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Bruno de Carvalho compareceu no DCIAP de Lisboa, voluntariamente, para “enfrentar um sistema endoidecido”

O antigo presidente do Sporting compareceu perante o Ministério Público, esta quinta-feira, com o intuito de prestar declarações relativas ao caso das agressões na Academia de Alcochete. Bruno de Carvalho vai, ainda hoje, ser ouvido no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP). O seu advogado confirmou que quis, “por iniciativa própria, enfrentar um sistema endoidecido”

Tribuna Expresso com Lusa

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O antigo presidente do Sporting deslocou-se, ao fim da manhã desta quinta-feira, ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) de Lisboa, para prestar declarações relativas ao caso da invasão da Academia de Alcochete. A decisão partiu do próprio Bruno de Carvalho, "por iniciativa própria", confirmou o seu advogado, José Preto, através das redes sociais.

O ex-líder do clube de Alvalade, destituído de funções a 23 de junho, compareceu instalações do DCIAP, apesar de o processo das agressões contra os jogadores e equipa técnica do Sporting, ocorridas em maio, estar a decorrer no DIAP e a cargo da procuradora Cândida Vilar. Ou seja, Bruno de Carvalho apresentou-se, mesmo que voluntariamente, no local errado.

Através do Facebook, o advogado de Bruno de Carvalho escreveu que o seu cliente decidiu, "por iniciativa própria, enfrentar um sistema endoidecido".

Esta iniciativa de Bruno de Carvalho ocorre um dia depois de o funcionário do Sporting Bruno Jacinto ter sido ouvido em primeiro inquérito judicial, no âmbito do mesmo processo, e ter ficado em prisão preventiva. Bruno Jacinto é já o 38.º elemento em prisão preventiva por alegado envolvimento nos incidentes de 15 de maio na academia do Sporting, em Alcochete, em que cerca de 40 alegados adeptos do clube, encapuzados, agrediram alguns jogadores, treinadores e staff.

Detido na terça-feira, Bruno Jacinto, que na altura das ocorrências era oficial de ligação aos adeptos, está indiciado, entre outros, pela prática, em coautoria, de mais de 20 crimes de ameaça agravada, 12 crimes de ofensa à integridade, 20 crimes de sequestro e um crime de terrorismo.

Os 38 arguidos que aguardam julgamento em prisão preventiva, entre eles o antigo líder da claque Juventude Leonina Fernando Mendes, são todos suspeitos da prática de diversos crimes, designadamente de terrorismo, ofensa à integridade física qualificada, ameaça agravada, sequestro e dano com violência.

Na sequência do ataque à Academia do Sporting, nove futebolistas rescindiram os contratos com o clube.

Rui Patrício, Rafael Leão, Daniel Podence, Gelson Martins e Ruben Ribeiro saíram em litígio com o Sporting e transferiram-se para outros clubes.

Bas Dost, Bruno Fernandes e Rodrigo Battaglia voltaram atrás na decisão de abandonar o Sporting, enquanto William Carvalho saiu para o Bétis, de Espanha, após acordo do clube espanhol com os 'leões'.

Já no início deste mês, o Tribunal da Relação de Lisboa manteve em prisão preventiva oito dos suspeitos do ataque, revelou a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.

O Tribunal da Relação de Lisboa ainda tem de pronunciar-se sobre os restantes recursos interpostos pela maioria dos detidos neste processo.