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Aquela fração de segundo que faltava

Este Sporting parece ser sempre um bocadinho mais lento e menos intenso que as equipas que lutam pelo título e talvez seja por isso que está a 19 pontos da frente. Frente ao Marítimo, teve bola, atacou, pressionou, mas quase sempre de forma inócua. Até que finalmente conseguiu bater a barreira, fazer tudo no tempo certo, ganhar essa fração de segundo que lhe escapava. E essa única jogada bastou para entrar na 2.ª volta a vencer (1-0)

Lídia Paralta Gomes

Gualter Fatia/Getty

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Há 19 pontos a separar o Sporting da frente do campeonato porque entre o Sporting e as equipas que andam pelo topo há diferenças. Se formos pela visão macro da coisa, a análise não é difícil: há menos soluções, menos qualidade no plantel. Depois há aquilo que se passa dentro de campo. E a sensação que este Sporting deixa é que joga sempre uma fração de segundo mais lento que os outros candidatos. Não é uma equipa absolutamente desprovida de ideias, elas apenas parecem estar invariavelmente emperradas num passe que sai demasiado tarde, demasiado longo ou demasiado largo. Numa intensidade de lombas, que esta equipa do Sporting parece ser quase sempre uma equipa de fogachos individuais, de jogadores que aparecem e desaparecem a semelhante velocidade, de jogadores que verdadeiramente nunca conseguiram construir aquele clima das equipas que conseguem trocar a bola de olhos fechados.

É como se fosse uma corrida constantemente interrompida e ainda por cima com Bruno Fernandes em sub-forma, ou pelo menos sub-forma à escala de Bruno Fernandes, que é o que acontece quando Bruno Fernandes não é excecional e é apenas bom e quando Bruno Fernandes é apenas bom o Sporting muito poucas vezes consegue ultrapassar aquela tal fração de segundo, que pode ser a diferença entre ficar em frente ao guarda-redes ou a jogada perder-se em terra de ninguém - e não é isso também o que separa as grandes equipas das equipas apenas boas?

Foi quase sempre este o Sporting que tivemos na noite de segunda-feira em Alvalade frente ao Marítimo. O Sporting jogou melhor, teve mais bola, atacou muito mais, mas faltou quase sempre ser uma fração de segundo mais rápido, mais lesto a decidir. Quando essa fração de segundo foi ultrapassada, quando tudo fluiu, quando as decisões foram as melhores decisões, os leões marcaram, o único golo de uma vitória que é justa e que talvez pudesse ter sido bem mais descansada se o Sporting fosse, por estes dias, uma equipa com mais química.

Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images

Estávamos já no minuto 76 e estavam já em campo Gonzalo Plata e Jovane Cabral, regressado após longa ausência por lesão. O equatoriano combinou com o Jovane e o extremo, de cabeça levantada e com a rapidez de raciocínio que até aí faltava, cruzou tenso, à procura de Sporar. O esloveno chegou tarde, mas ao segundo poste já vinha Borja, que mesmo de ângulo apertado conseguiu abrir o marcador.

E foi assim, numa jogada simples, rápida e em poucos toques que o Sporting chegou ao golo, um golo que vinha procurando desde o início do jogo, com os leões a dominarem a primeira meia-hora. Com a lesão de Luiz Phellype, Sporar foi chamado à estreia bem cedo e logo aos 17’ disse ao que vinha, com um remate repentista após ser bem desmarcado por Bruno Fernandes. Defendeu Amir e no canto Coates marcou num remate acrobático - o uruguaio estava, no entanto, adiantado.

Sem conseguir transformar o domínio em perigo, o Sporting viu o Marítimo crescer nos últimos 15 minutos da 1.ª parte, após um arranque em que a equipa do Funchal nunca conseguiu sair da pressão da equipa da casa. Rodrigo Pinho esteve perto do golo aos 37’, mas valeu a atenção de Max.

Na 2.ª parte, o Sporting teve mais um golo anulado, aos 53’ e com a entrada de Plata e Jovane para a última meia-hora ganhou outro fôlego que claramente Jesé não traz à equipa. O equatoriano ia marcando aos 66’, numa jogada em que Bruno Fernandes isolou o extremo, com Amir a roubar-lhe a bola com uma defesa afoita com as pernas. Aos 70’, Bruno Fernandes atirou à barra num remate seco de longe e seria então já dentro dos últimos 15 minutos que os leões marcaríam um golo que, a bem da verdade, já faziam por merecer.

Depois das derrotas frente ao Benfica e ao Sp. Braga, o Sporting está de volta às vitórias e se neste momento já está tudo praticamente perdido, talvez valha a pena ganhar outras soluções. Que é como quem diz: Plata, Camacho e Jovane talvez precisem de jogar mais, porque foram eles que bateram a tal barreira da fração de segundo.