é uma fase de grupos, não vai decidir ali quem vai ser campeão da Europa. Não nos podemos esquecer da Hungria, joga em casa, trabalha muito, luta muito. Sabemos aquilo que nos aconteceu em 2016, teoricamente era a equipa mais fácil, pelo ranking, e foi a mais difícil. Foi o jogo mais perigoso para nós. E no apuramento para o Mundial vencemos na Hungria apenas por 1-0. O primeiro jogo é sempre importante numa fase de grupos curta. Mas tenho confiança absoluta nos jogadores. Ninguém tem dúvidas sobre a qualidade individual dos jogadores, agora o que é importante é ver a qualidade coletiva. A qualidade técnica individual serve para pouco”

Deixava de fumar se ganhasse o Euro?

“Ai isso deixava. Há muita coisa que eu deixava de fazer para ganhar o campeonato da Europa. Se me dissessem para deixar de acreditar em Deus, não, perco o campeonato da Europa amanhã já. Se me dissessem para me separar da minha mulher ou dos meus filhos não ia ao campeonato da Europa. Agora tudo o resto acho que deixava em troca de ser campeão europeu”

Falta de matriz de um clube é handicap?

“As estatísticas, a história mostra isso claramente. Diria que em 90% dos casos venceram as seleções que têm como base uma ou duas equipas. Portugal até 2004 foi sempre assim. Espanha nas três competições seguidas era Barcelona e Real Madrid. Ao treinador da seleção é mais fácil porque a ideia já lá está. Como é que se resolve? Como em 2016: fazendo um ‘nós’ perfeito, não é um ‘nó’, é um ‘nós’. Se construirmos um ‘nós’ perfeito, dentro e fora de campo, voltaremos a ganhar. Os meus jogadores felizmente até hoje conseguiram criar isso. Estamos aqui para servir a equipa nacional e paga ganhar todos juntos”