Tribuna Expresso

Perfil

Sporting

Sobrinho de uma lenda, colega dos de Boer, fã de Cruijjf e do futebol de ataque, despedido do Ajax: quem é o (possível) sucessor de Peseiro

Marcel Keizer, holandês de 49 anos é apontado como o provável sucessor de José Peseiro. É uma escolha de Frederico Varandas e está ligado contratualmente ao Al Jazira, dos Emirados Árabes Unidos

Pedro Candeias

Soccrates Images

Partilhar

Marcel Keizer é o provável sucessor de José Peseiro no Sporting, e é uma escolha de Frederico Varandas. Aparentemente, o holandês de 49 anos reúne os tais preceitos que o presidente enunciou numa entrevista ao “Expresso” (leia AQUI) em resposta ao futuro do clube: uma equipa de ataque e vistosa. Keizer, que, como outros, tem o pedigree do Ajax, é um técnico de futebol ofensivo e que aposta em miúdos, duas caraterísticas que caem bem em Varandas. Marcel, que faz manchete em "A Bola" e no "Record" está contratualmente ligado ao Al Jazira,dos Emirados Árabes Unidos.

Este é o seu perfil.

Marcel Keizer carrega o apelido do tio Piet, uma das lendas do Ajax, e até foi neste histórico clube holandês que começou a jogar futebol. Fê-lo como médio nas camadas jovens, ao lado da segunda geração notável de Amesterdão - Bergkamp, os irmãos Frank e Ronald de Boer -, mas nunca conseguiu afirmar-se como os seus colegas. Disputou quatro jogos e saiu para construir uma carreira em lugares menores, como o Cambuur, com o qual manteria uma relação próxima no futuro.

Marcel não somou qualquer internacionalização pela Holanda e, quando deixou de jogar à bola, começou a treinar nos escalões secundários - UVS, SV Argon, VVSB - até chegar a grande oportunidade de trabalhar na Eredivisie, a primeira liga holandesa.

Aconteceu no Telstar (71 jogos) até aceitar o convite do Cambuur, transformando-se no diretor-desportivo, numa primeira fase, e depois treinador principal, com uma passagem pelo Emmen entre os dois momentos. Não se pode dizer que Marcel tenha sido particularmente feliz a treinar o Cambuur, pois a equipa desceu de divisão, mas também não se pode dizer que os patrões não tenham gostado dele, pois estava previsto prosseguir para lutar pela subida.

Só que o Ajax pensou nele para treinar a Jong Ajax (a equipa de jovens, que alinha na Eerste Divisie, a segunda liga). Devidamente contextualizado num clube que conhecia bem - e, quem sabe, protegido por alguns antigos colegas - Marcel Keizer pôde, ao que parece, pôr em prática as ideias que ele gosta e que não são dele e cujo rasto leva ao mais icónico futebolista holandês da história: Johan Cruijjf.

Apoiado num 4x3x3 e num futebol de pressão alta constante, posse de bola e jogo ofensivo, o Jong Ajax marcou uns simpáticos 93 golos na segunda divisão, ficando em segundo lugar na época 2016-17. Além disso, preparou de Ligt, Justin Kluivert ou de Jong para o futuro.

Foi com naturalidade que Edwin van der Sar, nestes dias CEO do Ajax - que tem o mérito de pôr os antigos craques a mandar no futebol -, decidiu-se por ele quando Peter Bosz foi despedido em 2017. Marcel Keizer cumpriu então um sonho - que durou enquanto durou. Seis meses depois, em dezembro, e no rescaldo de dois apuramentos falhados (Liga dos Campeões e Liga Europa) e uma derrota na Taça da Holanda diante do Twente, Keizer e o seu famoso adjunto Bergkamp foram despedidos pelo Ajax. “A gerência do clube não confia que as ambições do Ajax se realizem com esta equipa técnica”.

E assim acabou o sonho de Keizer que seguiu para os Emirados Árabes Unidos para liderar o Al-Jazira, ao qual está contratualmente ligado.