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"Ao primeiro desaire, os esqueletos falaram. Mas deles não ouvi nada quando ganhámos a Taça da Liga e a Taça de Portugal"

Em entrevista à Sporting TV, Frederico Varandas atira-se aos detratores e diz que não foi ele que criou o fosso que existe entre o clube e Benfica e FC Porto. Garante ainda que o negócio por Podence foi bom e que, por outro lado, a venda de Bas Dost foi "o negócio possível"

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Saída de Bas Dost

“BD foi o negócio possível. Vamo então à novela Bas Dost - nós somos pródigos em novelas: em maio, ele demonstrou vontade de sair do Sporting e a partir desse momento o Sporting começa a preparar o grupo sem Bas Dost, sem o peso de Bas Dost no nosso orçamento. Além de eu gostar do Bas como homem e profissional, eu gostava de o ter no plantel, mas quando vejo que em maio não quer ficar e quando vejo que paralelamente isso significa um custo de 5,9 milhões... Isto não é comportável para Sporting nem para a realidade do futebol português. Não podíamos ter um jogador de 6 milhões de euros ao ano, são quase 10% do orçamento. Não gostei da maneira como saiu, lamentavelmente com aquela troca de comunicados. O Sporting foi obrigado a fazê-lo a fazer porque por muito que eu goste do jogador, eu não posso ficar refém de um agente. Foi a venda possível. Não é uma venda espectacular, foi o negócio possível”

Podence

“Acho que foi uma boa resolução. Sete milhões de euros é ajustado ao valor de Podence neste momento. Estávamos perante um caso judicial e independentemente de acharmos que havia boas hipóteses de ganharmos o caso, não havia garantias. E se ganhássemos, qual era o valor que o tribunal ia definir? Ninguém sabia, nem sabemos quando íamos receber. Podiam ser três, quatro anos. É muito fácil falar. Mas quem paga as contas é sempre o mesmo. Sete milhões agora? Sim, é bom negócio”

Viviano e excedentários

“Ainda é um caso em que estamos a negociar a rescisão, mais um caso de um jogador com um peso muito significativo no orçamento e que estamos a mediar, diretamente com ele. De todos excedentários, só não colocámos ele e o Matheus Oliveira, que para mim foi uma surpresa: teve muitas propostas, do Chipre, Turquia, mas preferiu ficar cá. Abdicou de jogar para ficar cá…”

Balanço do ano de mandato

“Humildemente o honestamente, para mim o balanço é muito positivo. Esta direção entrou com um clube estilhaçado. Cinco dos principais jogadores tinham rescindido sem compensação financeira e desportivo. Havia uma necessidade de tesouraria de 100 milhões de euros, 42 milhões para clubes a quem ninguém pagou, tivemos de ser nós a pagar e para isso tivemos de fazer duas operações financeiras em tempo recorde. A somar a isto tudo, conseguimos resolver três processos de rescisão, ficamos em terceiro lugar e ganhamos dois títulos. A nível de títulos, foi a melhor época do Sporting nos últimos 17 anos. Isso não é positivo? O melhor momento foi o dia seguinte à vitória na Taça de Portugal, ver os sportinguistas na rua com a camisola do clube. O pior? A final da Supertaça”

Dificuldades do cargo

“Há pessoas que já me disseram que eu estou no cargo mais difícil que existe em Portugal, mais que o de primeiro ministro. Mas hoje o Sporting está muito mais governável. A situação financeira está muito melhor do que a 18 de setembro. Se está ideal? Não. Se isso nos limita? Claro que sim. A reestruturação financeira é processo leal e duro com os bancos. Temos boas expetativas no resultado final. Está quase a terminar”

O desafio de unir o Sporting

“Ao primeiro desaire, os esqueletos falaram. Ao primeiro desaire. Mas deles todos não ouvi nada quando ganhámos a Taça da Liga e a Taça de Portugal. Ao primeiro desaire, contestação. Eu tenho defeitos, tenho muitos defeitos, mas estúpido não sou e os sportinguistas também não e não gostam disto. Estas pessoas intitulam-se porta-vozes do Sporting na desgraça. Contestar o trabalho desta direção é não perceber nada de futebol ou ser intelectualmente desonesto. Falam do fosso que existe para os outros. Ele existe? Existe. Mas fui eu que o criei? Fomos nós que o criámos? Eu não caí agora no Sporting, sei o que é a realidade. Nos últimos 18 anos vi sempre estes senhores a gravitar à volta do Sporting. Nós neste momento estamos a trepar, a sair do fosso”