Marta bateu Klose e tornou-se a melhor marcadora da história dos Mundiais: “Estamos a tentar representar e mostrar o poder das mulheres”
De penálti, aos 74 minutos, a avançada, de 33 anos, apontou o 17.º tento em Mundiais, 'desempatando' com o alemão Miroslav Klose, melhor marcador das 'Copas' no masculino, e tornando-se a melhor marcadora de sempre da 'prova rainha' do futebol: “Estamos a tentar representar e mostrar o poder das mulheres"
19.06.2019 às 9h17
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A brasileira Marta selou terça-feira à noite a vitória do Brasil frente à Itália (1-0), na terceira jornada do Grupo C do Mundial de futebol feminino, e isolou-se como melhor marcadora em campeonatos do mundo, incluindo os masculinos.
De penálti, aos 74 minutos, a avançada, de 33 anos, apontou o 17.º tento em Mundiais, 'desempatando' com o alemão Miroslav Klose, melhor marcador das 'Copas' no masculino, e tornando-se a melhor marcadora de sempre da 'prova rainha' do futebol.
Foi o segundo tento de Marta, seis vezes eleita melhor jogadora do mundo, na edição 2019, a ser disputada em França, e também o segundo na conversão de uma grande penalidade, depois de já ter 'faturado' em 2003, 2007, 2011 e 2015.
Em Valenciennes, o Brasil precisava de pontuar face à Itália para garantir que se apurava para a próxima fase, juntando-se às transalpinas, e, depois de um 'nulo' ao intervalo, foi a 'veterana' a resolver a contenda.
No banco das brasileiras, estavam Geyse e Tayla, jogadoras do Benfica, que voltaram a ser suplentes não utilizadas.
“Mais apoio para igualdade de género no futebol”
“Estou feliz, não só por quebrar o recorde, como por também poder representar estas mulheres e colegas de equipas que jogam futebol. É o que importa, além de o Brasil se qualificar para os oitavos de final”, atirou a avançada de 33 anos, em conferência de imprensa.
Questionada sobre se o Mundial de França é uma oportunidade para os direitos das mulheres, a brasileira concordou e disse que esta é “uma oportunidade incrível” e que o evento pode “ser usado para conseguir mais apoio para igualdade de género no futebol”.
“Estamos a tentar representar e mostrar o poder das mulheres. Este é um torneio com muita visibilidade, não só para a América do Sul e o Brasil, mas todas as equipas”, atirou.
Apesar de ter chegado lesionada, admitiu ter dado “tudo” na terceira jornada da fase de grupos e não sentiu dores, mesmo que após problemas físicos “demore algum tempo a recuperar forma”.
Austrália também apurada para os oitavos de final
À mesma hora, um 'póquer' da 'estrela' da Austrália Sam Kerr apurou a equipa da Oceânia como segunda classificada, com os mesmos seis pontos de Itália e Brasil, que passou com um dos quatro melhores terceiros, enquanto a Jamaica, que marcou o primeiro golo na prova, não pontuou.
Kerr aumentou a contagem na prova para cinco ao marcar aos 11 e aos 42, no primeiro tempo, acrescentando mais dois na etapa complementar, aos 69 e 83, sendo que, pelo meio, as jamaicanas ainda 'assustaram', ao fazer o 2-1, aos 49.
O tento, marcado por Solaun, foi o único da equipa da América Central na prova, contra 12 sofridos, na sua estreia em Mundiais de futebol feminino.
Nos oitavos de final, e além de Itália, Austrália e Brasil, já estão França, Noruega, Alemanha, Espanha, China, Inglaterra, Japão, Holanda, Canadá, Estados Unidos e Suécia.
Esta quarta-feira, fica definido o grupo D da prova: o Japão defronta a Inglaterra (20h, RTP Play) e a Escócia defronta a Argentina (20h, RTP Play).
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