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Tinha que ser ele a dar a vitória, não é?

Como já é hábito, foi mais uma vez Bruno Fernandes a marcar o golo decisivo que deu uma vitória tardia ao Sporting frente ao Boavista, num penálti polémico que promete gerar discussão

Tiago Oliveira

FERNANDO VELUDO/LUSA

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O Sporting este ano pode ser mais ou menos descrito assim: 11 a jogar de início e no final resolve sempre o mesmo, Bruno Fernandes. O capitão leonino parece às vezes que está a jogar sozinho, tal é a sua influência, e hoje voltou a não ser exceção. 90 minutos a tentar levar a equipa para a frente e no final a não tremer no penálti decisivo que deu a vitória por 2-1 aos leões. E, não fosse Bracali, ainda ia ter tempo para marcar um dos golos da época. De pontapé de bicicleta.

Vitória tardia frente a um Boavista abnegado que vendeu muito cara a derrota e que só caiu perante uma decisão polémica de João Pinheiro e que motivou muitos protestos. Com Edu Machado sempre em jogo. A mão do lateral na cara de Raphinha não pareceu suficiente para motivar a queda aparatosa do jogador leonino mas o árbitro apontou para a marca da grande penalidade e aí, apostar contra Bruno Fernandes seria complicado.

Foi o 24º golo da época do médio leonino que é a peça à volta da qual gira todo o futebol do Sporting, que se apresentou no Bessa sem a outra peça decisiva, Bas Dost. O avançado holandês foi rendido por Luiz Phellype, com o atleta contratado ao Paços de Ferreira a evidenciar dificuldades na frente de ataque perante a boa organização defensiva axadrezada.

Boavista que começou praticamente o jogo a ganhar. Após uma série de ressaltos na sequência de um livre, a bola chegou a Néris que esticou a perna para um toque que quase pareceu em câmara lenta. A bola lá acabou por desviar-se de Renan e aos dois minutos colocou os leões a correrem atrás do prejuízo.

O Sporting tentou reagir mas foi o Boavista a estar mais próximo do segundo golo, com um remate de Perdigão a obrigar Renan a uma defesa apertada aos 14 minutos e, logo a seguir, Obiora a tocar só de raspão na bola em cima da linha de golo. A partir daí praticamente só deu Sporting até ao final da primeira parte, com Raphinha e Bruno Fernandes em destaque.

Com o Boavista a falhar o 2-0, os visitantes responderam mesmo com o golo da igualdade. Lance conduzido pela direita por Raphinha e cruzamento para a pequena área onde Acuña não conseguiu desviar porque Edu Machado começou a sua noite de azar ao antecipar-se ao argentino apenas para fazer um autogolo aos 17 minutos.

O tento deu mais confiança ao Sporting que pressionou de forma mais assertiva a equipa da casa, com os axadrezados a mostrarem-se menos afoitos nas saídas para o ataque. E os leões só não se colocaram em vantagem aos 25 minutos porque, quando tinha tudo para fazer o golo, Luiz Phellype fez o mais complicado: falhar. Completamente sozinho, com o guarda-redes batido e a uns meros centímetros da baliza, atirou ao poste e manteve a equipa à procura da reviravolta.

Nem de bicicleta

Pouco depois, Raphinha viu um golo (bem) anulado por fora de jogo e o sinal mais continuava a pertencer ao Sporting. Que, outra vez de cabeça, esteve perto de sair para o intervalo a ganhar, com o desvio de Coates (a cumprir o jogo 150 pelo clube) a passar muito próximo do poste esquerdo da baliza de Bracali.

Se parecia certo que os leões iriam regressar dos balneários ainda mais pressionantes à procura do golo, a certeza demorou a confirmar-se. Até porque a jogar em casa, o Boavista ainda tinha uma palavra a dizer e entrou bem na segunda parte, a tentar acercar-se da grande área do Sporting. Perdigão e Bueno apareceram mais e os axadrezados estavam mais perigosos. Até as pilhas atacantes acabarem. Que foi mais ou menos o que aconteceu a meio do segundo tempo.

Mesmo sem criar muitas situações de perigo iminente, sentia-se que o Sporting estava mais próximo de dar a volta ao jogo e a pressão começou a acentuar-se, sempre com boa resposta defensiva do Boavista. Aos 64 minutos, Coates voltou a estar próximo do golo e Bruno Fernandes esteve muito próximo de desfeitear Bracali, não fosse o guarda-redes ter respondido com uma grande defesa a um não menos espetacular remate acrobático do médio.

Apesar da pressão intensa leonina, o resultado parecia encaminhar-se para o empate e não fosse a decisão polémica de João Pinheiro, provavelmente teria sido esse desfecho. O que não foi polémico foi a frieza de Bruno Fernandes que, como quase sempre, bateu o penálti com classe e deu a vitória ao Sporting aos 94 minutos. Tinha que ser ele, não é?