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Alcochete. Como a acusação a Bruno de Carvalho se esfumou em 114 dias

Falta de provas diretas contra o ex-dirigente tramou tese do MP. Caso passou por duas magistradas com estilos opostos

Hugo Franco e Rui Gustavo

Bruno de Carvalho foi ‘ilibado’ pelo Ministério Público nas alegações finais do caso de Alcochete

MÁRIO CRUZ/LUSA

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Há apenas quatro meses, Bruno de Carvalho entrava no Tribunal de Monsanto acusado pela procuradora Cândida Vilar de ser o homem que tinha orquestrado a invasão da Academia de Alcochete a 15 de julho de 2018. Sobre o ex-presidente do Sporting recaíam quase cem crimes, entre eles de ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada e sequestro, todos eles classificados como terrorismo. Mas esta quarta-feira, uma outra procuradora, Fernanda Matias, reconhecia que afinal o Ministério Público não tinha encontrado durante o julgamento provas da culpa de Bruno de Carvalho, concluindo que o ex-dirigente deveria ser absolvido dos crimes de que tinha sido acusado. Os outros dois arguidos também acusados de serem os cérebros do ataque, Bruno Jacinto (antigo oficial de ligação do clube com os adeptos) e Nuno “Mustafá” Mendes (líder da claque Juventude Leonina) foram igualmente ‘ilibados’ pelo MP.

Fontes do processo ouvidas pelo Expresso são unânimes em considerar que as frases proferidas por Bruno de Carvalho — “façam o que quiserem”, para membros da claque do Sporting na sede da Juventude Leonina, e “aconteça o que acontecer, vocês estão comigo?”, proferida a elementos do seu staff no dia anterior ao ataque — nunca poderiam funcionar por si só como um elemento de prova. “Desde o início do caso que o MP não tinha qualquer prova direta que ligasse Bruno de Carvalho ao ataque”, critica uma fonte judicial. O MP estaria a contar que, durante o julgamento, surgissem testemunhas ou que fosse algum dos outros 43 arguidos a comprometer o então homem-forte do Sporting. E que, desse modo, se validassem as suspeitas iniciais.

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