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O Bom, o Mau, o Herói e o Vilão do St. Gallen-Sporting

O Sporting entrou bem mas acabou a sofrer no segundo teste da época, frente ao St. Gallen. O empate 2-2 pune os leões, que adormeceram na 2.ª parte, num encontro em que mais uma vez Bruno Fernandes foi muito melhor que todos os outros. Este é o Bom, o Mau, o Herói e o Vilão, formato da Tribuna Expresso para os encontros desta pré-época

Lídia Paralta Gomes

Gualter Fatia/Getty

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O Bom

O arranque do Sporting. Com Bruno Fernandes (pois, quem mais?) como protagonista, os leões mostraram já algumas dinâmicas de ataque interessantes, com boas combinações e variações de jogo, num encontro frente a uma equipa já com outra rodagem nesta pré-temporada. A jogada do primeiro golo, quando ainda nem sequer havia três minutos no relógio, é disso um bom exemplo: Bruno Fernandes a abrir bem para Raphinha, o brasileiro flete para dentro e remata, com o internacional português a ir buscar a recarga, depois da defesa incompleta de Jonathan Klinsmann (sim, sim, filho desse mesmo Klinsmann).

Foi quase sempre dos pés de Bruno Fernandes que saíram passes à procura de Luiz Phellype por zonas mais interiores do campo, embora com resultados sortidos - o avançado brasileiro esteve pouco em jogo.

Do encontro frente ao St. Gallen ficam ainda na retina bonitos golos. O de Wendel, por exemplo, grande remate de fora da área, com o médio rodeado de adversários mas ainda assim com o talento para colocar a bola ao ângulo. E o golo de Hefti, aos 52’, com o jogador do St. Gallen, ao melhor estilo de Ricardo Quaresma, a avançar pela área e a rematar em trivela para a baliza de Renan.

O Mau

A pré-temporada também serve para fazer experiências, mas nenhuma delas correu particularmente bem a Marcel Keizer neste segundo jogo. A começar por Tiago Ilori, a jogar a defesa-direito e claramente sem andamento para a posição.

Já Eduardo não teve uma tarde feliz, mas talvez a culpa não seja inteiramente sua: o brasileiro jogou na posição que Gudelj ocupava na última temporada, mas esses não são claramente os terrenos que mais gosta de pisar, já que a sua leitura de jogo está muito mais virada para a frente do que para trás. Sempre na tentação de subir (e tantas vezes a recuar atabalhoadamente por saber que estava a “infringir”), Eduardo deixou muitas vezes os centrais desamparados e é dele o erro que dá o primeiro golo ao St. Gallen, ainda antes do intervalo.

Mas pior que as experiências, que não passam disso mesmo, experiências, terá sido a diferença de jogo dos leões entre a 1.ª e a 2.ª parte. Depois de um arranque interessante e de uns primeiros 45 minutos em que o Sporting controlou ainda que sem dominar por completo, na 2.ª parte os leões raramente conseguiram pegar no jogo e sofreram com a pressão dos suíços. E nem se pode culpar apenas as inúmeras alterações, normais neste tipo de jogos. O Sporting começou a 2.ª parte com apenas três alterações e essas três alterações serviram para fazer entrar três possíveis titulares: Bas Dost, Vietto e Doumbia. E foi logo aí que se deu a quebra, que nunca foi estancada, com o St. Gallen a chegar ao empate e a somar oportunidades para sair do encontro com a vitória.

Luís Maximiano mostrou-se a Keizer

Luís Maximiano mostrou-se a Keizer

Gualter Fatia/Getty

O Herói

O Sporting anda ao sabor de Bruno Fernandes, que enche o campo com aquela maturidade incaracterística para quem tem apenas 24 anos. É dele que nascem os passes decisivos, é dele que surgem os golos, as boas decisões. Mais uma vez, o médio foi a rosa dos ventos dos leões, que sem ele em campo parecem preocupantemente inofensivos. Bruno Fernandes é insubstituível, todos nós sabemos, mas o que terá de preocupar Keizer é que não há ninguém que sequer perto do nível do internacional português atualmente no plantel leonino.

Entre os que entraram ao longo do encontro, uma referência para Luís Maximiano, que aos 79 minutos deu provas de que é um guarda-redes mais que preparado, com uma daquelas defesas pouco bonitas mas altamente complicadas a um cabeceamento de baixo para cima de Ângelo Campos. Aos 90’, nova intervenção decisiva, a sair com o timing perfeito a uma desmarcação de um avançado do St. Gallen.

O Vilão

Já falámos das experiências falhadas de Ilori à direita e de Eduardo a médio defensivo, mas no estádio do St. Gallen não houve jogador mais apagado que Rafael Camacho. O extremo mereceu a confiança de Marcel Keizer para a titularidade, mas mal se viu e foi substituído ao intervalo. O ex-Liverpool, que chega ao Sporting após um investimento considerável, não só monetário como em rendimento expectável para o futuro, ainda é um jovem e tem tudo para evoluir e aprender, mas nestes primeiros jogos tem deixado mais dúvidas que certezas.

Já na 2.ª parte, a desilusão foi Doumbia, médio-defensivo que transita da época anterior e de quem, por isso mesmo, se esperava evolução naquelas que são as suas fragilidades, nomeadamente o controlo de bola e o passe. Continua a tremer muito o costa-marfinense, que com a saída de Gudelj deveria ser a primeira opção para a posição.