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Libertado um arguido do caso da invasão de Alcochete

Tribunal da Relação de Lisboa colocou em prisão domiciliária um dos 38 arguidos que estava em preventiva do caso da invasão da Alcochete. Trata-se de Celso Cordeiro

Hugo Franco e Lusa

Academia de Alcochete foi invadida por cerca de meia centena de adeptos do Sporting na tarde de 15 de maio do ano passado

d.r.

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O Tribunal da Relação de Lisboa mandou libertar um dos 38 arguidos que se encontrava em prisão preventiva, apurou o Expresso. Trata-se de Celso Cordeiro, de 30 anos, que vive na Margem Sul. O suspeito vai agora aguardar pelo julgamento em prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

É acusado dos crimes de terrorismo, ameaça agravada, ofensa à integridade física agravada ou detenção de arma proibida.

A fase de instrução inicia-se na próxima segunda-feira, dia 13. O ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho vai ser ouvido a 14. Ou seja, quase um ano depois do ataque que teve lugar a 15 de maio do ano passado.

Esta é a fase em que as defesas apresentam os argumentos e tentam rebater as acusações do Ministério Público.

O juiz Carlos Delca, do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Barreiro, vai permitir jornalistas nas sessões da fase de instrução do processo.

A informação foi dada à agência Lusa pelo TIC do Barreiro e por advogados do processo, havendo 14 lugares reservados para a comunicação social, a partir de segunda-feira, dia em que começa a fase de instrução com o interrogatório de quatro dos 44 arguidos.

O processo pertence ao TIC do Barreiro, mas, por razões de logística e de instalações, a instrução, fase facultativa em que o juiz de instrução criminal Carlos Delca decide se o processo segue e em que moldes para julgamento, vai decorrer na nova sala do edifício A do Campus da Justiça, no Parque das Nações, em Lisboa.

Ao contrário do que vai acontecer na fase de instrução deste processo, por norma, as audiências de instrução decorrem à porta fechada, exceto as sessões de debate instrutório - no qual o Ministério Público e as defesas dos arguidos expõem os argumentos para levar ou não os arguidos a julgamento -- e da leitura da decisão instrutória, que são públicas.
Outras fontes judiciais disseram hoje à Lusa que o arguido Celso Cordeiro passou de prisão preventiva para prisão domiciliária, mantendo-se 37 dos arguidos em prisão preventiva.

A fase de instrução, requerida por mais de uma dezena de arguidos, entre eles o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e o antigo oficial de ligação aos adeptos do clube Bruno Jacinto, começa após um adiamento devido a dois pedidos de afastamento de Carlos Delca apresentados por dois arguidos, mas ambos indeferidos pelo Tribunal da Relação de Lisboa.
Bruno de Carvalho será ouvido a partir das 14:00 de terça-feira.

Os primeiros 23 detidos pela invasão à academia e consequentes agressões a técnicos, futebolistas e outros elementos da equipa 'leonina', ocorrida em 15 de maio do ano passado, ficaram todos sujeitos à medida de coação de prisão preventiva em 21 de maio.

Em 15 de novembro, exatamente seis meses após o ataque à academia, a procuradora Cândida Vilar (que será a procuradora do Ministério Público na fase de instrução), do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, deduziu acusação contra 44 arguidos, incluindo Bruno de Carvalho e 'Mustafá', líder da claque Juventude Leonina.

Dos 44 arguidos do processo, 37 mantêm-se sujeitos à medida de coação mais gravosa: a prisão preventiva. Dos restantes sete arguidos, seis estão em liberdade, incluindo Bruno de Carvalho e Mustafá, que estão ambos obrigados a apresentações diárias às autoridades, enquanto Celso Cordeiro terá passado de prisão preventiva para domiciliária.

O antigo oficial de ligação aos adeptos do clube Bruno Jacinto está entre os arguidos presos preventivamente, sendo acusado da autoria moral do ataque, tal como Bruno de Carvalho e 'Mustafá'.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque, o MP imputa-lhes a coautoria de crimes de terrorismo, 40 crimes de ameaça agravada, 38 crimes de sequestro, dois crimes de dano com violência, um crime de detenção de arma proibida agravado e um de introdução em lugar vedado ao público.

Bruno de Carvalho, 'Mustafá' e Bruno Jacinto estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada, 38 de sequestro, um de detenção de arma proibida e crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados. O líder da claque Juventude Leonina está também acusado de um crime de tráfico de droga.