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Tiago Teixeira

Tiago Teixeira

Analista de futebol

Já não é assim tão fácil, mas também não é assim tão difícil: conheça a seleção do Luxemburgo, próximo adversário de Portugal

Tem pontos fortes no ataque, mas tem pontos fracos na defesa: o analista Tiago Teixeira explica o que Portugal deve esperar do Luxemburgo, esta sexta-feira (19h45, RTP1), em mais um jogo de qualificação para o Euro 2020

Tiago Teixeira

MARK MARLOW

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O Luxemburgo de Luc Holtz, que é selecionador luxemburguês desde 2010, é, neste momento, o quarto classificado do grupo B, com os quatro pontos conquistados, nos cincos jogos disputados, a serem alcançados nos dois jogos frente à Lituânia. De realçar também que, nesses mesmos cinco jogos, a única vez que o Luxemburgo perdeu por mais do que um golo de diferença foi frente à Sérvia:

Luxemburgo 2-1 Lituânia
Luxemburgo 1-2 Ucrânia
Lituânia 1-1 Luxemburgo
Ucrânia 1-0 Luxemburgo
Luxemburgo 1-3 Sérvia

Do ponto de vista tático, a seleção luxemburguesa organiza-se em dois sistemas diferentes durante o jogo: 4-3-3 no momento ofensivo e 4-5-1 no momento defensivo.

Momento ofensivo: organização e pontos fortes

Organizada em 4-3-3 quando tem a posse de bola, a seleção do Luxemburgo procura construir de forma apoiada desde zonas mais recuadas, ainda que sinta dificuldades e opte por jogar mais direto, quando é sujeita a uma pressão mais alta por parte da seleção adversária.

O médio defensivo (Barreiro Martins) movimenta-se nas costas da primeira linha defensiva adversária, e procura receber a bola para ligar com os médios interiores ou com os extremos, seja no pé ou em profundidade.

Não sendo uma seleção muito criativa em termos coletivos, tem nos seus dois extremos (Gerson Rodrigues e Vincent Thill) os principais pontos fortes, seja nos momentos de organização ofensiva, seja em momentos de transição.

Jean Catuffe

Luc Holtz concede-lhes liberdade tática para que possam alternar entre zonas exteriores e zonas interiores, ainda que com funções diferentes: Gerson Rodrigues é um jogador muito vertical – força muito o 1x1 e realiza movimentos para explorar profundidade –, enquanto Vincent Thill participa mais na fase de construção, procurando muitas vezes o passe em profundidade, após as diagonais do corredor lateral direito para o corredor central.

Os dois médios interiores (Danel Sinani e Olivier Thill), têm liberdade para avançar no terreno, aparecendo muitas vezes próximos da linha defensiva adversária, principalmente para explorar o espaço entre central e lateral.

Em zonas mais próximas da baliza adversária, é também dos dois extremos que surgem as maiores ameaças. Vincent Thill procura muitas vezes fletir para zonas interiores para rematar (tem qualidade na condução de bola e no remate), enquanto Gerson Rodrigues, fazendo uso do seu poderio físico (tem 1.88m de altura), aparece com perigo em zonas de finalização, para corresponder aos cruzamentos vindos do corredor lateral direito.

Além dos dois extremos, há ainda a destacar outros dois nomes que podem fazer a diferença em termos ofensivos:

Olivier Thill: O irmão de Vincent Thill, atua como interior direito e acrescenta muita mobilidade ao processo ofensivo do Luxemburgo, aparecendo inclusive muitas vezes no corredor lateral direito. Não é um médio criativo mas é competente ao nível do passe e muito trabalhador defensivamente.

Danel Sinani: É um dos jogadores mais talentosos da seleção do Luxemburgo, destacando-se pela qualidade de passe e remate. Atua como interior esquerdo no 4-3-3 e aparece muitas vezes em zonas de finalização, principalmente para corresponder a cruzamentos para a entrada da área.

Momento defensivo: organização e pontos fracos

Organizados em 4-5-1, a estratégia defensiva dos jogadores do Luxemburgo tem por base um bloco defensivo médio, que raramente se estende para pressionar a primeira fase de construção adversária, privilegiando o controlo do seu meio-campo defensivo. Os dois extremos (Gerson Rodrigues e Vicent Thill) recuam e juntam-se aos três médios, que muitas vezes se encontram alinhados, formando por isso uma linha média com cinco elementos.

Sendo Portugal uma seleção que gosta tanto de recorrer aos cruzamentos para chegar a zonas de finalização, pode encontrar no Luxemburgo o adversário ideal para este tipo de situações, uma vez que a seleção luxemburguesa tem apresentado fragilidades no que diz respeito ao controlo de cruzamentos, nomeadamente na defesa da sua baliza.

São várias as situações em que os defesas do Luxemburgo se encontram em igualdade numérica em zonas de finalização, uma vez que o central mais perto da zona da bola, aquando do cruzamento, se encontra afastado dos restantes dois defesas (central e lateral do lado oposto), e nenhum médio ajusta em função desse posicionamento.

Apesar de a ideia inicial passar por manter a linha média com cinco elementos, de modo a povoar muito o corredor central, são vários os momentos em que os extremos baixam quase para a linha defensiva. Tal situação acontece quando os laterais adversários se projetam muito, e pode originar dois tipos de desequilíbrios:

1) Como o extremo recua muito, o médio interior desse lado vê-se obrigado a movimentar-se em direção ao corredor lateral, ficando muitas vezes em situação de inferioridade numérica, o que facilita a progressão adversária por zonas interiores;

2) Apesar do extremo recuar, nem sempre acompanha o lateral adversário até à linha defensiva, permitindo ao mesmo explorar a profundidade, tirando partido de um posicionamento mais interior do lateral luxemburguês.

11 provável