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André Pinto: “Disseram que nos matavam se não ganhássemos o próximo jogo”

O antigo jogador do Sporting revelou que os invasores da Academia exigiram que os jogadores suassem a camisola e ganhassem a Taça de Portugal

tribuna expresso e lusa

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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O defesa André Pinto, antigo jogador do Sporting, disse hoje em tribunal que os invasores da academia do clube, em maio de 2018, ameaçaram os futebolistas de morte, caso não vencessem a final da Taça de Portugal.

"Disseram que nos matavam se não ganhássemos o próximo jogo [final da Taça de Portugal]", afirmou o jogador, ouvido via Skype, durante a 18.ª sessão do julgamento da invasão à academia 'leonina', em 15 de maio de 2018, em Alcochete, cinco dias antes de os 'leões' perderem no Jamor por 2-1 frente ao Desportivo das Aves.

André Pinto, que alinha no Al Fateh, da Arábia Saudita, explicou que estava no ginásio quando se apercebeu da invasão, dirigindo-se de imediato ao balneário, onde ficou perto do croata Misic, o único jogador que viu a ser agredido, com um cinto. "A única agressão que presenciei foi ao Misic, na face. Ele não falou, não gesticulou, nada. Parece-me que houve elementos que não sendo o alvo número um levaram por tabela", referiu.

Segundo o defesa, os invasores "iam à procura do Acuña e do Battaglia e usavam expressões como: 'não merecem a camisola que vestem'".

André Pinto confirmou a reunião que, na véspera da invasão, juntou no estádio José de Alvalade, o plantel, o então presidente, Bruno de Carvalho, outros elementos da direção, e o 'team manager', André Geraldes. "O presidente falou mais para o Acuña e para o Battaglia e disse que tinha o chefe da claque a ligar para saber onde eram as casas deles", afirmou, acrescentando que "houve também algum confronto com Rui Patrício e William Carvalho".

André Pinto, que saiu do Sporting em agosto do ano passado, admitiu que nos dias seguintes à invasão teve "receio e não andava tão exposto como antes".

O julgamento prossegue à tarde com a audição de Mário Monteiro, adjunto de Jorge Jesus, que depois do Sporting seguiu com o técnico português para ao Al-Hilal e o Flamengo.

O processo tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, à data presidente do clube, 'Mustafá', líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e 'Mustafá' também por um crime de tráfico de estupefacientes.