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A diferença entre 14 centímetros e 5 minutos

O Sporting voltou às vitórias com um golo único já na 2.ª parte de Luiz Phellype, depois de um arranque forte mas que os leões tiveram dificuldade em transformar em triunfo. O pódio está agora mais perto

Lídia Paralta Gomes

Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images

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Nem sempre tem de ser assim, mas neste caso vamos ser básicos e começar pelo começo. E, no começo, o Sporting recebeu o Moreirense em Alvalade com pressão e presença constante na área, como quem manda um recado a dizer “esta é a minha casa”. Logo no minuto inicial Jesé tentou de calcanhar, outras bolas sobrevoaram a área da equipa minhota e aos 12 minutos os leões chegaram a um golo que parecia lógico.

A jogada foi boa, com Borja a cruzar para Bolasie e o avançado a marcar com autoridade, mas o VAR viu 14 centímetros de ombro do lateral colombiano mais adiantado do que devia e anulou o golo. E, a partir dali, foi como se aqueles 14 centímetros ficassem a pairar nos jogadores do Sporting: os ataques sucediam-se, mais bonitos ou menos brilhantes, mas a baliza como que se fechou. Aos 20’, Bolasie mergulhou para o golo, após um belo cruzamento de Doumbia, mas estava lá Pasinato. Aos 38’, Jesé recebeu dentro da área, fintou um adversário mas permitiu a defesa do guarda-redes brasileiro. E um minuto depois foi Bruno Fernandes a rematar, de ângulo apertado, é certo, para mais um falhanço.

Com o arranque da 2.ª parte, mais uma oportunidade: livre direto de Mathieu e bola com estrondo no poste. E enquanto o jogo embrutecia, no jogo jogado e nas faltas duras que se sucederam, a baliza continuava fechada.

Silas foi então ao banco chamar Luiz Phellype. Jesé, que vinha a fazer um jogo esforçado mas pouco brilhante (aos avançados pede-se que saibam finalizar), não gostou, mas o ouro estava ali. Cinco minutos depois de entrar, e já depois de ter criado perigo por uma vez, Mathieu, impressionante a defender e não menos a atacar, deu asas ao brasileiro, que voou a grande altitude para desembruxar aquilo que 14 centímetros pareciam ter embruxado.

Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images

Com Luiz Phellype em campo, o Sporting transformou-se, criou mais perigo e só não apareceram mais golos porque Fábio Pacheco, que começou a médio e acabou a central, depois da expulsão de Iago Santos, tudo limpou.

Do Moreirense pouco se viu, principalmente na 2.ª parte. Na primeira metade, Luther Singh ainda preocupou, com as suas arrancadas possantes e remates fortes, mas Maximiano, de novo titular, foi controlando a sua área de ação. As tentativas de pressionar o Sporting na saída de bola foram escassas e os leões tiveram sempre algum espaço para jogar. E se este não foi um mau jogo do Sporting, aos leões parece continuar a faltar aquela mudança extra, aquelas trocas de bola mais rápidas e criativas e, também, um avançado de classe.

Ainda assim é um regresso às vitórias e uma aproximação do Sporting aos lugares de pódio, a apenas um ponto de um Famalicão que parece estar a perder algum fôlego.