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Escorregar, no sítio do costume e sem plano B

O Sporting voltou a não passar nos Barreiros (1-1), onde não vence há quatro temporadas. Num jogo mais emotivo que bem jogado, os leões não aproveitaram os intermitentes momentos em que foram a melhor equipa em campo e no final ainda sofreram para segurar um ponto. Em 2019/20, o Sporting ainda não sabe o que é ganhar

Lídia Paralta Gomes

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

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É território agreste o Estádio dos Barreiros para o Sporting e o calendário não poderia ter sido mais amargo para uma equipa que, ainda mal começou a época, e já parece estar em crise. Não é um empate que determina uma crise, note-se. A dificuldade do Sporting na hora de reagir, que já tinha sido visível de forma estrondosa na Supertaça frente ao Benfica, é um sinal bem mais preocupante que uma simples escorregadela num estádio onde o Sporting tradicionalmente tem dificuldades - já lá vão quatro temporadas sem vencer.

O que por esta altura parece mais preocupante no Sporting é a ausência de plano B, a ausência de estratégia para encarar uma dificuldade e isso, mais do que na 1.ª parte, foi uma constante nos últimos 45 minutos.

Porque na 1.ª parte, mesmo que de forma intermitente e sempre com dificuldades em manter a intensidade, o Sporting conseguiu dominar. Entrou bem, teve desde logo uma oportunidade construída por Raphinha na direita e a seguir ao golo sofrido aos 8’, num lance em que Thierry Correia falhou a abordagem à bola e permitiu que Jhon Cley cruzasse para Getterson finalizar, conseguiu reagir, ainda que não tão rápido como se pede a uma equipa que assume querer ganhar títulos.

A partir dos 25 minutos, apareceu o melhor Sporting do jogo, com Bruno Fernandes - sempre Bruno Fernandes - na condução do ataque, bem ajudado por Wendel mais atrás e também pela absoluta inércia do Marítimo, pouco preocupado em atacar. O capitão do Sporting avisou aos 28’, num remate de longe, sem balanço, que Charles defendeu a custo, e no canto nasceu o golo do empate.

No canto, Bruno Fernandes trocou as voltas ao homem que o defendia, cruzou para a área e Coates, mesmo que ensanduichado por vários jogadores do Marítimo, saltou mais alto para cabecear e marcar.

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Parecia começar aqui uma nova vida do Sporting e aos 32’ Raphinha, em plena área e com todo o espaço para marcar, rematou ao lado. Mas a partir daqui voltou a intranquilidade, que tem sido imagem de marca deste Sporting 2019/20, que parece incapaz de respirar normalmente durante 90 minutos, preferindo o perigo dos batimentos cardíacos irregulares.

Depois de um final de 1.ª parte já tremido, no regresso dos balneários o Sporting apareceu desinspirado. Wendel ainda esteve perto do golo aos 56’, num remate forte à entrada da área na sequência de um pormenor técnico de Bruno Fernandes de nos fazer questionar o que não é capaz de fazer o capitão leonino, mas na última meia-hora de jogo, veio o pânico.

E Marcel Keizer não é bom a reagir ao pânico. Com os minutos a passar, optou por tirar Luiz Phellype para colocar Bas Dost, dizendo claramente o que queria: bolas bombeadas para a área, à procura da finalização do holandês. A entrada de Vietto, que fez Bruno Fernandes recuar, só teve um efeito prático que foi o desaparecimento do melhor jogador do Sporting do encontro - e sem Bruno Fernandes na condução, o Sporting deixa de saber circular a bola, fica seco de ideias, torna-se previsível.

Os últimos 15 minutos foram, assim, de meia insanidade, o que é interessante e emotivo, mas não quer necessariamente dizer que o que se viu ali nos Barreiros nesse período foi bom futebol. Com a entrada de três elementos para o ataque, Keizer descurou o controlo do meio-campo, tarefa que Wendel não poderia nunca fazer sozinho. E já com o japonês Maeda em campo, o Marítimo esteve muito perto de marcar, bem mais perto que o Sporting. Aos 75’, o nipónico acertou no poste, aos 84’, depois de um chorrilho de erros de Coates e Mathieu foi a vez de Jhon Cley falhar e no minuto seguinte foi Correa a obrigar Renan a uma grande defesa.

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Maeda voltaria a criar perigo, num remate cruzado que rasou o poste, enquanto do outro lado, o único lance mais perigoso acabou mesmo antes de começar: a cinco minutos do fim, com todas as condições para ficar isolado, Bas Dost atrapalhou-se entre a corrida e a receção da bola e o perigo morreu ali.

E assim terminou o encontro, com o Sporting encostado à sua baliza. Com mais dúvidas do que certezas sobre a sua ideia de jogo, sobre os próprios reforços que chegaram, sobre a capacidade de reagir quando as coisas apertam. Que é o que se pede a uma equipa grande.