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Invasão a Alcochete: Bruno de Carvalho ilibado pelo Ministério Público

Nas alegações finais, o MP diz que não se prova que o ex-presidente do Sporting seja o autor moral do ataque à Academia. Quanto à expressão ‘quem está comigo?’, proferida numa reunião com a claque Juve Leo, o MP assegura que não pode ser feita ligação com as agressões aos jogadores. Ainda sobre a hora do treino mudada para o dia 15 de maio, o MP diz que não se prova que tenha sido feita por Bruno de Carvalho. Mustafá, o líder da Juve Leo, também foi ilibado. Por outro lado, os 37 arguidos que entraram em Alcochete devem ser acusados de crime de introdução em lugar vedado ao público: 17 deles por ofensa de integridade física; 25 por crimes de ameaça agravada. Ficam de fora os crimes de sequestro e também de terrorismo

Hugo Franco e Pedro Candeias

Bruno de Carvalho, a ser revistado à entrada do Tribunal de Monsanto.

MÁRIO CRUZ/Lusa

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12h31: Nuno ‘Mustafá’ Mendes não esconde a alegria olhando para trás na zona onde se encontra o público e jornalistas. Aos 37 arguidos do caso, o Ministério Público (MP) sugere uma pena única que não exceda os cinco anos de prisão. Já para os 24 arguidos sem antecedentes criminais, o MP entende que as penas devem ser suspensas. Quanto aos três arguidos Bruno de Carvalho, Bruno Jacinto e Nuno 'Mustafá' Mendes, a procuradora entende que devem ser absolvidos da autoria moral da invasão de Alcochete.

12h25: Não se provou que os 41 arguidos pretendessem intimidar outras pessoas além dos jogadores e equipa técnica do Sporting. Não são crimes passíveis de se classificar como terrorismo, enfatiza o Ministério Público.

12h16: Por outro lado, os 41 arguidos que entraram em Alcochete devem ser acusados de crime de introdução em lugar vedado ao público: 17 deles por ofensa de integridade física; 25 por crimes de ameaça agravada. Ficam de fora os crimes de sequestro.

12h04: Quanto a Bruno de Carvalho, foi realçada as críticas no Facebook aos jogadores do Sporting depois do jogo contra o Atlético de Madrid. E das reuniões que teve com jogadores antes de 15 de maio, não se provou que o post no Facebook tivessem a intenção de causar violência aos jogadores. Sobre a expressão ‘façam o que quiserem’ por si proferida, algumas testemunhas referiram que se tratava apenas da exibição das tarjas da Juventude Leonina, e que nunca foi equacionada ações contra os jogadores do Sporting. Segundo o MP, não há relação causa efeito entre essa frase e o que se veio a passar em Alcochete. Essa expressão foi usada mais de um mês antes das agressões em Alcochete. Sobre as reuniões na véspera do ataque de Alcochete entre Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, nomeadamente sobre a alteração da hora do treino, foi uma questão considerada irrelevante para o tribunal. Quanto à expressão ‘quem está comigo?’, proferida pelo então presidente do Sporting antes da invasão também não pode ser feita qualquer ligação com as agressões posteriores aos jogadores do clube. Bruno de Carvalho referia-se apenas à demissão da equipa técnica. Não se provou que Bruno de Carvalho tenha estado por detrás do que aconteceu em Alcochete: está é a conclusão do MP. E não se provou por isso que tenha sido autor moral do ataque realizado pelos 41 arguidos. Ainda sobre a hora do treino mudada para o dia 15 de maio, o MP diz que não há prova que tenha sido feita por Bruno de Carvalho.

11h47: Se o grupo de Fernando Mendes quisesse de facto falar com Jorge Jesus teria entrado na dianteira e não na retaguarda de um grupo de cara tapada, diz o MP. Sobre a autoria moral, Bruno Jacinto, oficial de ligação do clube com os adeptos, não é possível provar que apoiou e encobriu a entrada do grupo que entrou de cara descoberta na Academia. Intercedeu para a entrada do carro de Nuno Torres na Academia, já depois do ataque, mas não se pode provar que tenha planeado a fuga dos restantes arguidos no BMW azul de Nuno Torres. Bruno Jacinto referiu que tentou contactar telefonicamente André Geraldes, team manager do clube, nesse dia 15 de maio sobre a ida de elementos da claque para a Academia. Mas que só pensava que a ida à Academia do Sporting servia apenas para falarem com os jogadores e não agredi-los. Quanto à chamada telefónica para Geraldes não foi provada pelo MP.

Não se provou que Bruno Jacinto tivesse combinado com os arguidos Tiago Silva e Fernando Mendes as agressões aos jogadores. Não se fez prova que tenha combinado com os 41 arguidos os atos de violência contra atletas e equipa técnica do Sporting. Ainda assim, o MP defende que Jacinto tinha conhecimento da ida dos adeptos à Academia.

Quanto a Nuno 'Mustafá' Mendes, fazia parte do grupo de WhatsApp 'Exército Invencível'. Mas não fez qualquer intervenção nele naquele período entre o jogo do Sporting na Madeira e a ida à Academia. Nenhum dos subscritores destas menagens referiram em tribunal que avisaram 'Mustafá' da ida à Academia, ou que ele tivesse conhecimento prévio dela. Não se fez a prova de que Nuno 'Mustafá' Mendes tenha participado nesse planeamento, existindo por isso uma dúvida razoável a favor deste arguido.

11h27:: Nove arguidos não entraram no edifício da ala profissional de futebol de Alcochete. Alguns para não serem associados aos factos que viriam a acontecer, diz o MP. Fernando Mendes, Nuno torres, entre outros, caminharam em passo inalterado no momento da saída dos indivíduos de cara tapada da ala profissional. Jorge Jesus pediu ajuda a Fernando Mendes, tendo este respondido que não podia fazer nada. Estes nove entraram, de rosto descoberto, na retaguarda dos restantes para dizer que nada tinham a ver com o que aconteceu. Seguiram o seu caminho imperturbáveis com o que estava a acontecer na Academia.

11h13: A procuradora lê as centenas de mensagens trocadas entre os arguidos através dos grupos de WhatsApp, que antecederam a invasão. Os grupos de WhatsApp são o 'Academia Amanhã', 'Piranhas on Tour' e 'Exército Invencível'. “Todos estes arguidos tinham conhecimento da ida à Academia”, diz a procuradora. Rúben Marques foi o único que reconheceu em tribunal que a ida à Academia tinha como propósito bater nos jogadores. Este arguido não seria o único a saber desses objetivos, acrescenta o MP. Os arguidos não faziam segredo do objetivo da ida à Academia, lembra o MP. O objetivo era agredir os jogadores e treinadores, mas não de forma que os fosse impedir de jogar noutras competições como a final da Taça de Portugal, que se realizaria nesse domingo. Queriam intimidar por palavras e atos, fazendo os atletas recear pela sua integridade física. Destes 37 arguidos de cara tapada, 28 entraram no edifício da ala profissional.

11h03: Os arguidos não impediram a saída dos atletas dos balneários, diz a procuradora. Ficando de fora o crime de sequestro que se encontra na acusação do MP da autoria da procuradora Cândida Vilar.

10h48: Prosseguem as descrições da invasão: Miguel Quaresma foi empurrado; Bas Dost agredido na cabeça com uma fivela de cinto, que fez seis pontos, e levou pontapés; William de Carvalho foi manietado nos braços; Rui Patrício levou socos no peito; Acuna foi alvo de bofetadas e pontapés em várias zonas do corpo; Bataglia foi alvo de socos na cara, levou com um garrafão de água no peito. Foi posteriormente encontrado um cinto sem fivela nas imediações da Academia, que pertencia ao arguido Rúben Marques. Foi o jogador Rafael Leão que identificou Rúben Marques, apesar deste ter a cara tapada. Tinham sido colegas de escola. Bruno César foi também atingido; Rúben Ribeiro foi atingido com uma bofetada; Jorge Jesus foi atingido no ombro e na cara por um golpe de cinto desferido por Rúben Marques. No balneário os arguidos chamaram os jogadores de ‘filhos da puta’ e gritaram ‘vamo-vos matar’, ‘não são jogadores para o Sporting e ‘o Sporting somos nós’.

10h38: O arguido Rúben Marques brandiu um cinto na direção do diretor de segurança da academia Ricardo Gonçalves. Foi o mesmo que bateu posteriormente com um cinto na cabeça do jogador Bas Dost; Jorge Jesus foi agredido no interior do edifício da ala profissional de futebol; 28 arguidos entraram na ala profissional da Academia. Não se provou, no entanto, quantos arguidos entraram nos vestiários. Terá sido quase a totalidade dos 28 que entraram na ala profissional. Foram deflagradas 4 tochas no balneário do Sporting.

10h26: Continua a descrição do MP do ataque a Alcochete: os 37 dos 41 arguidos foram a correr para a zona dos campos de treino, onde se encontrava a equipa técnica liderada por Jorge Jesus; os arguidos lançaram tochas para o campo de treinos. Pelo menos cinco deles fizeram. Duas foram mandadas para uma zona de mato, outra para baixo do Porsche de Nélson Pereira, outra para a varanda do edício.

10h21: Alguns arguidos foram identificados como tendo estado na Academia devido à triangulação das antenas dos respetivos telemóveis. O MP faz uma distinção entre os 41 arguidos que entraram na Academia por volta das 17h. Alguns estavam de cara tapada e outros de rosto descoberto. Nenhum se identificou na entrada ou pediu para entrar na portaria. MP não tem dúvidas de que a entrada não foi autorizada pelo clube.

10h16: Entretanto, o arguido Nuno Torres, que ficou conhecido como o homem que conduziu o BMW azul que entrou na Academia para dar boleia a uns quantos elementos da Juve Leo, chega à audiência com meia hora de atraso.

10h09: Cada um dos 41 arguidos que entraram na Academia correspondem a um número, indicados pelo MP pela ordem que entraram nas instalações do Sporting. Revela-se, agora, que alguns arguidos que entraram de cara tapada foram detetados nas imagens depois de serem encontradas as peças de roupa usadas naquele dia em buscas posteriores aos seus apartamentos. Os fotogramas das imagens de CCTV da Academia foram decisivos para identificar grande parte destes arguidos.

10h05: A procuradora do MP Fernanda Matias inicia as alegações finais. Fala sobre as primeiras detenções a 15 de maio de 2018, depois da invasão da Academia de Alcochete.

09h52: A parte da manhã está agendada para a procuradora do Ministério Público, Fernanda Matias. Há dois arguidos que não estão presentes: Fernando Mendes e Nuno Torres.

09h42: Chegam ao Tribunal de Monsanto Mustafá, líder da claque Juventude Leonina, e Bruno de Carvalho, antigo presidente do Sporting Clube de Portugal. Ambos estão acusados de vários crimes pelo Ministério Público no âmbito do caso da invasão a Alcochete.

09h30: O julgamento do caso da invasão da Academia de Alcochete no Tribunal de Monsanto caminha para o fim. Esta quarta-feira começam as alegações finais, fase em que Ministério Público e advogados dos 44 arguidos mostram à presidente do coletivo de juízes juíza Sílvia Pires os derradeiros argumentos. A juíza avisou na última sessão que todos os arguidos terão de estar presentes nas alegações finais, ao contrário do que aconteceu na grande parte do julgamento em que muitos dos suspeitos tiveram autorização para ficar em casa. As sessões no Tribunal de Monsanto decorrem desde novembro do ano passado.