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Adiada fase de instrução do ataque à Academia de Alcochete

É a terceira vez que um advogado do processo avança com um pedido de afastamento do juiz Carlos Delca. Os outros dois foram negados pela Relação. Caso tem 44 acusados, 37 deles em prisão preventiva

Hugo Franco, Hugo Tavares da Silva e Lusa

Um grupo de quase 50 adeptos do Sporting invadiu a Academia de Alcochete na tarde de 15 de maio

José Carlos Carvalho

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A fase de instrução do ataque à Academia do Sporting estava prevista arrancar esta segunda-feira mas foi adiada, por mais um pedido de afastamento do juiz deste processo. É a terceira vez que um advogado deste processo, que conta com 44 acusados, quer afastar o juiz de instrução Carlos Delca.

Segundo o Expresso apurou, trata-se de Nuno Areias, advogado do escritório de João Nabais, que avançou com o pedido na última sexta-feira.

Já em março o início da fase de instrução havia sido adiada "sine die", depois de dois advogados do caso terem avançado com um pedido idêntico de afastamento. As defesas alegaram na altura que Carlos Delca não oferecia "garantias de imparcialidade", de "isenção" e de "reserva" para fazer a instrução. Recorde-se que foi este magistrado quem ouviu os arguidos no primeiro interrogatório judicial. E, de acordo com advogados do processo, limitou-se a dar luz verde aos argumentos da procuradora Cândida Vilar, do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

O Tribunal da Relação de Lisboa não deu no entanto razão aos argumentos apresentados pelos dois advogados e foi então remarcada a instrução para esta segunda-feira, 13 de maio.

O incidente de recusa de juiz é um pedido raro, que só é usado pelos advogados em casos extremos, quando acreditam ter motivos sérios para duvidar da imparcialidade do magistrado. Uma "bomba atómica" jurídica que, se for usada sem justificação, pode valer aos advogados uma condenação por litigância de má-fé.

A instrução foi requerida por mais de uma dezena de arguidos, entre os quais o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e o antigo oficial de ligação aos adeptos do clube Bruno Jacinto. O ex-presidente do clube ia ser ouvido amanhã, quarta-feira.

A data para o novo arranque da instrução - fase semelhante a um pré-julgamento em que as defesas apresentam os seus argumentos e rebatem os do Ministério Público - só deverá ser conhecida no final do mês.

Há 37 suspeitos em prisão preventiva, alguns desde 21 de maio do ano passado. Na última sexta-feira, foi libertado mais um arguido.

Aos elementos da Juventude Leonina que participaram diretamente no ataque, o MP imputa-lhes a coautoria de crimes de terrorismo, 40 crimes de ameaça agravada, 38 crimes de sequestro, dois crimes de dano com violência, um crime de detenção de arma proibida agravado e um de introdução em lugar vedado ao público.

Já em relação Bruno de Carvalho, é apontada a suspeita de autoria moral do ataque, juntamente com Bruno Jacinto e Nuno "Mustafá" Mendes, líder da claque do Sporting.

Na próxima quarta-feira faz um ano que um grupo de meia centena de adeptos da Juventude Leonina invadiu o centro de estágio do Sporting, agredindo jogadores e equipa técnica do clube.