Tribuna Expresso

Perfil

Seleções

Marta bateu Klose e tornou-se a melhor marcadora da história dos Mundiais: “Estamos a tentar representar e mostrar o poder das mulheres”

De penálti, aos 74 minutos, a avançada, de 33 anos, apontou o 17.º tento em Mundiais, 'desempatando' com o alemão Miroslav Klose, melhor marcador das 'Copas' no masculino, e tornando-se a melhor marcadora de sempre da 'prova rainha' do futebol: “Estamos a tentar representar e mostrar o poder das mulheres"

tribuna expresso e lusa

Quality Sport Images

Partilhar

A brasileira Marta selou terça-feira à noite a vitória do Brasil frente à Itália (1-0), na terceira jornada do Grupo C do Mundial de futebol feminino, e isolou-se como melhor marcadora em campeonatos do mundo, incluindo os masculinos.

De penálti, aos 74 minutos, a avançada, de 33 anos, apontou o 17.º tento em Mundiais, 'desempatando' com o alemão Miroslav Klose, melhor marcador das 'Copas' no masculino, e tornando-se a melhor marcadora de sempre da 'prova rainha' do futebol.

Foi o segundo tento de Marta, seis vezes eleita melhor jogadora do mundo, na edição 2019, a ser disputada em França, e também o segundo na conversão de uma grande penalidade, depois de já ter 'faturado' em 2003, 2007, 2011 e 2015.

Em Valenciennes, o Brasil precisava de pontuar face à Itália para garantir que se apurava para a próxima fase, juntando-se às transalpinas, e, depois de um 'nulo' ao intervalo, foi a 'veterana' a resolver a contenda.

No banco das brasileiras, estavam Geyse e Tayla, jogadoras do Benfica, que voltaram a ser suplentes não utilizadas.

“Mais apoio para igualdade de género no futebol”

“Estou feliz, não só por quebrar o recorde, como por também poder representar estas mulheres e colegas de equipas que jogam futebol. É o que importa, além de o Brasil se qualificar para os oitavos de final”, atirou a avançada de 33 anos, em conferência de imprensa.

Questionada sobre se o Mundial de França é uma oportunidade para os direitos das mulheres, a brasileira concordou e disse que esta é “uma oportunidade incrível” e que o evento pode “ser usado para conseguir mais apoio para igualdade de género no futebol”.

“Estamos a tentar representar e mostrar o poder das mulheres. Este é um torneio com muita visibilidade, não só para a América do Sul e o Brasil, mas todas as equipas”, atirou.

Apesar de ter chegado lesionada, admitiu ter dado “tudo” na terceira jornada da fase de grupos e não sentiu dores, mesmo que após problemas físicos “demore algum tempo a recuperar forma”.

Austrália também apurada para os oitavos de final

À mesma hora, um 'póquer' da 'estrela' da Austrália Sam Kerr apurou a equipa da Oceânia como segunda classificada, com os mesmos seis pontos de Itália e Brasil, que passou com um dos quatro melhores terceiros, enquanto a Jamaica, que marcou o primeiro golo na prova, não pontuou.

Kerr aumentou a contagem na prova para cinco ao marcar aos 11 e aos 42, no primeiro tempo, acrescentando mais dois na etapa complementar, aos 69 e 83, sendo que, pelo meio, as jamaicanas ainda 'assustaram', ao fazer o 2-1, aos 49.

O tento, marcado por Solaun, foi o único da equipa da América Central na prova, contra 12 sofridos, na sua estreia em Mundiais de futebol feminino.

Nos oitavos de final, e além de Itália, Austrália e Brasil, já estão França, Noruega, Alemanha, Espanha, China, Inglaterra, Japão, Holanda, Canadá, Estados Unidos e Suécia.

Esta quarta-feira, fica definido o grupo D da prova: o Japão defronta a Inglaterra (20h, RTP Play) e a Escócia defronta a Argentina (20h, RTP Play).

  • A bola é igual para todos, mas no Mundial ainda não são todas iguais

    Futebol feminino

    Há os EUA com Alex Morgan, capa da revista “Time”. Está lá a França com meia seleção vinda do Lyon, campeão europeu há quatro anos seguidos. E não falta o Brasil com a ginga de saia de Marta, a seis vezes melhor jogadora do planeta. Fora muito mais, porque “nunca houve tantas candidatas”, diz Raquel Infante, internacional portuguesa, à vitória no Mundial de futebol feminino, que arrancou esta sexta-feira ao fim de uma época “em que foram quebradas muitas barreiras”

  • Who run the world? Girls

    Futebol feminino

    O Campeonato do Mundo feminino começa esta sexta-feira, com o França-Coreia do Sul (RTP2, 20h). Venha daí conhecer o carimbo Marley na seleção jamaicana, a jogadora mais jovem do torneio e ainda quem vai participar e esteve praticamente dois anos sem competir

  • Elas andam aí

    Crónica

    Duarte Gomes escreve sobre o futebol no feminino num mundo que está a mudar, aos poucos, para se tornar mais igual e mais feliz, com mais jogadoras e mais árbitras - uma delas, Sandra Bastos, vai estar no Mundial feminino, que começa sexta-feira, em França

  • Não basta promover o empoderamento feminino em campanhas, é preciso pô-lo em prática

    Opinião

    A Nike lançou uma campanha sobre o Mundial de Futebol Feminino, que pretende mostrar quão inspirador é para meninas de todo o mundo verem mulheres a participar num evento como este. Estará a marca a tentar limpar a face por ter discriminado várias atletas olímpicas ao cortar-lhes patrocínios durante a gravidez e licença de maternidade? É que não basta fazermos campanhas mediáticas sobre empoderamento feminino, é preciso também ser coerente na vida real quando falamos de contratos e oportunidades