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Fernando Santos e o teste positivo de Cristiano: "Temos feito tudo bem feito e infelizmente isto aconteceu. Ele está a gerir muito bem"

O selecionador português lançou ao fim desta tarde o Portugal-Suécia, que se joga na quarta-feira, em Alvalade, e comentou também a notícia do dia: Cristiano Ronaldo testou positivo para covid-19

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JONATHAN NACKSTRAND

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3 jogos, 3 casos: difícil mudar os planos?

“O Fonte ia jogar com a Espanha, sim, mas não alterei os planos estratégicos, nem a intenção. Alterei o jogador. Tinha confiança absoluta no Fonte, mas tenho confiança nos jogadores que aqui estavam. No segundo jogo nem houve alteração [vs. França], estamos a falar de guarda-redes [Anthony Lopes]. Nunca é agradável, nunca traz nada de positivo. Infelizmente voltamos a ter esta questão, muito anormal. Obviamente que em relação ao jogo, já o disse, nenhuma equipa não tendo o melhor do mundo pode ficar melhor. É qualquer coisa que não batia certo. Esta equipa já demonstrou que tem capacidade coletivamente para resolver as questões que lhe são colocadas. Tenho absoluta confiança nos jogadores. Estou tranquilo. Se gostava de ter Cristiano? Sim. Mas tenho confiança nos que vão entrar e nos que serão chamados, vão cumprir à risca e fazer bem.”

Covid-19

“Para além de ser triste da parte humana, é também porque temos feito tudo o que nos tem sido dito. Para nós a saúde é algo importante. Desde segunda-feira que estamos aqui, completamente confinados. O staff e jogadores entraram, fomos todos testados, mas ninguém entrou aqui. Aqui há uma bolha, estamos aqui todos. Aconteceu. Os jogadores têm-se preocupado em manter as regras de segurança. Já fizemos, acho, sete testes. Todos os dias fomos testados. Isso é que nos deixa com este sabor, de que temos feito tudo bem feito e infelizmente isto aconteceu. Aconteceu aqui e vai continuar a acontecer noutro lado. Ainda ninguém sabe bem o que é esta questão da covid. Eu não tenho de saber, não sou médico. Infelizmente aconteceu. É assim…”

Reação do grupo e de Cristiano

“Ele está a gerir muito bem. Ele entrou em isolamento ontem à noite. Durante a noite soubemos da notícia. De manhã testou-se o Cristiano e os outros. Esteve sempre em isolamento. Ele está completamente assintomático, não sente nada. Nem percebe bem o que lhe aconteceu. Foram três momentos difíceis [os três casos], primeiro Fonte, e há ali um momento que não é agradável, há sempre um espaço de alguma apreensão. Repetiu-se com o Anthony e hoje de manhã. Quando se muda o treino não é uma coisa comum. Quando aconteceu algo que não é muito comum é normal que se fale e se comente. Os jogadores fizeram testes: Cristiano manteve o teste positivo, os outros mantiveram negativo. A partir daqui rola normalmente.”

Ausência de CR

“As dinâmicas serão diferentes, mas não aquilo que é a organização, a estratégia. Mesmo as dinâmicas fundamentais no processo defensivo e ofensivo serão muito semelhantes, é isso que fazemos no treino. Cristiano tem características próprias, toda a gente sabe. Tendo Cristiano, que sai muitas vezes da esquerda para o meio e do meio para a esquerda, há uma flutuação dos jogadores da frente. Obviamente que é diferente. A equipa já jogou sem Cristiano e reagiu bem, mantendo o que é hoje o seu perfil natural, que tem a ver com o ADN dos meus jogadores.”

Portugal já não tem medo de jogar nos olhos com ninguém?

“Acho que Portugal, nos últimos anos, anos largos, mostrou claramente que sempre teve essa capacidade de lutar contra os adversários. Fê-lo em 2004, 2006, 2008… em 2012 nas meias-finais foi eliminado em penáltis pela Espanha. Portugal tem feito grandes campanhas, com grande capacidade e qualidade. Quando cheguei disse ao que vinha. Portugal era candidato, acharam que era maluquinho. Assumo hoje: Portugal está em cada jogo para ganhar. Sabemos que cada jogo encerra dificuldades. Contra a França e Espanha jogámos acreditando que podíamos vencer. Nem sempre é assim de jogar olhos nos olhos, nem sempre se consegue. O que acho é que Portugal afirma-se, isso sim, como uma equipa respeitada que nenhum adversário tem muita vontade de defrontar, tal como nós com outros, embora sejam os jogos que mais gostamos. A mensagem fundamental é que Portugal estará sempre preparado para os grandes jogos."

Liga das Nações e Suécia

"Esta Liga das Nações, é bom que não se esqueça, é como o Campeonato da Europa há 16 anos. É muito mais difícil. Todas as equipas da 1ª divisão da Liga das Nações são do top-16. A Suécia é uma seleção de grande qualidade, em termos de organização trabalha muito. Como as equipas nórdicas, sabe muito bem pisar o campo. Criaram-nos muitas dificuldades no primeiro jogo. Têm qualidade técnica, são organizados. Quando se fala em qualidade técnica, fala-se muito no drible, mas estas equipas nórdicas são muito boas ao nível do passe e receção. Kulusevski e Forsberg aportam imaginação.”

As escolhas de Fernando Santos

“Só amanhã, por volta das 18 horas, já vão saber. A equipa não será muito diferente do último jogo. Se for tem a ver com a leitura do que é a frescura física dos nossos jogadores. Vai ser um jogo de exigência elevada, até nesse aspeto físico."

5.000 adeptos em Alvalade

“Sem público uma parte da vantagem desaparece. Os 5.000 adeptos já será muito bom. Quando eu jogava, em muitos campos, havia campos sem 5.000 pessoas. É entusiasmante ter público. O estádio cheio a cantar o hino seria melhor. Vamos ouvir melhor o som do hino. Para os jogadores é muito importante. Ainda agora se sentiu em França, quando tocou o nosso hino estamos praticamente isolados. É muito importante que venha de fora [os cânticos], para os jogadores, para mim.”