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O karma e o coração

Em Portimão, o Sporting começou por ser surpreendido, depois foi prejudicado e foi já a jogar com menos um que foi buscar o seu melhor futebol para virar o jogo contra o Portimonense para 4-2 e qualificar-se de novo para a final four da Taça da Liga

Lídia Paralta Gomes

LUIS FORRA/LUSA

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O futebol é feito de superstição e fé e por mais empedernidos agnósticos que sejamos, há sempre algo neste jogo de onze contra onze que não conseguimos explicar - e talvez por isso é que gostamos tanto dele.

Por exemplo: Willyan Rocha, defesa do Portimonense, simulou uma agressão momentos antes de acabar a 1.ª parte, enganando João Pinheiro que sacou do segundo amarelo a Bolasie, que foi tomar banho mais cedo. Uma daquelas simulações que já não se usam em 2019, não só porque são ridículas, mancham o jogo, mas também porque o VAR veio ajudar a que não passem incólumes. O problema é que na Taça da Liga não há VAR e o Sporting ficou mesmo a jogar com 10, numa altura em que perdia por 2-1 e via a qualificação para a final four voar.

Mas, entretanto, aos 84 minutos o mesmo Willyan Rocha despejou uma bola que foi parar a Coates, que iniciou o contra-ataque. Luiz Phellype passou para Bruno Fernandes e este viu o miúdo Plata a correr para a baliza. O equatoriano recebeu com um pé, rematou com o outro e naquele momento o Sporting, a jogar com menos um, passava a ganhar por 3-2.

O karma é tramado e, por muito que não acreditemos em esoterismos, ele este sábado baixou a Portimão para dar uma lição a um enganador.

Esoterismo não foi, no entanto, tudo o resto que o Sporting fez para ganhar um jogo que parecia perdido, depois de ser surpreendido logo à entrada por um Portimonense que também tinha hipóteses de chegar à final four da Taça da Liga.

Max foi adiando o golo da equipa da casa, com duas grandes defesas a remates de Jackson Martínez, mas o colombiano abriria o marcador aos 16’, numa grande penalidade, com Mathieu aos 31’ a fazer um autogolo que só confirmava a incapacidade do Sporting em se encontrar no meio daquele sistema de três defesas do Portimonense.

LUIS FORRA/LUSA

Ainda antes da expulsão de Bolasie, Vietto reduziu aos 37’, numa jogada em que o génio de Bruno Fernandes soube esperar pelo melhor momento para armar um cruzamento que foi direitinho para o argentino, a entrar na área que nem ponta de lança e a elevar-se mais que toda a gente apesar daquele 1,73m.

Na 2.ª parte, o Portimonense entrou forte e logo aos 46’ Ayrton Boa Morte apareceu isolado em frente a Max. Coates cortou num primeiro momento mas o avançado dos algarvios ainda recuperou a bola, rematando para uma defesa milagrosa (mais uma, aliás) de Max, que repeliu um golo certo para o poste.

Mas a partir daí, apareceu o coração do Sporting.

Mesmo em inferioridade numérica, a equipa de Silas pegou no jogo e as entradas de Luiz Phellype e Gonzalo Plata foram decisivas, depois de uma primeira parte em que faltou sempre presença na área aos leões. Vietto teve o golo nos pés duas vezes, primeiro aos 50’ e depois aos 54’, mas seria uma fantástica iniciativa individual de Rafael Camacho a dar um empate que o Sporting já fazia por merecer.

Aos 77’, o jovem extremo português dançou sobre o seu adversário e preparou um remate forte e cruzado, sem hipóteses para Gonda. Aos 84’, chegou o momento karma da noite e o golo de Plata, com o Sporting ainda a conseguir chegar ao 4-2 momentos antes do apito final, com Plata novamente na jogada e Bruno Fernandes a deixar para Luiz Phellype, que com uma bomba fechou definitivamente um jogo em que o melhor do Sporting veio ao de cima na pior das situações.

E foi assim, num misto de karma, coração, talento e vontade, que o Sporting conseguiu mais uma vez chegar à final four da Taça da Liga, competição que venceu nos últimos dois anos.