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Agora é a vez de Jorge Jesus contar tudo sobre o ataque de Alcochete

O treinador do Flamengo vai ser ouvido no Tribunal de Monsanto, por videoconferência, esta terça-feira, às 14h30. Irá recontar o que viu durante a invasão da Academia leonina, por adeptos da Juventude Leonina. Recorde o que Jesus disse à GNR há um ano e meio, logo após o ataque

Hugo Franco

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Na noite de 15 de maio de 2018, na ressaca do ataque de adeptos da Juventude Leonina à Academia do Sporting, Jorge Jesus testemunhou no posto territorial da GNR do Montijo, tal como aconteceu com a restante equipa. Agora, um ano e meio depois, vai falar no Tribunal de Monsanto por videoconferência. Um dia depois do guarda-redes Rui Patrício, que recordou o ataque que, segundo confessou, ainda o deixa receoso sempre que volta a Portugal.

A 15 de maio de 2018, Jorge Jesus contou à GNR do Montijo que foi agredido por duas vezes durante a invasão. Minutos antes, ouviu dos adeptos de cara tapada que passavam por ele no campo de treino enquanto procuravam os balneários: “Está ali o mister, não é a ele que a gente quer. Onde estão os jogadores?”

Ao aperceber-se de que algo de errado se passava, e prevendo que os adeptos fossem bater nos jogadores, Jesus correu atrás deles. Mas não chegou a entrar no balneário, já que nessa altura uma parte do grupo saía do interior das cabines. Foi nesse momento, e sem que nada o fizesse prever, que um indivíduo que se encontrava de rosto tapado lhe acertou na cara com um cinto verde. Depois, o treinador correu atrás do agressor, tendo ambos caído no chão. Jesus foi então pontapeado por outro adepto “que não consegue identificar”.

Pouco depois, reparou que entre os adeptos se encontrava Fernando Mendes, o ex-líder da claque sportinguista, que já conhecia. Era um dos poucos elementos da Juventude Leonina que não tinha o rosto escondido com um passa-montanhas. “Fernando, ajuda, estes gajos estão a bater nos jogadores, ajuda-me”, implorou-lhe Jorge Jesus. Este, e de acordo com o testemunho do atual treinador do Flamengo, respondeu-lhe: “A gente não veio aqui para bater, foi só para falar.” Apesar daquelas palavras, Fernando Mendes não terá esboçado qualquer ação para impedir os restantes adeptos de agredirem atletas e equipa técnica.

Jesus não viu qualquer tipo de armas, não assistiu às agressões no balneário, mas viu tochas, bem como cintos e bastões. E de todo o grupo de invasores, só reconheceu Fernando Mendes.