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Rui Patrício no julgamento de Alcochete: “Não aceitámos um prémio do presidente, de meio milhão de euros, contra o Benfica”

O internacional português, ex-Sporting, é ouvido por Skype no Tribunal do Monsanto, esta segunda-feira. Acompanhe o julgamento de Alcochete ao minuto na Tribuna Expresso

Hugo Franco e Mariana Cabral

Gualter Fatia

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Durante quase três horas, Rui Patrício revelou em tribunal que pensou que ia morrer nos instantes do ataque à Academia do Sporting, na tarde de 15 de maio de 2018. No final do depoimento, por Skype, revelou que ainda hoje sente medo quando se encontra em Portugal. E que tomou medidas de segurança para não ser agredido na rua por adeptos do Sporting.

Sobre o ataque à Academia, revelou que viu William Carvalho a ser agredido mas que não conseguiu ver muito mais, devido ao fumo das tochas arremessadas para o interior do balneário. Foi empurrado e insultado, mas não foi alvo de agressões graves.

No depoimento, Rui Patrício contou ainda como foram tensas as reuniões com o então presidente do Sporting Bruno de Carvalho. E como a sua relação se degradou com o número um do clube. A certa altura já nem respondia às mensagens do presidente. Estranhou por isso o tom aparentemente conciliador de Bruno de Carvalho na última reunião realizada em Alvalade no dia anterior ao ataque.

Miguel Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, considerou que a testemunha teve durante o depoimento “uma memória muito seletiva”.

O depoimento de Rui Patrício

17h44: Termina o depoimento de Rui Patrício, via Skype.

17h32: As últimas perguntas são sobre um prémio de meio milhão de euros oferecido pelo presidente aos jogadores num jogo contra o Benfica. Rui Patrício afirmou que os jogadores não aceitaram porque a condição era que Bruno de Carvalho tinha de ir ao balneário entregar o prémio. "Com tudo o que se estava a passar, e tudo o que o presidente fazia contra nós, não aceitámos o prémio", diz. "O prémio era para o jogo das tochas", acrescenta, esclarecendo uma dúvida da juíza.

"Ainda hoje quando vou a Portugal vou desconfiado, a olhar para o lado, na rua. Sinto que em Portugal não estou em segurança. Ainda há adeptos maldosos contra nós. Não me sinto seguro, passado um ano e meio. Apresentei queixa na polícia porque tive muitas ameaças depois disto. Sei que havia mais polícia perto de casa. Passei a ter mais cuidado com as horas a que vinha, não entrava na garagem. Tive de tomar medidas. Eu e a minha família. Tinha de sair. Era impossível continuar em Portugal. Se ainda hoje mexe comigo, mesmo estando em Inglaterra... Há momentos em que ainda vivo aquilo. Tento ultrapassar. Mas há noites em que ainda vivo aquilo."

17h20: Miguel Fonseca faz várias perguntas sobre como Rui Patrícios interpretava o comportamento da claque durante os jogos, mas também sobre o local do relvado em que se encontrava o guarda-redes no jogo contra o Benfica em que foram arremessadas as tochas, em Alvalade. "Fugi das tochas em passo normal, acho eu", responde Patrício. O advogado insiste: "Estava a rir, a chorar, em pânico?" Resposta de Patrício: "Fiquei fodido. Nas imagens da televisão depois percebi que era mais grave doq ue tinha achado no momento". A juíza corrige, diplomaticamente: "Ficou chateado".

17h05: "O que acontece no balneário morre no balneário". A frase é do advogado Miguel Fonseca, durante as perguntas a Rui Patrício.

17h01: O testemunho de Rui Patrício já dura há duas horas.

16h55: Miguel Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, pergunta se o então presidente do clube alterou a voz com o guarda-redes na reunião de 7 de abril. "Disse-nos que eu e o William estávamos por detrás daquilo tudo", responde. Rui Patrício diz que se dirigiu a Bruno de Carvalho por "você" nessa reunião e ele não gostou.

16h45: A magistrada fala no jogo seguinte ao de Madrid, contra o Paços de Ferreira, questionando se havia animosidade das claques contra os jogadores. "O público estava connosco. Até depois da derrota na Madeira, contra o Marítimo", respondeu Patrício.

"Sempre senti o apoio da Juventude Leonina nos jogos. Tinha uma relação normal com eles", diz Patrício, depois de questionado se tinha oferecido uma camisola à claque, um mês antes dos acontecimentos, no aniversário da Juve Leo. O guarda-redes disse que não se lembrava dessa oferta.

16h23: A juíz Sílvia Pires fala das imagens das tochas a serem lançadas contra Rui Patrício, no Sporting-Benfica. "Fui para a frente para não ser atingido pelas tochas. Fiquei f... chateado. Não fiz a leitura de que tivessem sido dirigidas pessoalmente a mim. Já houve jogos com tochas atiradas para o campo. Acontece em alguns jogos."

16h20: "Sentimos que o presidente estava a tentar colocar os adeptos contra nós, jogadores. Senti que se houvesse um resultado menos bom os adeptos iriam voltar-se contra nós. Ainda mais", recorda Rui Patrício.

16h05: "Bruno de Carvalho contactou-me por mensagens nessa altura. Nunca respondi. Tinha cortado a minha relação com ele", confessa Rui Patrício. Ainda sobre a última reunião, a 14 de maio de 2018: "Bruno de Carvalho disse naquela reunião que se precisasse de bater em alguém não precisava de ninguém."

15h56: "Bruno de Carvalho disse que ia lá um dia daquela semana à Academia. Não estava nenhum treino marcado para o dia seguinte. O presidente disse que íamos treinar no dia seguinte à Academia, durante a reunião. Mais tarde, recebemos a comunicação da hora do treino, pelo Vasco Fernandes".

15h51: No dia seguinte, Rui Patrício esteve noutra reunião com Bruno de Carvalho. "Estava o Geraldes e mais dois ou três elementos da direção. Além dos jogadores. Foi uma reunião muito estranha desde o início. Completamente diferente das outras. Tanto no conteúdo como da forma de falar de Bruno de Carvalho. Disse que se precisássemos de alguma coisa ele estaria com eles. Que eram uma família. 'Aconteça o que acontecer, vocês vão estar preparados para jogar na final da Taça?', perguntou. A minha perceção é que ele ia despedir o mister. Disse depois ao Acuna que ele tinha criado uma situação complicada com o Fernando Mendes, que lhe tinha ligado durante a noite toda.” Rui Patrício acrescenta que, na altura, Acuna disponibilizou-se para falar com Fernando Mendes.

15h42: "Após o jogo da Madeira, vários adeptos insultaram-nos no estádio. No aeroporto, reparei que o Fernando Mendes estava a falar com não sei quem. Havia uma pequena confusão. Vi o Nélson a separar e a tentar acalmar o Fernando Mendes", conta Rui Patrício.

A polémica no Facebook depois do jogo contra o Atlético de Madrid

15h35: "Ainda não tinha havido até aí uma reação hostil dos adeptos. O William disse que o Mustafá lhe tinha dito que o presidente tinha mandado partir os carros aos jogadores. Bruno de Carvalho negou", conta. "Bruno de Carvalho pôs o telefone em voz alta e perguntou ao Mustafá se ele tinha mandado agredir alguém. O Musta disse que não".

15h33: “Houve duas reuniões a seguir ao jogo contra o Atlético de Madrid. Houve um post do antigo presidente a criticar jogadores e equipa. Por causa disso pedimos uma reunião para o dia seguinte com ele. O Geraldes disse que ia comunicar isso com o presidente. Quando chegámos a Lisboa, foi-nos dito que o presidente não ia fazer a reunião e que ela ficava para domingo depois do jogo. Ficámos boquiabertos. A reunião para nós era muito importante. Decidimos também publicar o post. Fomos suspensos depois do post. A reunião passou para sábado à tarde em Alvalade. Estavam jogadores, Geraldes e o presidente. Foi uma reunião num ambiente muito mau. Ele disse que era o presidente e fazia o que quisesse. Acusou-nos de querer ir embora do clube. Acabou a reunião e não se tirou nada dali.”

O ataque à Academia

15h25: "Aconteceu no máximo uma vez por época, as visitas de adeptos à Academia. E quando foram não o fizeram de surpresa", diz.

15h22: "Vi adeptos de rosto descoberto, lá fora. Conhecia de vista o Fernando Mendes, da claque. Não falei com ele. Estava acompanhado mas não me lembro com quem. Vi o William a falar com ele mas não me aproximei. Vi Bruno de Carvalho depois do ataque. Ele apareceu na Academia. O André Geraldes acho que não. Bruno de Carvalho não falou comigo. Não o vi a falar com outros jogadores", relata.

15h21: O jogador não viu ninguém com um cinto na mão. Os alvos daquelas pessoas eram o William e o próprio Rui Patrício, reconhece. "No final, estávamos com medo que eles pudessem voltar", acrescenta.

15h18: Rui Patrício recorda-se de ouvir o alarme de incêndio mas só no final do ataque. Antes de sair, um deles atirou um bidão de água. Não sabe se acertou em alguém. "Vi o Bas Dost com pontos na cabeça, vi o mister Jorge Jesus, que vinha a sangrar do nariz e da boca", conta.

15h12: "Foi um momento de muita tensão. O William foi agredido com socos no peito. O Salin também me veio defender. Não conseguia perceber o que se estava a passar no resto do balneário. Percebi que havia muita confusão mas dos outros não dava para perceber quem foi agredido. Havia confusão, fumo, gritos. Lançaram as tochas quando entraram. Vi o fumo e aquilo a arder. Ouvi muitos gritos. Tentávamos acalmá-los mas eles estavam muito agressivos. Não me recordo o que diziam. Era momento de muita tensão. O meu pensamento era que não nos matassem. Chamaram-nos filhos da puta. Não se vinham para matar, mas quando entraram..."

15h07: "Entraram agressivos. Uma das pessoas que estava no balneário levou logo um pontapé. Os primeiros vão diretos ao William Carvalho. Eu tentei separá-los. Juntaram-se mais uns quatro à nossa frente. A tentar tirar-me a camisola. Um que agrediu o William agarra-me o braço, tenta torcê-lo. 'Queres ir embora? Parto-te a boca toda', disse-me ele", recorda.

15h05: "Vinham de cara tapada para o balneário. Entraram uns atrás dos outros. Quando começaram a entrar começaram logo a agredir toda a gente", recorda o guarda-redes, que acrescenta que Vasco Fernandes, secretário técnico da equipa, tentou fechar a porta mas não conseguiu, dada a intervenção dos adeptos.

15h04: Patrício diz que o plantel estava quase todo no balneário, ou seja, cerca de 20 atletas, mas sem certezas.

15h02: Rui Patrício diz que se encontrava no balneário quando ouviu o barulho dos adeptos. Apercebeu-se de gritos e viu os adeptos a entrar pelo balnéario.

15h00: O guarda-redes apresenta-se formalmente à juíza Sílvia Pires. Rui Patrício diz não conhecer qualquer dos arguidos, exceto Bruno de Carvalho. O ex-presidente do Sporting não se encontra presente na sala de audiências.

14h59: O Tribunal já está a efetuar a ligação por Skype com Rui Patrício, que se encontra em Inglaterra.

Esta segunda-feira, durante a parte da tarde, Rui Patrício é ouvido pela juíza Sílvia Pires, que preside ao julgamento da invasão da Academia Alcochete. O guarda-redes internacional não estará presente no local mas falará através de Skype.

O atual jogador do Wolverhampton, clube inglês, era um dos mais contestados pela claque Juventude Leonina. Chegou a ser alvo de tochas num jogo contra o Benfica, em Alvalade.

Acompanhe o julgamento ao minuto, a partir das 15h, na Tribuna Expresso.