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Portugal

A via rápida para o Catar

Portugal goleou (5-0) o Luxemburgo, numa partida em que a equipa de Fernando Santos marcou três golos nos primeiros 18 minutos e ficou, assim, mais próxima da qualificação para o Mundial 2022. Ronaldo marcou três golos e já leva 115 tentos pela seleção na noite em que Rui Patrício chegou às 100 internacionalizações

Pedro Barata

Gualter Fatia/Getty

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Enquanto a FIFA e a UEFA vão discutindo argumentos sobre o futuro do futebol de seleções, a bola vai rolando à volta do mundo, chutada por jogadores que sonham com estar, daqui a pouco mais de um ano, no Catar. Alheias às guerras que se vão passando nas galáxias de milhões nas quais ambos os organismos, algures entre Zurique e Nyon, se movimentam, os conjuntos nacionais vão fazendo os seus trajectos para lutarem por uma vaga no Mundial. Para alguns, garantir essa vaga será uma obrigação, enquanto para outros se reveste quase de proeza, de feito que, a ser atingido, será relembrado dentro de muitas décadas.

O crescimento do futebol português, associado aos alargamentos dos principais torneios internacionais, levou a que as presenças neste tipo de competições se tornassem quase numa obrigação para a seleção lusa. E, frente ao Luxemburgo, Portugal não quis perder tempo para se aproximar do objetivo de estar no Mundial 2022. A goleada, por 5-0, assentou em três golos em 18 minutos, numa espécie de via rápida do golo que foi escolhida pela equipa de Fernando Santos.

Gualter Fatia/Getty

E se há jogador que parece ter sempre pressa em chegar ao golo, esse é, claro, Cristiano Ronaldo. Com mais três golos, o capitão da seleção nacional chegou aos 115 tentos pela equipa das quinas, continuando a cimentar o seu estatuto de máximo goleador da história do futebol de seleções. Esta temporada, CR7 leva, entre Manchester United e Portugal, 10 golos em nove jogos. As auto-estradas que levam às redes são por si bem conhecidas.

O Luxemburgo é um conjunto que traz boas memórias ao futebol português. Com 17 triunfos em 19 duelos contra a seleção do país do Grão-Ducado, até nas escassas ocasiões em que Portugal não derrotou o Luxemburgo houve boas notícias. Em 1961, a única derrotou marcou a estreia de Eusébio pela seleção principal; em 1991, o único empate registou os primeiros minutos de Luís Figo por Portugal. E, se o Luxemburgo apadrinhou as estreias de dois dos três Bolas de Ouro da história nacional, é também uma formação muito do agrado do outro luso que já ergueu esse galardão.

Com os três golos marcados na partida realizada no Algarve, Cristiano Ronaldo chegou aos nove golos apontados contra o Luxemburgo, o que fazem desta seleção a vítima preferida do madeirense, superando os sete tentos apontados à Lituânia e à Suécia ou os seis a Andorra e à Hungria. Um mapa da Europa desenhado à base de redes perfuradas.

CARLOS COSTA/Getty

Para vencer a primeira de três "finais", como o próprio a descreveu, Fernando Santos entrou em campo com André Silva a partir do flanco esquerdo, Ronaldo no centro e Bernardo Silva pela direita. E o arranque a toda a velocidade da seleção nacional começou aos oito minutos, quando Bernardo Silva ziguezagueou pela direita e foi derrubado por Sebastian Thill, o jogador que havia dado a vitória ao modesto Sheriff no Santiago Bernabéu. Na cobrança do penálti, Ronaldo não tremeu.

E o capitão voltou a não tremer poucos minutos depois, desta feita num castigo máximo a punir falta sobre si próprio. O seu primeiro remate foi anulado por invasão de André Silva à área, mas o segundo contou mesmo. E, aos 18 minutos, uma recuperação de bola em zona alta de Palhinha, sempre ligado ao jogo, permitiu a Bernardo Silva assistir Bruno Fernandes, numa conexão entre rivais de Manchester que praticamente decidiu o duelo antes das duas primeiras dezenas de minutos estarem decorridas.

Tamanha vertigem nos instantes iniciais foi compensada com minutos de acalmia, nos quais a pior notícia foi mesmo um amarelo visto por Nuno Mendes e que retira o jogador do PSG da próxima jornada, na qual Portugal visitará a República da Irlanda. Com André Silva a actuar declaradamente a partir da esquerda, só nos minutos finais do primeiro tempo o perigo voltou, com Ronaldo, Bernardo e André Silva a não conseguirem marcar.

Para a segunda parte, a emoção foi trazida pela qualidade do pé esquerdo de Nuno Mendes. O jovem lateral, na sua conjugação de força, energia, inteligência e técnica, ofereceu o golo a Ronaldo, Palhinha e Bruno Fernandes, mas nenhum deles teve boa pontaria.

Quando a roda das substituições já havia começado a girar (entraram João Mário, Rúben Neves, Leão, Matheus Nunes e Gonçalo Guedes), João Palhinha apontou mesmo o 4-0, saltando mais alto que todos na sequência de um canto de Bruno Fernandes. O festejo à Ronaldo do jogador do Sporting é um bom espelho do momento de confiança plena que o médio vive.

Num texto quase só com espaço para momentos de ataque de Portugal, é importante recordar um destaque que estava na baliza. Rui Patrício cumpriu 100 jogos com a equipa lusa, tornando-se o primeiro guarda-redes a chegar à centena de internacionalizações. Para o celebrar, o guardião da Roma fez uma bela defesa a tirar a Gerson Rodrigues o tento de honra do Luxemburgo.

Carlos Rodrigues/Getty

O começo de encontro pode ter sido, para Portugal, uma viagem pela via rápida, mas a fome goleadora de Ronaldo fá-lo adaptar-se tão bem às distâncias curtas como às maratonas. Pouco importa o minuto para um atacante sempre à espreita do golo. E, aos 87', o capitão respondeu, de cabeça, da melhor maneira a um cruzamento de Rúben Neves para selar o 5-0 final e chegar aos 115 festejos com a camisola portuguesa vestida.

Com a vitória da Sérvia, por 3-1, no Azerbaijão, em jogo que decorreu ao mesmo tempo, Portugal está, agora, na 2.ª posição do grupo A, com menos um ponto que a formação balcânica. Mas a equipa de Fernando Santos tem duas partidas por disputar, ao passo que a Sérvia só realizará mais uma jornada - em Portugal, no embate que fechará o grupo.

Dependendo só de si para estar no 6.º Mundial seguido da sua história (e na 12.ª fase final consecutiva), resta aos homens de Fernando Santos cumprirem nos compromissos que lhes restam até final. Saberem que terão de enfrentar esses desafios com um dos maiores predadores do golo do seu lado é, certamente, um conforto e um alívio.