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O Bom, o Mau, o Herói e o Vilão do Sporting - Valencia

O Sporting perdeu com o Valencia por 2-1 no Troféu Cinco Violinos e termina a pré-temporada sem qualquer vitória. É certo que a equipa de Keizer já mostra mais futebol do que há duas semanas, mas continua a tremer na defesa e a ter problemas em manter a intensidade no ataque. A Supertaça é já daqui a uma semana. Este é o Bom, o Mau, o Herói e o Vilão, formato da Tribuna Expresso para resumir os encontros desta pré-época 2019/20

Lídia Paralta Gomes

Carlos Rodrigues/Getty

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O BOM

O início da pré-temporada do Sporting não foi exatamente prometedor. Pouca conexão, pouco ritmo, pouca imaginação e extrema dependência de Bruno Fernandes. Há boas notícias: o Sporting que aqui há umas semanas defrontou aquela equipa suíça de nome estranho não é o Sporting que jogou esta semana em Nova Iorque frente ao Liverpool e o Sporting que se apresentou este domingo aos sócios frente ao Valencia, ainda que o Troféu Cinco Violinos tenha ficado nas mãos dos espanhóis.

Mais na 1.ª parte do que na 2.ª. Nos primeiros 45 minutos, o Sporting já mostrou alguns dos preceitos mais amados por Marcel Keizer: ritmo, muita troca de bola, construção, jogo curto.

Tal como no jogo frente ao Liverpool, Keizer colocou Vietto na sua posição, digamos, mais natural, ou seja, como segundo avançado, puxando Bruno Fernandes para a esquerda. E o argentino já se viu mais, já participou mais no carrossel que Keizer quer ver no ataque do Sporting, ainda que nem sempre da forma mais objetiva - ainda assim, o que o Sporting ganha com Vietto no meio, talvez ainda não equilibre aquilo que deixa de ganhar com Bruno Fernandes na ala, ainda que o capitão do Sporting seja sempre influente, seja em que posição do campo e isso viu-se no golo dos leões, logo aos 5’, quando o médio, lá na esquerda, variou o flanco com o passe extraordinário para Raphinha, que amorteceu para o remate de primeira (e fortíssimo) de Bas Dost.

Para lá disso, bom para o Sporting será também a evidente subida de forma de alguns jogadores. Bas Dost é um deles (apesar de ter sido pouco servido), tal como Vietto, mas o caso mais gritante no jogo com o Valencia foi mesmo a exibição de Doumbia - o início de pré-temporada adormecido do costa-marfinense parece que já lá vai.

O MAU

Se com bola o Sporting mostrou evolução, sem ela não raras vezes foi um ai jesus, principalmente em lances de bola parada - e foi precisamente num canto que aos 9’ Kondogbia fez o empate. Problemas no posicionamento e a travar a velocidade dos laterais e avançados do Valencia, passividade e algumas perdas de bola em zonas proibidas. Não fosse este um jogo de preparação e talvez o Sporting tivesse sofrido mais golos. Faltou também intensidade, ou pelo menos mais intensidade, no processo atacante. O Sporting continua a ser uma equipa demasiado intermitente.

Marcel Keizer apostou finalmente em Thierry Correia na lateral-direita, abdicando da mais que falhada tentativa de adaptar Tiago Ilori à posição, mas não se compreende que outros jovens do plantel tenham tido apenas minutos neste jogo de apresentação aos sócios. O caso mais insólito será mesmo o de Gonzalo Plata, que tem deixado bons apontamentos nesta pré-época e que entrou aos… 88 minutos. É possível que Marcel Keizer tenha feito do jogo deste domingo um ensaio geral para o encontro da Supertaça, daqui a uma semana, mas não se entende que o equatoriano só tenha direito a dois minutos de jogo.

O que também se pode com alguma segurança colocar na categoria de "mau" é o Sporting terminar a pré-temporada sem qualquer vitória. Mesmo que a nível global a equipa tenha melhorado de semana para semana, não deixa de ser motivo de preocupação, porque qualquer vitória real vale mais a nível anímico que muitas vitórias morais.

Gualter Fatia/Getty

O HERÓI

Num jogo sem exibições individuais de fazer vénias, o estatuto de herói pode entregar-se ao homem que evitou que o Sporting sofresse mais golos. Travar remates da marca dos 11 metros é especialidade de Renan Ribeiro que esta noite não permitiu que Rodrigo colocasse o Valencia a vencer mais cedo.

A primeira hora de jogo de Thierry Correia mais do que justificou a titularidade do jovem lateral, que deverá ter assegurado este domingo um lugar no onze do Sporting para a Supertaça. Para memória futura, o lance que ganha com souplesse a Kevin Gameiro ao minuto 57. Mas também deve ficar o mau passe que faz dois minutos depois e que permitiu um contra-ataque perigoso ao Valencia.

O VILÃO

A defesa do Sporting não esteve propriamente em dia sim e Borja pareceu o elemento com mais dificuldades, nomeadamente a lidar com a velocidade Daniel Wass na ala. Coates apareceu não poucas vezes mal colocado e Mathieu cometeu uma grande penalidade num erro de abordagem pouco comum. Erros a rever quando falta apenas uma semana para o arranque oficial da época dos leões.