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This is what happens when you don't have a Ronaldo

Na decisão do pódio da Liga das Nações, a Inglaterra dominou a Suíça, mas falhou oportunidades de golo clamorosas - na 1ª parte, na 2ª parte e, depois, no prolongamento. Só não falhou nos penáltis, onde ganhou 6-5, cortesia de uma grande defesa de Jordan Pickford

Mariana Cabral

Jan Kruger

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É provável que já o tenha visto, mas nunca é demais repetir - muito menos neste ângulo específico, por trás da baliza.

Pode puxar o vídeo abaixo para o minuto 1.20, ou simplesmente apreciar toda a filmagem - e depois regressar a este texto, por favor.

Depois da receção absolutamente extraordinária de Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo, à ponta de lança, identifica o espaço a atacar e antecipa-se ao central adversário para rematar de primeira. Nesse momento, Ronaldo acerta na bola, na passada, com absoluta perfeição, desviando-a do alcance do guarda-redes Yann Sommer.

É um gesto técnico de execução de alto grau de dificuldade e, com outro executante, o mais provável era: falhar a bola; rematar para fora; rematar para a trave; rematar à figura do guarda-redes.

Foi precisamente isso que fizeram, na quarta-feira, Haris Seferovic - por várias vezes - e, este domingo, Kane, Dele Alli e Sterling - tantas vezes que lhes perdi a conta.

TF-Images

Num jogo que começou muito dinâmico, com ambas as seleções a quererem construir jogadas com cabeça, tronco e membros, foi a Inglaterra a conseguir superiorizar-se aos suíços no D. Afonso Henriques - e hoje com muitas mudanças no onze inicial.

Depois de ter deixado os finalistas da Champions a descansar no jogo perante a Holanda, Gareth Southgate decidiu mexer, com sete alterações nos titulares: Alexander-Arnold, Gomez e Rose entraram para o setor defensivo, no qual se mantiveram apenas Pickford e Maguire (Stones teve um jogo para esquecer e Walker também); Eric Dier (que tinha falado com a Tribuna Expresso na zona mista) entrou para o meio-campo, com Dele Alli, mantendo-se Delph; e, mais à frente, entraram Lingard e Harry Kane, mantendo-se Sterling.

Do lado suíço, Vladimir Petkovic só mexeu ao colocar o central Elvedi e o médio Fernandes, mantendo-se os restantes jogadores que defrontaram Portugal: Yann Sommer, Schar, Akanki, Mbabu, Xhaka, Freuler, Rodriguez, Shaquiri e Seferovic.

É certo que a Suíça também teve as suas oportunidades, ainda que bem menos frequentes, mas a Inglaterra - liderada de forma soberba por Alexander-Arnold - falhou repetidamente ocasiões de golo claríssimas, deixando o jogo arrastar-se para prolongamento e para penáltis, sem necessidade nenhuma.

Kane acertou na barra, Sterling também - e no ar, com a bola mesmo à sua frente, na pequena área -, Alli cabeceou por cima - enfim, falhanços de todas as formas e feitios.

Já em cima do minuto 90, quando parecia que a coisa ia ficar resolvida - Callum Wilson, que tinha entrado para o lugar de Kane, desviou a bola para o 1-0... o VAR assinalou uma falta prévia de Wilson sobre Akanji - e assim se manteve o 0-0.

Parecia certo que o jogo ia a penáltis e foi mesmo assim que se resolveu. Aí, finalmente, houve pontaria acertada dos ingleses, que marcaram em todas as tentativas, mas, do lado suíço, Josip Drmic falhou. Ou melhor, Jordan Pickford defendeu, salvando o dia - e o pódio inglês na Liga das Nações. E ajudou-nos, ainda mais, a dar graças por termos, logo à noite, um Cristiano Ronaldo só para nós.

Nota: O título deste texto, em português: "É isto que acontece quando não têm um Ronaldo".