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Bem-vindos à aula de Silas: "O pior inimigo é a falta de competitividade interna. Sou muito teimoso, nunca desisto de um jogador"

Foram 15 minutos de conferência de imprensa, para antever o reencontro com o Belenenses SAD (domingo, 18h30, Sport TV2), em que o treinador do Sporting falou de sistemas, treino, competitividade interna, tempo para trabalhar e, enfim, apenas e só de futebol: "Imagine que uma equipa se prepara para jogar contra uma linha de três e nós aparecemos com losango - tem de se preparar, durante a semana, para jogar contra vários sistemas. A nossa ideia é essa"

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Reencontro com o Belenenses SAD

"Vão estar duas equipas em campo com potencial. É verdade que os conheço muito bem, treinámos a maior parte dos jogadores que vão jogar, arrisco a dizer que é o caso do 11 que vai jogar.

Eles também nos conhecem bem. Estou à espera de um jogo aberto, é uma equipa que tenta pressionar muito alto e colocam um ritmo elevado no jogo. Vai ser um jogo aberto, entretido e com muitas ocasiões de golo. É essa a minha expetativa."

São precisos reforços?

"Estamos a falar disso, agora, é cedo. Temos oito jogos até à reabertura do mercado e temos é que nos preocupar com isso. Estamos aqui há sensivelmente cinco semanas. A nossa grande preocupação foi conhecer o plantel, que já conhecemos, e, depois, saber o que temos de melhorar. O pior inimigo de um plantel é a falta de competitividade interna - se não competirmos entre nós, não vamos competir com o adversário.

Como se aumenta isso? Preparar todos aqueles que achámos não estarem preparados. Só vemos se os jogadores estão preparados, ou não, metendo-os lá dentro. Sou eu que tenho de tomar essas decisões. Se perguntarmos a todos aqui na sala qual deveria ser o próximo onze, haveria aqui muitos onzes diferentes. Mas o treinador sou eu, tenho de aumentar a competitividade interna e vou aumentar, porque sou muito teimoso.

Nunca desisto de um jogador. Nunca digo que um jogador não serve. Esqueço completamente o mercado. O meu foco é preparar todos os jogadores que tenho e posso usar, preparar aqueles que, com alguns ajustes, entendo que podem ajudar. Sou demasiado teimoso para vacilar e desistir de algum jogador. A competitividade interna é o mais importante e vem muito antes das vitórias."

O desgaste, a linha de três centrais e os sistemas

"Depois de uma vitória, a equipa está sempre melhor animicamente. O jogo foi intenso, houve desgaste, tivemos viagens e pouco tempo para recuperar. Provavelmente, haverá de novo alterações.

Não digo que os três centrais são irrelevantes, mas há coisas mais importantes na equipa do que o sistema. Há coisas que têm de acontecer em todos os sistemas e essas são as mais importantes. Mudamos sempre de maneira a podemos atacar melhor. Jogámos com três para atacarmos melhor contra o Rosenborg, fizemo-lo na primeira parte e, na segunda. inconscientemente, começaram a defender mais e a cometerem erros que não podemos cometer, seja qual for o sistema.

Perante isso, tivemos que ajustar e limar. Vamos usar muitas vezes a linha de três, mas não se admirem se, de um jogo para o outro, aparecermos com um losango ou um 4-3-3, porque isso surpreende muita gente, incluindo um adversário. Se estivermos preparados para jogar em vários sistemas, mais difícil será para o adversário.

Imagine que uma equipa se prepara para jogar contra uma linha de três e nós aparecemos com losango - tem de se preparar, durante a semana, para jogar contra vários sistemas. A nossa ideia é essa. Já jogámos com três, com quatro, até só com ideias, e até acabámos por perder. Mas pronto, a nossa ideia é essa."

Ainda sobre sistemas - e a falta de tempo

"Quantos usámos no último jogo? Foi sempre com linha de três, que nos permite jogar com dois médios e um 10, com três avançados, com um 6 e dois interiores... A estabilidade que nos dá a linha de três permite-nos ser imprevisíveis na frente. Todos os sistemas precisam de ser afinados e, se fizermos uma mudança, de certeza absoluta que vão haver erros. Não há hipótese.

Do jogo do Tondela para o Rosenborg, treinámos uma vez. Desse para este, treinámos uma vez de novo. O normal é cometermos erros outra vez, talvez outros diferentes. Agora, com a paragem de seleções, teremos mais tempo para trabalhar, porque vamos precisar de toda a gente até ao final da temporada. Todos vão ser úteis.

Não concordo com a ideia de que é melhor preparar só um sistema. O melhor é trabalhar as coisas que acontecem em todos os sistemas, isso sim. Depende muito do adversário. Se jogarmos contra um 4-4-2, temos de usar a linha defensiva de maneira diferente, por exemplo. Duas equipas que jogam em 4-3-3 têm dinâmicas diferentes, deixam e usam o espaço de forma diferente. Importa procurar o espaço para atacar melhor e procurar o sistema que melhor se adeque a isso."

Há estabilidade suficiente para trabalhar vários sistemas?

"Acho que os jogadores estão preparados. Quem joga no Sporting tem que estar preparado, os únicos que não podem ser surpreendidos são eles. Treinamos sempre antes, nunca vamos jogar com algo que nunca fizemos. Jogadores de primeira liga têm de estar preparados para jogar em vários sistemas."

E se Bruno Fernandes sair em janeiro?

"Não gosto de sofrer por antecipação. Se, um dia, tiver de perder algum jogador, estou aqui para procurar soluções. Só penso em como preparar todos os jogadores. Se, amanhã o Bruno se lesiona, tenho de ter jogadores prontos para o substituir. Ninguém está livre de uma lesão. Temos de arranjar soluções e o nosso trabalho é esse."

Falta de pontas de lança no plantel

"Tivemos o Luiz [Phellype] e o Pedro [Mendes] contra o Rosenborg, optámos por esse sistemas pelos espaços que o Rosenborg concedia. Foi por aí. Depende do que achamos ser o momento dos jogadores, também."

"O Jérémy [Mathieu] não está mesmo, o Jesé pode vir a participar, os outros não. Acho que tenho vantagem porque preparei o jogo a pensar muito nas características da equipa deles, que conheço muito bem. Tento ser o mais imprevisível possível.