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O Bom, o Mau, o Herói e o Vilão do Sporting - Liverpool

Continua sem vencer nesta pré-época, mas o Sporting terá feito o melhor jogo no empate (2-2) com o Liverpool, no estádio dos Yankees, em Nova Iorque, tão feito para o beisebol que dificultou ver pela televisão o quão bem esteve Wendel - e, claro, Bruno Fernandes. Este é o Bom, o Mau, o Herói e o Vilão, formato da Tribuna Expresso para resumir os encontros desta pré-época 2019/20

Diogo Pombo

Matthew Ashton - AMA

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O Bom

Mesmo em modo pré-época, quando a ferrugem ainda pode atrapalhar as pernas, o Liverpool continua a ser das equipas que mais rápido e bem tenta fazer as coisas. O Sporting, talvez ciente que retaliar intensidade com igual dose de intensidade seria, porventura, imprudente, optou por condicionar, ao máximo, a saída de bola dos ingleses desde a área, com um 4-4-2 sem a bola.

E foi capaz de pressionar alto e obrigar o Liverpool, durante a primeira parte, a jogar por fora e impedi-lo de ligar passes e progredir pelo centro do campo. O mais positivo foi que o logrou durante quase todo o jogo.

Com bola, a capacidade de a equipa sair em transições rápidas, assim que recuperava a bola. As conduções em velocidade de Wendel ganharam os metros à equipa que ter Vietto atrás de Luiz Philippe nunca deram. Ter Bruno Fernandes a partir da esquerda retirou-o de participar na construção, mas deixou-o com espaço para decidir nos últimos 30 metros do campo. A jogada do segundo golo mostrou-o: o brasileiro fez uma tabela longa e em velocidade com o português, que depois fixou na área, esperou e devolveu já na área.

O Mau

Aquele limbo de espaço traiçoeiro que, futebolizando no português, se conhece por profundidade. A linha defensiva do Sporting reagiu muitas vezes mal - corpos virados para a baliza, olhos só na bola e não no adversário - quando o Liverpool, aos poucos, tentou encontrar Wijnaldum ou Origi entre os defesas e o guarda-redes.

Algo que seria natural se a pressão alta e o cerrar de linhas de passe ao meio funcionassem - e porque, do outro lado, havia Alexander-Arnold e Van Dijk, defesas que lançam a bola à distância com a mira de quem faz um passe de dois metros. Ou seja, o Sporting pressionou e fechou-se bem no meio campo e perto da área contrária, mas nunca controlou a profundidade ou as desmarcações dos ingleses no espaço entre central e lateral.

Apenas nos últimos 10 minutos se viu Thierry Correia, Eduardo Quaresma e Nuno Mendes, em simultâneo, a lidarem com estes e outros problemas - quando o Liverpool já tinha imberbes adolescentes a correr por ali há uns bons 20 minutos. Marcel Keizer continua sem dar oportunidades aos miúdos. Porque dar uma chance não é atirá-los todos ao mesmo tempo para o campo, já no fim (só Thierry entrou ao intervalo).

O Herói

É redundantemente bocejante escrever, de novo, que Bruno Fernandes é o omnipresente aqui. O médio jogou encostado à esquerda, continuou a ser o mais inteligente com bola, quem mais e melhores decisões toma, quem cria vantagens para outros jogarem. Bateu uma bomba para forçar um frango de Mignolet e teve Wendel a acompanhá-lo mais de perto no número de boas ações com a bola nos pés.

Durante os 60 minutos em que Mathieu e Neto duraram juntos, notou-se que não será por ali que o Sporting terá problemas a cortar bolas, deixar avançados receber e virar, dar passes curtos na saída ou dobrar os laterais. A dupla de centrais luso-francesa tem feito com já seja de torcer o nariz a que um certo uruguaio tenha lugar na equipa só pelo estatuto.

Gonzalo Plata, nem 10 minutos completos, e mostrou, outra vez, que o modo-Deus com 18 anos em que aparentou estar no Mundial de sub-20 não terá sido um acaso. O equatoriano é muito rápido de pés, mais rápido ainda a driblar e mesmo que o poder de decisão precise de sair da puberdade, ao menos, ganha muitas faltas à equipa e desequilibra bastante.

O Vilão

Não foi a primeira vez nesta pré-época, mas a qualidade dos adversários era outra e terá sido a mais evidente: Tiago Illori foi demasiado errático e comprometedor.

O central puxado para lateral direito falhou na abordagem à bola nos dois golos que o Liverpool marcou na primeira parte (corpo virado para a própria baliza, reação tardia, má escolha da parte do pé que atacou o passe) e nunca deu saída limpa à posse de bola da equipa.

O português errou muito, é um facto, mas falhou por ser ainda mais factual que é de Marcel Keizer a decisão de insistir numa adaptação que, talvez, não valha a pena forçar mais. O que o holandês tem forçado é Luciano Vietto.

O argentino jogou como uma espécie de segundo avançado e só foi atinado num par de intervenções em contra-ataque. Sempre que recebeu de costas - e longe - da baliza, orientou mal a receção e perdeu a bola. Parece estar com muita falta de confiança.