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Hat-tricks há muitos

O Sporting perdeu por 3-2 frente ao Rio Ave num jogo em que até já tinha conseguido a reviravolta, perdendo assim três pontos graças a três grandes penalidades cometidas pelo mesmo jogador e sobre o mesmo jogador. E assim, lá se foi uma liderança que durou uma magra jornada

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Não haverá muitos números com tantos significados quanto o número 3. Para os chineses, é o número da perfeição, para os crentes foi a conta que Deus fez, para os cristãos está estampado na Santíssima Trindade. Um número, portanto, com bom karma.

A não ser que estejamos a falar do Sporting.

Contrariando todas as crenças da numerologia e da religião, o três será esta noite um número maldito. Foram três as grandes penalidades marcadas contra o Sporting, as três de Coates, as três sobre o iraniano Taremi, o mesmo que há uma semana marcou três golos ao Aves. E foram três pontos que deixou escapar, depois de fazer a reviravolta e não conseguir controlar um jogo que seria sempre perigoso.

Ele há hat-tricks de todas as maneiras e feitios e o Sporting acabou de ter conhecimento dos piores que existem numa só noite.

O decorrer do cronómetro dirá que a noite em que o Sporting esteve a ganhar por 2-1 e acabou a perder por 3-2 começou a descambar aos 86’, quando João Pinheiro considerou existir um puxão de Coates a Taremi dentro da área e Ronan enganou Renan, mas na verdade o Sporting começou a perder o jogo quando não conseguiu capitalizar a reviravolta conseguida com esforço, depois de começar o jogo a perder - grande penalidade marcada por Filipe Augusto logo aos 7’, após uma falta absolutamente desnecessária de Coates sobre, adivinhem?, Taremi. Aos 53’, após uma entrada pouco convincente dos leões na 2.ª parte, Luiz Phellype aproveitou um ressalto na área para rematar à queima-roupa para a baliza do Rio Ave e fazer o 2-1, depois de Bruno Fernandes ter empatado o jogo ainda no decorrer da 1.ª parte.

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Em vantagem e em condições de sacudir o jogo de posse que o Rio Ave estava a conseguir fazer - para desespero dos adeptos em Alvalade, porque às tantas os visitantes pareciam os visitados e a equipa grande em campo -, o Sporting deixou-se dormir, talvez à espera de adormecer o jogo e o adversário.

Mas o Rio Ave, que é uma equipa adulta, experiente, com um treinador astuto, rato, que conhece isto do futebol português como poucos, isso percebeu e foi crescendo, crescendo até ao tal minuto 86. O Sporting, em bom prosaico, estava a meter-se a jeito. Keizer, no banco, não soube mexer e a grande penalidade, mais uma de Coates, mais uma péssima abordagem do uruguaio à fuga, mais uma, de Taremi para a baliza, já só é a imagem de uma equipa que era líder, mas um líder de pés de barro, porque continua frágil na defesa mesmo que no ataque se notem melhorias e esta noite, novamente, se tenha visto um Vietto num nível interessante e Bruno Fernandes, enfim, no bom nível de sempre.

No meio da bizarria que é sofrer três grandes penalidades, todas cometidas pelo mesmo jogador e sofridas pelo mesmo jogador, o Sporting não soube ganhar o jogo e não soube ser líder. Marcel Keizer mexeu tarde e quando voltou ao banco já o Sporting perdia, sem rumo, depois do céu lhe cair em cima.

Durou pouco o idílio.