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Com Jota se escreve a palavra campeões

Foi preciso sofrer, mas Portugal é campeão da Europa sub-19 após vencer a Itália por 4-3, num jogo que só foi decidido no prolongamento. O avançado do Benfica destacou-se, com dois golos e duas assistências, mas esta não é uma vitória só dele: é a vitória de uma equipa que nunca se perdeu num jogo louco, eléctrico. Aqui está uma geração cheia de talento

Lídia Paralta Gomes

KIMMO BRANDT/EPA

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Isto do sofrer é connosco.

Todos sabemos o que foi aquela noite em Paris há dois anos, quando a nossa seleção sénior se sagrou campeã da Europa. Seinajoki, na Finlândia, é longe de Paris e o sintético do estádio desta pequena cidade pouco ou nada tem que ver com o relvado natural do Stade de France, mas parece sina a nossa história.

Em Paris, Portugal marcou no prolongamento. Em Seinajoki também. Mas antes daquele quarto golo, marcado por Pedro Correia, P. Martelo na camisola, Portugal teve de marcar um, dois, três golos. A Itália, nas suas tantas vidas, respondeu sempre. E Portugal, a cada revés, agigantava-se, nas botas de Jota, com dois golos e outras duas assistências, nos remates de Trincão, os dois os melhores marcadores deste Europeu. O marcador só parou nos 4-3.

Mas esta seleção não é só Jota e Trincão. Nela estão 10 campeões da Europa de sub-17 há dois anos e sete jogadores que há um ano perderam a final deste mesmo Europeu sub-19 - e ainda falta um punhado de jogadores que por lesão ou opção dos clubes não viajaram até à Finlândia. Portanto, é uma seleção de jogadores maduros, que sabem o que é ganhar, o que é perder e vencer novamente.

Num jogo louco, eléctrico, Portugal sofreu, mas nunca se perdeu. E a vitória é um prémio justo para a equipa que mais fez por ganhar e que mais talento mostrou em campo.

Golo cá, golo lá

Começou muito bem Portugal, com a pressão alta a criar muitas dificuldades aos defesas italianos para sair a jogar. E foi mesmo numa bola ganha perto da área italiana que Jota criou perigo pela primeira vez, logo aos 45 segundos, num remate cruzado que passou muito perto da baliza de Plizzari.

Daí até ao final da 1.ª parte, sucederam-se as oportunidades de Portugal, sempre com muita dinâmica no meio-campo e magia no ataque, com Jota e Francisco Trincão sempre em evidência. Aos 4 minutos, Jota teve mais uma oportunidade, agora de cabeça. Quina aos 11’ podia também ter marcado, após jogada do omnipresente Jota, e aos 25 minutos até um defesa esteve perto do golo, David Carmo, num remate de fora da área, ao qual Plizzari só conseguiu responder com os punhos.

KIMMO BRANDT/EPA

Enquanto Portugal tentava de todas as maneiras e feitios (até de costas, como Thierry Correia), a seleção italiana limitava-se a conter: o único lance de perigo na 1.ª parte surgiu na longa distância do capitão Frattesi. Mas foi numa altura em que o jogo já estava meio que adormecido que a Seleção Nacional marcou, com a dupla diabólica, Jota e Trincão, a encontrarem finalmente o caminho da baliza. Passou Trincão, recebeu Jota de peito, que num remate repentista, de primeira, chutou, com Plizzari a facilitar.

Na 2.ª parte, a Itália foi atrás do resultado e o jogo tornou-se mais dividido, mais anárquico e mais aberto - começava aqui a loucura que nunca mais deixaria o jogo.

Apesar dos transalpinos estarem mais perigosos, quem voltou a marcar foi Portugal, novamente numa operação do duo maravilha Trincão e Jota, com a ajuda de Florentino. Aos 72’, o médio encontrou o jogador do Benfica na profundidade, este rematou e Plizzari mais uma vez facilitou. Na recarga Trincão a fazer o seu 5.º golo no Europeu.

Está tudo controlado, pensávamos nós. Dois golos de vantagem, a Itália com vontade, mas sem grande engenho. Mas os golos também levaram a concentração da defesa portuguesa, que em dois minutos, aos 74’ e 75’, viram Moise Kean, poderoso avançado dos quadros da Juventus, empatar o jogo com dois remates colocados, sem hipótese para João Virgínia, que até mal tinha tocado na bola.

KIMMO BRANDT/EPA

Seguiu então o jogo para prolongamento, onde a loucura continuou, onde Portugal voltou a ter a Taça na mão, para mais uma vez se deixar empatar e voltar de novo para a frente. Voltou a marcar Jota aos 104’, mais um grande remate à meia volta do avançado após um bom trabalho de Pedro Correia, que havia entrado minutos antes para a vez de um exausto Francisco Trincão. Parecia a estocada final, mas esta Itália tem muitas vidas e Scamacca gastou mais uma três minutos depois, numa jogada em que a defesa portuguesa deixou o avançado sozinho, à vontade para cabecear para a baliza de Virgínia.

Entre os festejos e as desilusões, era difícil ser-se português nesta altura, mas, para nos acabar com o sofrimento, os miúdos rapidamente emendaram o erro. Foi na jogada seguinte: mais uma vez Jota esteve na jogada (que final de Jota, que Europeu!), a dar para Pedro Correia, que aproveitou um corte atabalhoado da defesa italiana para num remate em esforço colocar o marcador em 4-3 para Portugal. Um 4-3 que não mais mudaria.

Finalmente, para bem dos nossos corações.