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Eu, Shoya Nakajima

O pequeno extremo japonês foi a grande estrela na vitória do Portimonense frente ao Sporting, por 4-2, com os leões a não aproveitarem a derrota do Porto para subirem ao segundo lugar no campeonato

Tiago Oliveira

FILIPE FARINHA

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Se fosse um agente desportivo e só pudesse mostrar o vídeo de um dos jogos do seu cliente para lhe garantir um contrato, então estaria no seu dia de sorte se o atleta em questão fosse Shoya Nakajima. O japonês esteve absolutamente intratável dentro da afinada orquestra do Portimonense que, contra a maioria das previsões, derrotou o Sporting por 4-2. Dois golos e duas assistências do cabeça de cartaz.

Quando nada o fazia prever. A viver um início de temporada complicado, os algarvios partiam para este jogo no último lugar do campeonato e com apenas uma vitória em sete jornadas. Cenário complicado quando do outro lado estava um Sporting com a oportunidade de aproveitar o resultado do jogo entre Benfica e Porto e motivado após uma vitória arrancada a ferros na Liga Europa.

Relativamente a esse jogo, José Peseiro deixou Nani no banco e lançou a jogo Jovane Cabral, o jovem extremo que já várias vezes saiu do banco para ser o abono de família dos leões enquanto Battaglia regressou à equipa titular após ausência por lesão. Já do lado do Portimonense, uma cara conhecida (e que motivou olhares de espanto no último dia do mercado de transferências) mostrou-se pela primeira vez no onze inicial: Jackson Martinez. O avançado que foi três vezes o melhor marcador do campeonato pelo Porto não se escondeu e mostrou que ainda pode ser uma arma importante. Sobretudo quando os seus colegas se apresentam nesta forma.

Foi um início mandão por parte dos algarvios, que cedo impuseram o seu jogo perante um meio campo do Sporting sem capacidade de resposta. Com nota artística elevada, o Portimonense fazia a cabeça em água à defensiva adversária e desde cedo começaram a ameaçar o golo. Que chegaria à meia-hora do jogo a partir do protagonista desta trama, Nakajima. Já dentro da grande área, o japonês serviu Manafá que, de pé direito, abriu o marcador.

Prémio justo para o futebol apresentado pelo último classificado da Liga ao longo da primeira parte e que só por uma vez o Sporting esteve próximo de desfeitear num cabeceamento de Coates aos 38 minutos. O que se tornou ainda mais evidente quando após uma grande jogada coletiva, Nakajima fez o seu primeiro golo da noite e levou o Portimonense a sair para o intervalo com uma vantagem de dois golos.

Missão impossível

Como se não bastasse o défice no marcador e a má exibição, o lance resultou também na saída de Salin (que chocou contra o poste e perdeu os sentidos) e parecia ser um tónico para uma derrota pesada do Sporting. Que entrou na segunda parte com vontade de recuperar o tempo perdido. A entrada de Nani para o lugar do apagado (e lesionado) Raphinha ajudou a agilizar o futebol dos leões que, com participação ativa de Bruno Fernandes, começaram a colecionar lances de perigo até chegarem ao golo. Assistência de Nani para Montero, que reduziu aos 63 minutos.

Os ingredientes estavam lançados para mais uma missão de recuperação leonina, só que do outro lado estava uma equipa que ainda se mostrava perigosa e um homem que parecia fixado em fazer o jogo da vida dele. Cada finta de corpo e passe do japonês semeavam o caos e Nakajima não deixaria os seus créditos por mãos alheias ao bisar ao minuto 82 com um bom remate de fora da área.

Ainda esteve próximo do hat-trick, mas o próximo golo estava reservado para Coates aos 88 minutos, que voltou a reduzir e a dar nova esperança ao Sporting. Que o extremo nipónico se encarregou de, mais uma vez, eliminar com uma assistência primorosa a deixar João Carlos isolado para fazer o 4-2.

Resultado que permite ao Portimonense dar um salto na tabela e sair do último lugar, enquanto o Sporting perde a oportunidade de chegar ao topo do campeonato. Shoya Nakajima não fez por menos.