Tribuna Expresso

Perfil

Sporting

Está a correr-te tudo mal, Bruno, não estava?

Bruno Fernandes, mais uma vez, para o resgate. Numa noite em que nada parecia estar a sair bem ao capitão do Sporting, ainda assim o médio teve a capacidade de decidir, com um golo e uma assistência nos minutos finais que deram a vitória ao Sporting por 2-0 frente ao Gil Vicente. A final four da Taça da Liga está menos complicada

Lídia Paralta Gomes

JOSE COELHO/EPA

Partilhar

Há falhanços que, mais tarde ou mais cedo, vão parar a uma qualquer compilação de YouTube, por serem tão flagrantes e cómicos. Mas o golo certo que Bruno Fernandes falhou aos 50 minutos, depois de um cruzamento perfeito de Wendel, talvez nunca surja num desses vídeos. Porque não chegou a ser cómico: foi só meio incompreensível. Bruno Fernandes sozinho, a precisar apenas de dar um pequeno toque na bola para a empurrar, colocou mal o pé, a bola nem sequer foi em direção à baliza de Denis e o médio português fez um daqueles olhares de quem se pergunta “mas que raio mais me pode acontecer?”.

Não foi o primeiro momento caricato do capitão dos leões em Barcelos, de novo em Barcelos, onde o Sporting perdeu no fim de semana para o campeonato. Ainda na 1.ª parte, Bruno cruzou a bola, com vigor, ao ponto de nos ter doído quando ela se foi escarrapachar nas costas de Miguel Luís, um interveniente acidental no lance. O que mais te vai acontecer, Bruno? Aquele amarelo ainda antes da meia-hora por teres descarregado a tua fúria numa bola que já estava morta pelo apito do árbitro? Pois.

Talvez Vítor Oliveira tenha toda a razão, talvez não, tem mesmo: o Sporting tem um super-jogador e pouco mais e até a um super-jogador há jogos que correm mal. Bruno Fernandes estava desastrado nesta gélida noite minhota e nele nota-se mais. Não se nota tanto em outros jogadores, a quem os passes falhados, as más decisões e as bolas perdidas nos parecem já coisas comuns. Nele nota-se muito.

Até que se deixa de notar. Não porque ele se deixa diluir na mediania, mas sim porque se recusa a afogar nela. Tudo estava a correr mal a Bruno Fernandes até que aos 89 minutos o capitão leonino sofreu uma falta à entrada da área e foi ele mesmo marcar o livre direto. O remate foi tenso e colocado, perfeito como um grito de protesto em mais um jogo sofrido do Sporting. E um par de minutos depois, já com o Gil descompensado, teve a frieza necessária para receber o passe no contra-ataque conduzido por Vietto e esperar pelo momento exato para devolver a gentileza ao argentino, que com classe marcou mais um a Denis.

JOSE COELHO/EPA

E agora, quem se lembra daquele falhanço aos 50’? Quem se lembra do cruzamento-canhão para as costas de Miguel Luís? Quem se lembra daquele amarelo imprudente ainda na 1.ª parte?

O Sporting ganhou por 2-0, a qualificação para a final four da Taça da Liga ficou mais fácil, mas ainda assim a exibição ficou mais uma vez longe da qualidade que os leões mostraram frente ao PSV para a Liga Europa, uma bitola alta e com a qual a equipa de Alvalade terá provavelmente de lidar durante o que resta da temporada. Porque para já, e olhando para a lentidão de processos, para os raros momentos de entendimento entre os sectores, para a pressão que a equipa tenta fazer mas nem sempre sabe como fazer e para a falta de clarividência geral, aquela noite europeia parece apenas um asterisco numa temporada demasiado intermitente e em que um jogador tem de surgir demasiadas vezes para o resgate.