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O Bom, o Mau, o Herói e o Vilão do Sporting-Rapperswil-Jona

O Sporting perdeu (2-1) o primeiro jogo de preparação contra uma equipa da terceira divisão suíça. Estas são as coisas boas e as más, e os jogadores que se saíram melhor e pior. Este é o Bom, o Mau, o Herói e o Vilão, formato da Tribuna Expresso para os encontros desta pré-época

Diogo Pombo

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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O Bom

O Rapperswil-Jona habita nos meandros da segunda divisão suíça. Seguro era, portanto, dar como adquirido que a bola seria usada e abusada pelo Sporting, quase por lei. Talvez não assim, não tão cedo, logo no primeiro jogo da pré-época. Não com tanto jogo interior constante, a dispensar os laterais do contacto com bola na construção (esticavam na largura para puxarem marcações e abrirem espaço), com Mathieu e Neto a quererem passes rasteiros em Wendell ou Bruno Fernandes, e com muita gente a rodeá-los.

Tentaram-se muitas combinações pelo centro, a um toque, bastantes toca-e-vai e muita procura do terceiro homem que partir em desmarcações rápidas. Notou-se paciência em querer desmontar a defesa adversária pela relva. As transições ofensivas rápidas, mal se recuperava a bola, também saíram bem ligadas - sobretudo, na primeira parte, com Bas Dost a servir de referência e Vietto a gravitar em torno dele, partindo da esquerda. Também se viu muito os extremos a pedirem bola ao centro do campo, ao mesmo tempo.

O Mau

A apatia sem a bola. Os jogadores do Sporting, mesmo sem momentos prolongados em organização defensiva, limitavam-se a fazer contenção e a olhar para quem tinha a bola. A velha desculpa do idoso jargão dos “índices físicos ainda não estarem no seu melhor nesta fase de temporada” não explica tudo.Houve pouca intenção prática em apertar os adversários. Em encurtar o espaço e, por consequência, o tempo que tinham para pensar o que fazer à bola. Os laterais ficaram demasiadas vezes em situações de um para um com o extremo (sem que isso resultasse em perigo).

Na segunda parte, com uma equipa nova, a linha de quatro atrás nunca se coordenou a ajustar posições e abriu muitos buracos. Com bola, forçou-se muito os passes verticais e pelo meio, ignorando qual fosse a situação de quem a ia receber (se estava pressionado, rodeado por mais do que um jogador). A equipa quis jogar por dentro sem antes garantir que teria espaço para tal. Não deu tempo aos laterais para forçarem a largura, nem convidou a que a primeira linha de pressão dos suíços avançasse, porque o Rapperswil-Jon passou a juntar a equipa mais atrás, na sua metade do campo.

O Herói

Mantendo-se com a equipa, Bruno Fernandes foi o constante homem livre que a equipa procurou, nos 50 metros de campo suíço. O capitão foi sempre a referência para o último, ou penúltimo passe. Marcou o golo de penálti e encontrou várias vezes Raphinha nas costas do lateral, em velocidade, e teve em Luciano Vietto um tipo para tocar e combinar, perto da área.

O argentino, não necessariamente por culpa própria, já que partiu da esquerda, como um extremo, teve poucas ações com bola nos últimos 30 metros, mas conseguiu um par de arrancadas para se evadir de adversários, antes do meio campo. A capacidade de resistir à pressão que já mostrou pode ser mais útil se partir do centro do campo.

Matheus Pereira jogou a segunda parte no meio, como o terceiro homem. Esperar-se-ia que estivesse mais perto do avançado do que dos médios que tinha nas costas. O brasileiro, porém, tocou muito na bola perto da linha do meio campo, tentou organizador, sugeriu tabelas e acelerou as jogadas com passes de primeira. Mostrou que pode dar muitas soluções a jogar por dentro e para fomentar o jogo interior.

Gonzalo Plata resgatou a inspiração que mostrou pelo Equador, no Mundial de sub-20. Teve cinco ou seis ações com bola em que bateu o adversário direto, ultrapassou um segundo ou sofreu falta. Obrigou a equipa suíça a desposicionar-se ao bater estes homens e abriu espaços para o Sporting. O problema: as ações com bola, mesmo que boas, ainda são muito individuais. Falta-lhe acertar mais na decisão que toma depois de driblar alguém, ou que essa decisão seja, pelo menos, tentar ligar um passe.

O Vilão

Tiago Illori partilhou a linha, na segunda parte, com Ivanildo, Abdu Conté e Eduardo Quaresma. Era o mais experiente da defesa e foi o mais errático: falhou no controlo da profundidade e nem sempre teve qualidade na posse de bola (muitos passes para o lado, a convidar o adversário à pressão).

Eduardo, elogiado nos jornais desportivos após os primeiros treinos, pela intensidade e rotação, esteve algo letárgico com e sem a bola: lento na transição defensiva, lento a dar ritmo à circulação de bola. No Belenenses, o brasileiro mostrava-se muito em raides e conduções de bola em velocidade. No Sporting de Marcel Keizer terá, obrigatoriamente, de acrescentar coisas em posse de bola organizada.

Raphinha esteve bem na receção, condução e drible até arranjar espaço, mas falhou, uma e outra vez, no momento da decisão. Ou melhor, não tomou a mais correta: optou sempre pelo remate de pé esquerdo, vindo da direita para dentro, não levantando os olhos para ver quem estivesse em melhor posição.