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O dia 2 do Caso de Alcochete: os 500 mil euros oferecidos aos jogadores, um detido, duas más disposições e o “funcionário Jorge Jesus”

Foi isto o que se passou durante o segundo dia de audições no Campus de Justiça, de Lisboa, passo a passo. O momento mais importante aconteceu ao início da tarde, quando Bruno de Carvalho foi interrogado e mais uma vez afirmou a sua inocência

Hugo Franco, Pedro Candeias e Lídia Paralta Gomes

Joao Girao

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Está terminado o segundo dia de audições do julgamento do Caso de Alcochete, em que o prato forte foi o interrogatório a Bruno de Carvalho, ouvido na parte da tarde durante cerca de hora e meia.

O ex-presidente do Sporting, que no início da inquirição disse ter como profissão “desempregado”, voltou a afirmar a sua inocência e entrou num bate-boca com Cândida Vilar, a quem acusou de ser a culpada de não ser um homem livre. A procuradora chegou mesmo a irritar-se com Bruno de Carvalho e com José Ribeiro, antigo assessor para a comunicação do clube, por se referirem repetidamente a Jorge Jesus como “o funcionário Jorge Jesus”.

Durante o interrogatório, Bruno de Carvalho reafirmou que a decisão de mudar o treino para a tarde foi de Jorge Jesus e estranhou que os jogadores do Sporting não tivessem conseguido vencer Benfica e Marítimo na reta final do campeonato depois de lhes ter sido oferecido um prémio de jogo de 500 mil euros.

Numa sessão que ficou marcada pela detenção de um homem no exterior do Campus de Justiça e por uma tensão latente entre os advogados de arguidos e testemunhas, foram ouvidos ainda Carlos Vieira, antigo ‘vice’ de Bruno de Carvalho para a área financeira e Eduardo Nicodemus, elemento da Juve Leo, na parte da manhã. Este acabaria por sair da sala antes do fim dos trabalhos, depois de se sentir mal. Também Bruno de Carvalho não assistiu ao final da sessão: saiu ao intervalo e o seu advogado justificou a saída também com uma má-disposição.

Os trabalhos no Campus de Justiça continuam no dia 10, com o debate instrutório.

[Se quiser saber, passo a passo, o que sucedeu, vá lendo este texto até ao fim]:

Joao Girao

18h05: "Meus senhores, está encerrada a sessão", anuncia Carlos Delca.

18h01: "Havia malta a correr de um lado para o outro e à saída vi uma carrinha da GNR a passar. Acho que algumas dessas pessoas tinham a cabeça tapada", diz a testemunha. "Naquele momento não achei nada. Ia levar o miúdo ao treino e não me ocorreu chamar as autoridades". Logo a seguir, numa outra pergunta, corrige o que havia dito, visivelmente atrapalhado. "Depois na televisão vi que tinham as cabeças tapadas".

17h58: "Passei pelas pessoas e entrei para dentro da Academia. Deixei o nome do atleta ao segurança e fui lá acima", continua. "Tive ali pouco tempo. Acho que levei logo o meu sobrinho. Não tenho a certeza". Há mais risos na sala, até da própria testemunha. Um momento comic relief.

17h55: Fala agora Nanciolindo Martins. O advogado Miguel Fonseca quer saber especificamente a razão pela qual aparece um carro branco da testemunha em Alcochete antes do ataque à Academia. "Um sobrinho meu ia lá fazer treinos de captação. Já lá foi este ano outra vez mas ainda não o chamaram", responde. Há risos na sala, os primeiros do dia.

17h50: Recomeça a sessão. O advogado de Bruno de Carvalho diz que o ex-presidente do Sporting não regressa à sala porque "se sentiu mal".

Joao Girao

17h35: Bruno de Carvalho deixa o tribunal. À saída não presta declarações e é aplaudido por um número reduzido de apoiantes. Reafirma que não estará na AG do Sporting no próximo fim de semana. Lá dentro, a sessão faz um intervalo.

17h31: Termina a inquirição a Carlos Vieira. Bruno de Carvalho sai da sala, mas antes disso cumprimenta um a um os jornalistas.

17h27: Momento de tensão entre os advogados de Bruno de Carvalho e de Carlos Vieira devido às questões colocadas pelo primeiro à testemunha. Pouco depois, Eduardo Nicodemus, arguido ouvido de manhã no tribunal, sentiu-se mal e teve de sair da sala de audiências.

17h17: Agora é o advogado do Sporting que conduz a audição e faz mais perguntas a Carlos Vieira sobre as reuniões no clube nos dias que antecederam o ataque a Alcochete. "Bruno de Carvalho disse aos jogadores na reunião: 'contamos convosco para dar a volta a isto'. Os jogadores estavam calmos". E tal como o antigo presidente do Sporting, sublinha que Acuña afirmou que a questão com os adeptos estava sanada.

17h10: A advogada Sandra Martins interrompe também por momentos a inquirição para perguntar com ironia à procuradora se a testemunha também fazia parte dos grupos de WhatsApp. Gera-se uma confusão no tribunal pelas perguntas de Cândida Vilar a Carlos Vieira. Os advogados protestam devido à orientação da inquirição. "Viu nas imagens de televisão o oficial de ligação Bruno Jacinto" foi a última pergunta de Cândida Vilar a Carlos Vieira. E a que causou mais celeuma.

17h08: Bruno de Carvalho e Cândida Vilar trocam palavras. "Sou magistrada, sou mulher e sou livre", diz a procuradora. "Tenho o direito de ser livre e não o sou por sua causa", responde Bruno de Carvalho em voz alta, interrompendo-se por momentos a audição a Carlos Vieira.

Por várias vezes, Bruno de Carvalho alerta o seu advogado que Carlos Vieira está a ser questionado sobre assuntos que não eram da sua área de responsabilidade no clube.

17h04: Carlos Vieira: "No aeroporto, um conjunto de adeptos confrontou a equipa. O que assisti foi o que vi na televisão. Depois a coisa parece ter ficado calma". Cândida Vilar pergunta à testemunha se não ficou preocupado com o que se tinha passado no aeroporto e no estádio.

16h58: "Tendo o pelouro financeiro, pode explicar como a Juventude Leonina deve tanto dinheiro ao Sporting?", pergunta Cândida Vilar a Carlos Vieira, perante novos protestos da defesa. O advogado de Bruno de Carvalho diz que Cândida Vilar "não pode fazer essa pergunta à testemunha". Carlos Vieira não responde à pergunta da procuradora.

16h56: Carlos Vieira secunda Bruno de Carvalho e diz que a decisão de alterar o treino para a tarde foi de "Jorge Jesus e Raul José".

16h51: O antigo vice diz que Bruno de Carvalho foi o único membro da administração a dirigir-se para a Academia. "Eu estive numa reunião no dia seguinte ao jogo na Madeira. O objetivo era dizer à equipa técnica que não havia condições para renovar. Uma conversa franca entre Bruno de Carvalho e Jorge Jesus". Ao contrário de Bruno de Carvalho, Carlos Vieira refere que havia hipóteses de Jesus "não treinar a equipa na Taça de Portugal".

16h47: Carlos Vieira diz que à hora do ataque estava a dar uma entrevista à Sporting TV e que a reunião sobre o Cashball foi feita antes daquela entrevista. "Fomos falando ao longo do dia. André Geraldes esteve lá numa fase, de manhã".

16h45: Será agora ouvido o ex-vice-presidente Carlos Vieira, que entra acompanhado do seu advogado, Carlos Pinto de Abreu.

16h40: José Ribeiro termina a sua audição e sai da sala, sem antes apertar a mão a Bruno de Carvalho.

16h38: Cândida Vilar pergunta a José Ribeiro se não acha estranho que Jorge Jesus não quisesse que o presidente do Sporting fosse à Academia. Depois de José Ribeiro tratar o antigo técnico do Sporting por "o funcionário Jorge Jesus", tal como Bruno de Carvalho o havia feito várias vezes na sua audição, a procuradora diz visivelmente exaltada: "Não é funcionário, é treinador. O Cristiano Ronaldo também é funcionário da Juventus e é o melhor jogador do Mundo".

Bruno de Carvalho reage no banco dos arguidos: "Porque é que ela está a inventar?", pergunta em voz alta. "Desde que seja contra mim compreende tudo...".

José Ribeiro responde depois que, na sua lógica, Jesus não queria BdC na Academia porque pensava que os jogadores se iriam exaltar com a presença do presidente logo a seguir às agressões.

16h36: O antigo funcionário do Sporting diz que André Geraldes esteve "trinta a quarenta minutos a falar com Jorge Jesus" e que disse ao treinador que o presidente ia para a Academia. "O André Geraldes disse que o Jorge Jesus lhe disse que não queria que Bruno de Carvalho fosse à Academia. 'Era o que mais faltava', disse Bruno de Carvalho. Chamou o motorista e foi à Academia".

16h32: José Ribeiro sobre a reunião em Alvalade a 15 de maio, dia da invasão: "Às 16h50 vimos nos canais em direto gente a entrar na Academia. Nuno Saraiva pediu-me para ir ao gabinete do presidente para o avisar do que estava a acontecer. Entrei e avisei. Ele fez um ar de espanto. Ligaram a televisão e aí tomaram conhecimento do que se estava a passar. Pensavam que era uma brincadeira de mau gosto e o André Geraldes ligou para a Academia".

16h25: Terminou a inquirição a Bruno de Carvalho. Vai falar agora José Ribeiro, ex-assessor do Sporting na área da comunicação. A defesa prescindiu de Nuno Saraiva como testemunha.

16h16: Bruno de Carvalho diz que a decisão de passar o treino para a tarde foi de Jorge Jesus. "Ao ser confrontado que iria haver reunião com os advogados do Sporting para ver a forma de rutura contratual, quando se acalmou, disse: 'Prefiro passar o treino para a tarde, porque vai haver reunião com os advogados de manhã'. Jorge Jesus tem razões que a própria razão desconhece. Deu folga de uma semana aos jogadores à revelia da administração".

"Sabia que a reunião tinha a ver com o futuro dele. Se fosse alvo de um processo disciplinar com suspensão ele não iria treinar no dia seguinte. Eu percebo tudo. Percebo mais do que as pessoas queriam. Passo o treino para a tarde porque se me suspenderem já nem dou o treino: foi o que Jesus pensou".

16h11: Ainda sobre Jesus e a reunião que teve com o treinador após o fim do campeonato: "Foi-lhe comunicado que não faria parte da época seguinte. Não cumpria a sua postura de zelo. Que era um funcionário caro, eram 9 milhões para o clube. Foi-lhe dito que o ciclo dele havia terminado. Mas isso não quer dizer que não fizesse o treino do dia seguinte ou o jogo contra o Aves".

16h09: Bruno de Carvalho deixa mais alguns "afagos" a Jorge Jesus: "Nunca me permitiu intrometer na sua metodologia de treino. Nem ao pai dele...".

16h06: "Na reunião com os jogadores a 15 de maio disse-lhes que ia ao treino na Academia. Mas não consegui ir. Soube pelo José Ribeiro [então na equipa de comunicação do Sporting] que adeptos tinham invadido a Academia. O Jorge Jesus pediu ao José Ribeiros para eu não ir à Academia, mas eu fui, ao contrário do que queria o funcionário Jorge Jesus. Nessa reunião estava, quase de certeza, o André Geraldes, os advogados do departamento jurídico e o Carlos Vieira".

16h02: Sobre a entrada de pessoas estranhas na Academia: "Uma vez estava na Academia e tomei conhecimento uma vez que estavam pessoas à porta. Não autorizei a entrada desses adeptos, mas foi o senhor Jorge Jesus que deu autorização para que entrassem. Não cheguei a estar com as pessoas. Fui-me embora e Jesus foi obrigado a pedir desculpas à entidade patronal".

"Assisti a pessoas a entrar na Academia para reunir com a equipa técnica ou com o recrutamento. Em festas de aniversário na Academia podiam entrar pessoas. Os pedidos eram feitos à Academia e não a mim. Fui lá a vários aniversários, mas nunca estava a decorrer qualquer treino. Acho que era a regra".

15h58: "Em cinco anos e meio dei zero às claques", frisando que a dívida das claques, que disparou nos seu mandato "inclui meio milhão do incêndio do estádio da Luz e milhares de euros sobre os bilhetes da final contra a Académica". Diz ainda que se tivesse "proximidade com alguma claque seria com uma mais pequena, a Torcida Verde".

15h54: Bruno de Carvalho volta a ser questionado sobre os telefonemas a Fernando Mendes, antigo líder da Juventude Leonina e um dos arguidos do processo. "Respondi apenas a algumas questões internas da Juventude Leonina e não liguei nenhuma. Nem era para ligar", sublinha.

15h52: "Ninguém falou comigo sobre o que se passou no aeroporto. E há alguns que tinham a obrigação de me terem comunicado", diz, reafirmado algo que já havia dito em entrevista ao Expresso. "No aeroporto estava presente o responsável da segurança da Academia, o sr. Ricardo Gonçalves. Não fez nada. Andou a passear com as pessoas".

15h50: "Foi oferecido um prémio de meio milhão aos jogadores antes do jogo contra o Benfica e depois contra o Marítimo. Coincidentemente, são dois jogos que deram aqueles resultados. Nunca vi alguém recusar um prémio daqueles", afirma Bruno de Carvalho.

15h47: Sobre a acusação de que deu indicações a Nuno Mendes, mais conhecido por Mustafá, volta a dizer que nunca disse "façam o que quiserem aos jogadores". Carlos Delca nota que no primeiro interrogatório, em novembro, Bruno de Carvalho lhe disse que a frase era "façam o que quiserem" e não "façam o que quiserem aos jogadores".

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15h40: "Fui eu a sofrer as consequências. Acabei por ser destituído. Nunca falei com elementos das claques sobre a performance de jogadores em cinco anos e meio como presidente. Fiz intervenções iguais sobre o futsal, o hóquei, o andebol... vários responsáveis do clube disseram-me na altura que deram mais ânimo. As atitudes foram diametralmente opostas. Quis incutir uma cultura de máximo rendimento e fomos campeões em todas as modalidades. Menos no futebol sénior masculino".

15h38: Sobre o post no Facebook a seguir ao jogo com o At. Madrid, onde criticou vários jogadores, Bruno de Carvalho diz ser uma das suas funções. "Era minha obrigação promover o que achava fundamental para a melhoria da performance".

15h35: Miguel Coutinho pergunta se o comunicado criou alguma animosidade dos adeptos contra os jogadores. "Cumpri a lei", responde. "Houve um clima de grande animosidade contra mim no jogo contra o Paços. Vi seis ou sete demonstrações de união dos adeptos com os jogadores nas seis ou sete vitórias da equipa que se seguiram".

15h31: Questionado por Miguel Coutinho sobre o processo disciplinar que instaurou aos jogadores do Sporting na altura, Bruno de Carvalho explica-se: "Em abril, depois do jogo contra o Atlético de Madrid, os jogadores, para meu espanto, depois de concordarem em fazer uma reunião após o jogo com o Paços de Ferreira e depois de combinado que ninguém iria fazer nada, lançam um comunicado quase conjunto, não cumprindo o que estava acordado. Foi feito um processo disciplinar. O comunicado não era abonatório para mim. Violava o que estava acordado com a entidade patronal".

15h30: Bruno de Carvalho frisa que na reunião na Casinha "nunca ninguém falou de uma visita a Alcochete".

15h28: Carlos Delca estranha que Bruno de Carvalho nada soubesse sobre os procedimentos a seguir sobre o uso de tarjas pela claque. "Se conhecesse todos os procedimentos do Sporting era um super-presidente".

15h25: "Senti que era uma reunião muito animosa. Não havia um fio condutor. Algumas pessoas da sala não estavam satisfeitas comigo. Disse-lhes: façam o que entenderem sobre as tarjas, Nada tinha a ver com violência. Foi uma resposta inócua, dita à saída".

15h21: Sobre os telefonemas feitos a Fernando Mendes, logo após o ataque, Bruno de Carvalho garante que nada tinham a ver com "Alcochete, nem com jogadores, mas com problemas na Juventude Leonina". Diz ainda que esteve numa reunião na Casinha da Juventude Leonina "por solicitação de André Geraldes". "Moro ao pé do estádio e acedi, estive pouco tempo na reunião. Estavam lá vários membros da Juventude Leonina, o diretor de segurança Vasco Santos e André Geraldes", diz.

15h19: "Perguntei aos jogadores se tinham sido alvo de ameaças. E se houvesse que me avisassem a mim e ao André Geraldes. Acuña, Battaglia e William disseram-me que estava tudo resolvido. Ninguém me alertou de absolutamente nada", garante.

15h18: É o advogado do Sporting, Miguel Coutinho, que vai questionando Bruno de Carvalho.

15h16: Sobre as trocas de palavras no aeroporto entre adeptos e jogadores, Bruno de Carvalho lamenta não ter sido informado na reunião com jogadores no dia 14 de maio. "Não se conseguia perceber pelas imagens da CMTV, ainda sem legendas naquela altura", diz.

15h09: Bruno de Carvalho confirma ao juiz que teve uma conversa com Marcos Acuña no dia anterior à invasão de Alcochete, depois do bate-boca entre o jogador argentino e adeptos do Sporting no Aeroporto do Funchal. "Acuña disse-me que esse problema já estava sanado, resolvido", diz o ex-presidente do Sporting, confirmando o que diz a acusação, ou seja, que recebeu telefonemas de membros das claques do clube que estavam desagradados com a atitude do argentino na Madeira.

15h04: "Perante as suas dúvidas, responderei", diz a Delca, que se ri perante a frase. O juiz pergunta a BdC se tem algo a acrescentar às acusações que está a ser alvo. "Cheguei a esta fase que não devia ter chegado", responde.

15h02: O juiz pergunta-lhe pela profissão. "Desempregado", diz. "Antes era presidente do Sporting Clube de Portugal".

14h59: Bruno de Carvalho já está a ser ouvido. "Nasci em Moçambique, era Portugal na altura", diz ao juiz Carlos Delca no momento da identificação.

14h51: O juiz Carlos Delca entra na sala. A sessão vai arrancar dentro de momentos.

14h49: Carlos Pinto de Abreu, outro advogado mediático, também se encontra presente. Representa uma das testemunhas de Bruno de Carvalho.

14h43: O momento é duro e importante e isso vê-se no número de agentes presentes dentro da sala. Nunca estiveram tantos desde que se iniciou a fase de instrução. Serão tantos quantos os arguidos.

14h36: Os cerca de vinte arguidos da juventude entram, uma vez mais algemados, na sala de audiências. Mustafá, líder da Juve Leo, que já se encontrava sentado, cumprimenta efusivamente quase todos os restantes arguidos que vão chegando.

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14h24: José Ribeiro, ex-funcionário da comunicação do Sporting, é outra das testemunhas arroladas por Bruno de Carvalho.

14h16: Ao contrário das sessões anteriores, não se encontram na sala os cerca de vinte arguidos. Cândida Vilar quase se cruza com Bruno de Carvalho que está sentado à esquerda no banco dos arguidos. A procuradora troca dois dedos de conversa com dois dos advogados mais mediáticos do processo: Tiago e Carlos Melo Alves.

14h06: O ex-vice presidente do Sporting Carlos Vieira está presente como testemunha.

14h02: Bruno de Carvalho chega ladeado por apoiantes - e pelo emplastro, obviamente - para ser interrogado. Vestido de preto e com duas dezenas de pessoas a vitoriá-lo.

13h49: Entretanto, há uma pessoa que foi identificada pela PSP. O dito empunhava uma tarja e foi detido por dois agentes da PSP, levado de seguida para o interior das instalações do tribunal.

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13h34: Junta-se à entrada do edifício A do Campus de Justiça um número considerável de familiares de arguidos e também apoiantes de Bruno de Carvalho.

13h15: Trinta minutos antes do início da sessão da tarde da fase de instrução de Alcochete, junta-se uma dezena de apoiantes de Bruno de Carvalho. Há quem tenha a foto do ex-presidente do Sporting estampada nas calças de gana.

12h12: Termina, agora, a segunda sessão da fase de instrução.

12h01: A audição à segunda testemunha causa discussão entre advogados e Cândida Vilar. Isto depois de a testemunha ser confrontada com a procuradora por ter ido à Academia noutras ocasiões e que numa dessas ocasiões se encontrava lá o treinador de então, Jorge Jesus. “Como é possível isso ter acontecido, se Jorge Jesus proibia a ida de adeptos a essas áreas reservadas?”, questionou a procuradora Cândida Vilar. Os advogados protestaram por essas serem palavras do treinador proferidas em jornais e não no processo. “Queríamos que Jorge Jesus fosse ouvido, mas esse pedido foi indeferido. Vou fazer novo requerimento para o ouvir”, criticou a advogada Sandra Martins, que defende Fernando Mendes, o ex-líder da Juve Leo.

11h50: São ouvidas, agora, as três testemunhas apresentadas pelo arguido Eduardo Nicodemus, elemento da Juventude Leonina. Carlos Delca está particularmente interessado em saber onde e de que forma os Chefes de Núcleo da claque costumam comprar os bilhetes para os jogos do Sporting. O juiz estranha que Nicodemus tenha ido a Alcochete comprar bilhetes para a final da Taça de Portugal quando habitualmente os Chefes de Núcleos os compravam na ‘casinha’ da Juve Leo. Uma das testemunhas garante ter ido a Alcochete “há dois, três anos”, juntamente com elementos da Juve Leo “para dar apoio à equipa”, falar com os jogadores” e “às vezes com a equipa”.

11h42: Nicodemus garantiu, aliás, que se deslocou à Academia naquele dia para ir buscar bilhetes para um jogo do clube. Ainda chegou a voltar para trás quando não viu ninguém à entrada, pelas 16h15, mas regressou ao centro de estágio do clube pelas 16h50, porque estava bastante trânsito na estrada nacional.

11h36: Mustafá chega à sala do tribunal já durante o depoimento de Eduardo Nicodemus. A inquirição a este elemento da JL foi realizada apenas pelo juiz Carlos Delca. Desta vez, a procuradora Cândida Vilar não fez qualquer pergunta. Nem a advogada deste que, tal como os quatro ouvidos no dia anterior, disse estar inocente das agressões aos jogadores.

11h32: Eduardo Nicodemus revelou ainda que fazia parte de um grupo WhatsApp chamado ‘Chefes de Núcleo’ ligado a elementos da Juventude Leonina. Mas o “grupo falava pouco” e mesmo “nada” sobre os acontecimentos de 2018.

11h28: Eduardo Nicodemus, elemento da Juve Leo, diz em tribunal que passou por três seguranças que se encontravam no portão principal. “Não me disseram nada”. Quando chegou ao campo de treinos, um funcionário do clube disse-lhe para se dirigir “à ala principal”. Ao ir para essa área na Academia viu Jorge Jesus “desorientado” e a “pedir ajuda”. Pouco depois cruzou-se com Manuel Fernandes que gritou: “Saiam daqui. Isto não é o Sporting”. Durante esses minutos, o arguido garante que não viu jogadores nem qualquer tipo de conflito.

11h11: Apesar de não ter pedido abertura de instrução, Nuno ‘Mustafá’ Mendes, que está em preventiva no estabelecimento prisional da PJ, vem a caminho do tribunal. Agora, o insólito: perguntado pelo juiz onde ele se encontrava, ninguém soube responder. Foi preciso perguntar aos serviços prisionais pelo seu paradeiro. Cinco minutos depois, um agente da PSP explicou que se encontrava a caminho do tribunal.

11h00: Arranca, agora, o julgamento, com uma hora de atraso. Carlos Delca já repreendeu um arguido na sala por estar com uma posse considerada pouco digna para um tribunal.

10h58: A história repete-se: a sessão está manifestamente atrasada. Advogados e arguidos conversam para fazer tempo, agentes da PSP circulam de um lado para o outro. Mas uma hora depois do horário marcado para o início do segundo dia da fase de instrtução não se passou nada. Ou quase nada.

10h29: No dia anterior, foram ouvidos quatro arguidos que se consideraram inocentes das acusações de que são alvo por parte da equipa da procuradora Cândida Vilar. Alguns arguidos contam, em conversas entre si, que chegaram às instalações do Campus da Justiça às 6 da manhã.

[Se quiser recuperar tudo o que aconteceu no primeiro dia, leia aqui o especial de terça-feira da Tribuna Expresso]

10h21: Ao início da tarde será a vez de Bruno de Carvalho ser ouvido. Prevê-se sala cheia na assistência, tal como já acontece da parte da manhã. Muitos familiares e amigos dos arguidos vieram ao Campus de Justiça para assistir à sessão liderada pelo juiz de instrução Carlos Delca.

10h20: Bom dia,
Inicia-se o segundo dia da fase de Alcochete. Esta manhã é ouvido Eduardo Nicodemus, elemento da Juventude Leonina e um dos 44 acusados do caso. A sala de audiência no Campus da Justiça está repleta de agentes da PSP, mas o ambiente não está tenso. Os cerca de 20 arguidos encontram-se já todos na sala, ao contrário do que aconteceu na última terça-feira à tarde, quando foram chegando algemados e a conta-gotas.