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“Bruno de Carvalho estava triste e perguntou-me: ‘Também achas que encomendei isto?’. Eu disse-lhe que isto era uma vergonha”

No julgamento do caso de Alcochete o coletivo, presidido pela juíza Sílvia Pires, ouviu esta quarta-feira o enfermeiro Carlos Mota, funcionário do clube entre 2011 e 2018, que suturou o jogador holandês Bas Dost, atingido na cabeça durante a invasão, ocorrida em 15 de maio de 2018

Lusa e Tribuna Expresso

TIAGO MIRANDA

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Durante a manhã desta quarta-feira, no julgamento do caso de Alcochete o coletivo, presidido pela juíza Sílvia Pires, ouviu, além do futebolista italiano Piccini, o enfermeiro Carlos Mota, funcionário do clube entre 2011 e 2018, que suturou o jogador holandês Bas Dost, atingido na cabeça durante a invasão, ocorrida em 15 de maio de 2018.

Carlos Mota, que se constituiu assistente no processo, referiu que “nos dias seguintes ao ataque, Bas Dost estava muito revoltado com a situação, com medo de que as agressões se pudessem repeti, inclusive tinha segurança privada à porta, paga por ele”.

Já no exterior do tribunal, Carlos Mota disse ter falado com o presidente Bruno de Carvalho, quando este chegou à academia, horas depois do ataque.

“Ele estava com o semblante triste, naturalmente, e eu disse-lhe que era uma vergonha aquilo que tinha acontecido e ele ficou muito zangado comigo e disse: ‘Também tu, Mota, achas que fui eu que encomendei isto?’ Ao que eu lhe respondi: ‘Eu não acho nada, só acho que isto é uma vergonha para o Sporting’”.

Carlos Mota disse recordar o dia do ataque com “muita tristeza” e explicou porquê: “Porque sou sportinguista desde de que nasci, os meus filhos e netos são sportinguistas, e é muito triste que alguém se tenha aproveitado, ou se aproveite, destas situações para denegrir e continuar a dar cabo do Sporting”.

Quando questionado sobre quem se teria aproveitado da situação, o enfermeiro descartou a hipótese de essa figura ser Bruno de Carvalho, o antigo presidente, também arguido no processo.

“Não, Bruno de Carvalho não tinha nada que se aproveitar, ele era presidente na altura, bem ou mal, era o presidente. Quem poderia ganhar, foi quem ganhou”, frisou.

O processo, que está a ser julgado no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo