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O que Luiz Phellype começa, Wendel acaba. E naturalmente Bruno Fernandes também lá está

Os brasileiros fizeram dois dos golos da vitória por 3-0 do Sporting frente ao Rio Ave que coloca os leões isolados no terceiro lugar, naquele que foi um jogo fácil para os leões e em que quase não seria preciso escrever quem marcou o outro golo. Pronto, foi Bruno Fernandes

Tiago Oliveira

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27 golos numa época. Mesmo para um ponta de lança estes já seriam números excelentes mas obtidos por um médio adquirem toda uma nova dimensão, ou não fosse coisa rara. Por isso o feito de Bruno Fernandes não deixa de surpreender e o jogador vai fazendo por aumentar o seu pecúlio, desta feita com o penálti que marcou o ponto intermédio da vitória fácil do Sporting por 3-0 sobre o Rio Ave.

Só que o médio não é só golos. É uma visão de jogo acima da média e uma capacidade de decisão que eleva o nível de todos os que estão à sua volta e, quando isso não é suficiente, resolve os problemas por si mesmo. Neste caso nem foi preciso, porque os leões mostraram-se fortes q.b. perante um Rio Ave débil que só por uma vez obrigou Renan a uma estirada que o próprio decidiu complicar. Talvez para depois ter a emoção de poder resolver.

Após ter garantido a presença na final da Taça de Portugal com a eliminação do Benfica, a equipa apresentou-se dinâmica e além do omnipresente Bruno Fernandes, houve outros dois mosqueteiros em destaque no jogo, a saber: Luiz Phellype e Wendel. Se o primeiro atingiu a marca de três golos em dois jogos, o segundo marcou o primeiro tento no campeonato com um remate ao ângulo merecedor de nota artística. A passe de Bruno Fernandes, claro.

Já os vilacondendes chegaram a Alvalade a realizar uma época abaixo das expectativas e foram um adversário amorfo para os leões. Sem pressão ativa nem grande intensidade, deram espaço ao Sporting que sem forçar trocou sempre a bola a seu bel-prazer e não demorou muito a chegar ao golo inaugural. Que diga-se, resultou de uma bem afinada jogada de contra-ataque na sequência de um canto do Rio Ave

Lance iniciado e concluído por Luiz Phellype que, ainda no seu meio-campo, meteu uma bola longa para a corrida de Wendel que, poucos toques depois já a tinha metido a rasgar para Acuña, perante a desorientação geral dos adversários. A receção/passe do argentino colocou a bola no avançado brasileiro que, calmamente, perante a saída de Léo Jardim, colocou a bola no fundo das redes aos 12 minutos.

A dois tempos

O brasileiro tem aproveitando bem a ausência de Bas Dost e, desta feita com a companhia de Diaby (perante a lesão de Raphinha), mostrou dar soluções diferentes ao ataque leonino, além de uma mobilidade que Bas Dost não consegue oferecer. Sempre em modo quebra-cabeças, o avançado continuou a dar problemas à defensiva adversária que aos 36 minutos só o travou com recurso à falta na grande área. Penálti que Bruno Fernandes se encarregou de bater sem problemas para fazer o 2-0 e colocar o Sporting quase em piloto automático perante a (fraca) oposição.

A segunda parte trouxe uma alteração na equipa de Keizer, com o treinador holandês a fazer entrar Jovane para o lugar de Borja e a dar sinais de que queria mais do jogo. Wendel foi quem apanhou melhor a dica e fez questão de a levar a cabo com estilo. Sob pena de me repetir, tudo começou com uma boa jogada de Bruno Fernandes pela esquerda do ataque, com o médio a meter à entrada da área no brasileiro. Aí foi receber, apontar a mira e colocar no ângulo para um 'gol de placa', como se diz na sua terra natal, aos 54 minutos.

O 3-0 trouxe um Sporting ainda mais relaxado, com os leões a gerirem o jogo sem forçarem muito na procura do quarto golo. O que deu algum espaço ao Rio Ave para procurar, sempre sem grande engenho, diga-se, o golo de honra. Que até podia ter chegado aos 75 minutos, quando após uma boa abertura de Bruno Moreira, Tarantini surgiu pela direita e rematou para uma defesa a dois tempos (que não devia ter sido) de Renan e obrigouo guardião a agarrar a bola quando esta já se encaminhava para dentro da baliza.

Jovane e Bruno Fernandes ainda tentaram mas o marcador acabou por não mexer mais e deu ao Sporting a sexta vitória seguida em todas as competições, naquela que é uma das melhores fases dos leões na temporada. Com dois mosqueteiros canarinhos e o mesmo de sempre, Bruno Fernandes, em destaque numa vitória convincente dos leões que lhes permite distanciarem-se do Braga na luta pelo terceiro lugar.