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Zenha: "As pessoas falam do caso Amorim, mas uma coisa é certa: estamos a passar por uma situação nunca antes vista. Queremos sair vivos"

Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting para a área financeira, justificou, em declarações à SportTV, o alegado atraso do clube no pagamento da cláusula de Rúben Amorim e elogiou a forma como os jogadores reagiram aos cortes nos salários

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TIAGO MIRANDA

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O negócio Rúben Amorim

"As pessoas falam do caso Amorim, mas uma coisa é certa: estamos a passar por uma situação nunca antes vista. É absolutamente ridículo falarmos de atrasos no pagamento a fornecedores no contexto atual. Ou não se percebe, ou não se sabe gerir uma empresa em condições. O Sporting está a tentar criar uma almofada e condições para ultrapassar este momento, adotando medidas difíceis, para mitigar ao máximo o impacto desta crise. Queremos sair daqui vivos e retomar a atividade dentro da normalidade possível".

Sporting desmente Braga

"Não vou entrar em detalhes de contratos, são confidenciais. Se o Sporting de Braga o faz, não estou de acordo. O Sporting não falhou nenhum pagamento antes da declaração do Estado de Emergência. O Sporting cumpriu com as suas responsabilidades antes da crise e, depois, teve de alterar a sua postura. Aliás, está previsto na lei que os contratos podem sofrer alterações, por circunstâncias fundamentadas. E não
há uma alteração mais anormal do que aquela que estamos a viver hoje.

Em transferências nunca se fala em IVA. Não me lembro de ver o IVA nas compras do Rafa [Benfica] ou do Loum [FC Porto]... Isso é simplesmente sensacionalista. Temos 10 milhões de euros para pagar ao Sporting de Braga, num determinado plano de pagamentos. O Sporting vai cumprir com as suas responsabilidades".

A pandemia

"Isto não é só os meses da pandemia , é a seguir. Alguém acredita que o Sporting ou outro clube está a vender bilhetes de época em junho ou julho, como se o contexto não fosse diferente? Vou ter os estádios abertos em agosto e em setembro? Tenho essa garantia? Acho altamente improvável que as coisas estejam normais nesses meses. Não é só uma gestão preocupada com o dia de hoje ou de amanhã, é também a preparar o que vem a seguir".

Falta de pagamentos

"Tenho clientes que me estão a falhar pagamentos. Uns há meses, outros desde a pandemia e outros que já me disseram que querem alterar as condições assinadas. O que acontece é que determinados clubes esquecem-se do contexto e tentam jogar com os media para criar pressão. Se o Sporting de Braga o tenta? Não faço ideia. Se o está a fazer, fá-lo mal, porque o contexto é claro para todos".

Os cortes nos salários dos jogadores

"Todos receberam a notícia bastante bem. A decisão foi comum, unânime, e assinámos um acordo com todos. Falo sobretudo dos jogadores cujo passe é detido pelo Sporting, nos outros casos é diferente. Até fiquei sensibilizado pela forma como reagiram e se esforçaram por perceber que a decisão era difícil. Fomos o primeiro dos grandes a tomar esta medida e diria até o primeiro clube em Portugal a fazê-lo com este peso e importância. Deixo uma palavra especial aos capitães Coates, Mathieu e Battaglia. Tiveram um grande peso e sem eles não seria possível".

O lay-off dos trabalhadores

"Sei que foi dificílimo para eles, alguns com salários baixos. Tivemos colaboradores e diretores que mesmo não tendo sido afetados pelo lay-off, quiseram também ser solidários e aceitaram reduções nos salários. Foi dos momentos mais difíceis, mas ao mesmo tempo mais bonitos que vi".

“Anterior direção foi prejudicial, teve de ser arrancada a ferros e não tinha responsabilidade para gerir uma empresa como o Sporting”

Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting para a área financeira, sublinha que depois do ataque de Alcochete a anterior direção não tinha condições para fazer regressar jogadores ou emitir o empréstimo obrigacionista. Defende ainda a postura da direção de Frederico Varandas face às claques e que os rostos das manifestações são "os mesmos de sempre", ainda que reconheça que a insatisfação está a crescer entre os adeptos mais moderados. <em>Este artigo é uma das partes da versão integral da entrevista publicada no Expresso a 15 de fevereiro</em>