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Portugal

Fernando Santos: “Temos de pedir desculpa. Os portugueses estão tristes, não estão mais tristes do que nós”

O selecionador nacional admitiu os problemas de Portugal contra a Sérvia. E prometeu: "A minha equipa vai estar no Campeonato do Mundo do Catar"

Carlos Rodrigues

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Jogo

“O que temos de fazer é assumir a responsabilidade. E eu como treinador, que sou o principal responsável, por aquilo que não conseguimos fazer, é evidente. A Sérvia conseguiu ser melhor em muitos momentos do jogo. Nós não pensámos no empate, não passou pela nossa cabeça. Sempre montámos o jogo para poder vencer. Entrámos nessa disposição clara a pressionar alto, a tentar encontrar logo forma de fazer golo e até conseguimos fazer. A partir daí começámos a sentir muitas dificuldades, a circular a bola muito atrás, a baixar muito as linhas. Houve vários períodos, na primeira, que estivemos quase a defender nos últimos 30 metros, o que não é normal na nossa equipa. Houve algum mérito do adversário. Jogaram com 4 no meio-campo, que era 2-2, tipo um quadrado, que nos criou algumas dificuldades. (...) A Sérvia controlou mais o jogo.”

Segunda parte

“Ao intervalo, tentei retificar, perceber o que estava a acontecer. Eles mudaram também para dois avançados e aí já não precisávamos dos 4 [do meio-campo] e pudemos encostar o Danilo mais atrás. A ideia era explorar os corredores laterais, tínhamos de procurar surpreendê-los por ai. O jogo ficou um bocadinho mais equilibrado, direi eu, principalmente em termos das ocasiões, criámos duas ou três, uma do Renato, muito boa, que estaríamos aqui a fazer outra história. O que é verdade é que o jogo não foi conseguido, globalmente. Temos de pedir desculpa. Os portugueses estão tristes, não estão mais tristes do que nós, estão tão tristes. A minha equipa vai estar no Campeonato do Mundo do Catar, vai é disputar o play-off, que não é habitual.”

Dificuldade

"A equipa que jogou hoje joga há mais tempo, tem mais noção. É verdade que temos de encontrar uma solução: temos sempre alguma dificuldade quando o adversário joga a 3 centrais, colocam-nos sempre dificuldades."

Bernardo

“Pediu para sair. Era o jogador que estava a ter bola, só se eu estivesse um bocadinho tolinho... Estava a ter bola, conseguiu desequilibrar o jogo. Se tiro o Bernardo Silva, alguma razão teria de ter. Não era vontade técnica. O jogador não podia, teve a semana toda com problemas. Ontem apresentou-se bem no treino, sentia-se bem. Depois do intervalo, as pernas já estavam muito pesadas e não conseguia, não dava para sprintar. Não era ele que ia ser substituído.”

Insatisfação dos adeptos

“Normal, é o normal. Para os treinadores, é uma questão que se coloca muitas vezes. O público está insatisfeito, a equipa não jogou bem estes jogos. É normal que os portugueses manifestem essa vontade, mas estou aqui e tenho toda a capacidade para levar Portugal ao Catar.”

Jogadores

“Estão muito desanimados. Eu também estou. Mas obviamente que continuo a ter muita confiança neles. Eles estavam absolutamente convictos que iam vencer a Sérvia e que iam seguir em frente. Para alguns deles é um choque brutal o que aconteceu, é normal o desânimo, principalmente daqueles que estão aqui há menos tempo.”

“Como é que uma equipa com tanto talento joga tão pouco futebol?

“… Como é que eu vou responder? Eu acho que temos talento, muita qualidade, principalmente com bola, temos de pôr essa qualidade em jogo. É o que treinamos, pedimos, é isso que eles querem fazer, e muitas vezes têm feito, e noutros jogos não têm conseguidos. Na minha leitura, estamos com dificuldade a jogar com adversários a jogar a três [na defesa], como no Campeonato da Europa, principalmente com Alemanha e Bélgica. Tivemos sempre dificuldade em ligar o jogo e em conseguir articular o jogo. Já com a Irlanda aconteceu nos dois jogos, temos de perceber, tenho eu, treinador, como é que resolvemos esta questão. Uma das características principais da nossa equipa é os nossos laterais serem muito ativos em termos ofensivos, com muita qualidade. Se depois ficam demasiado presos atrás… acho que essa é a questão central contra adversários desses. Quando fazemos bem, a equipa exprime toda a qualidade em termos de capacidade e talento para jogar, para trocar. Quando o jogo não está a correr bem, mesmo com esse talento todo que falam, e com razão, ele não se exprime. Não ligamos três passes, não conseguimos trocar a bola entre quatro, cinco, seis jogadores. Estamos com essa dificuldade, temos de encontrar solução para isso.”