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Varandas: "Hoje, o Sporting está financeiramente muito melhor do que em 2018"

Em entrevista ao canal 11, o presidente do Sporting mostrou-se preocupado com os custos de um final de época à porta fechada, falou das mudanças na academia, da aposta na formação para o plantel principal e esclareceu a contratação de Wang ("Vem numa parceria com o Wolves. Não fomos iludidos"). Falou ainda da necessidade de "adaptação" nas modalidades e defendeu a redução da I Liga a 16 clubes

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ANDRE KOSTERS

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Título é possível em 2020/21?

"Sem mentir aos sócios, o nosso objetivo é estar na Champions. Ponto final. O Sporting vai lutar pelo título, mas vou dizer que o Sporting vai ser campeão? Não vou dizer isso. Até 2022, o objetivo é estar na Champions League"

Plantel para 2020/21

"Queremos 24 jogadores, sendo que metade será de Alcochete. Entre 8 a 12 serão formados na Academia. O que não podemos ter é o que havia quando cá chegámos, em que praticamente não havia jogadores cá formados no plantel"

Palhinha

"Empréstimo ao Sp. Braga foi feito pela Comissão de Gestão, a decisão não passou por mim, Se há uma proposta por ele? Não é verdade, pelo menos ao Sporting não chegou. De proposta não há nada"

Aposta na formação

"Quando chegámos, o Joelson, o Nuno Mendes, entre outros, estavam soltinhos para assinar por outros clubes. Tivemos de aguentar o assédio de tubarões europeus. Se houve assédio cá dentro? Ate hoje tem havido bom senso, não temos entrado em qualquer guerra santa. Investir na Academia não é só mudar os relvados. Diretor de recrutamento, de unidade de performance, de scouting, departamento clínico, mudou tudo. Desativar a equipa B foi um erro crasso. Nos sub-23 tínhamos Marcos Túlios, Paulinhos, jogadores com 22 e 23 anos e ordenados pesados e que rendimento deram? Agora temos miúdos com talento, um grupo de elite, com 15 e 16 anos. Se podem ajudar a equipa principal? É difícil. São juvenis e para o ano vão estar nos sub-23. A formação é uma das grandes apostas"

Acuña

"A jogar num sistema de três defesas, é um dos melhores laterais do Mundo. É muitas vezes mal-compreendido, pela sua paixão e entrega. É um dos jogadores que dá muita experiência aos miúdos. Já temos o melhor lateral-esquerdo sub-19 da Europa, o Nuno Mendes. Houve abordagens de grandes clubes europeus, com propostas concretas"

Mathieu

"É uma pessoa diferente, confesso que tenho uma relação especial com ele. A vontade dele é reformar-se, quer retirar-se do futebol. Admito dar-lhe uma função como treinador"

Qualidade do plantel

"Tivemos de abrir mão dos melhores jogadores. Fizemos a segunda maior venda do futebol português. Quem me dera a mim chegar aqui e dizer: tenho a solução para resolver um problema de tesouraria de 215 milhões de euros e não vou perder competitividade desportiva. Não acredito que alguém sério conseguisse fazer isso. À data de hoje, o Sporting financeiramente está muito melhor do que em 2018. O empréstimo obrigacionista, que outros passaram para a frente, que é um péssimo sinal para o mercado, pagámo-lo nós"

Falhanços com Jesé e Bolasie

"Um Tiago Tomás estava preparado para ser titular no Sporting ou para ajudar a equipa no início da época? Tínhamos de ter jogadores para completar o plantel e não há milagres. Se tivéssemos estes miúdos de 19 anos a chegar eu autopenalizava-me. O empréstimo é um sistema que não me agrada nem nunca agradou, fi-lo por necessidade"

Wang Jihao

"Não veio por 2 milhões, mas sim no âmbito de uma parceria. Das três rescisões, a do Rui Patrício foi a mais difícil porque estávamos com a corda na garganta com o empréstimo obrigacionista. Foi um negócio complexo, o Sporting devia muito dinheiro à Gestifute, do Adrien, do Patrício. O Wang vem numa parceria com o Wolves. Era um miúdo da formação chinesa, um dos principais accionistas do Wolves tem vários investimentos em Portugal. Não fomos iludidos, era o mais talentoso e promissor. Entendemos por o miúdo a rodar nos sub-23, seria uma hipótese de mercado para a China. Não resultou, desportivamente não se conseguiu impor"

Futuro das modalidades

"Tem de se usar a palavra 'adaptação' e não cortes. Irão sobreviver os que se adaptarem melhor à nova realidade. Quando vemos o PIB que o FMI projeta, não tenho dúvidas que as famílias vão ressentir-se. E os clubes também. Neste momento nem sequer temos orçamento para o futebol para a próxima época, na SAD. E no clube será igual. Nem sei como vão ser as modalidades no próximo ano. Poderemos jogar em setembro, num pavilhão? Não faço ideia. O foco das modalidades tem de ser a formação, é obrigatório. Não há hipótese de contratar só craques. Os nossos rivais também vão por esse caminho ou ninguém se aguenta"

Rúben Amorim

"Já trabalhei com muitos treinadores e são uma peça fundamental. Hoje o treinador está altamente valorizado, não é só o jogador, basta olhar para um Paulo Fonseca, Jesus, Leonardo Jardim, Vítor Pereira, André Villas-Boas. Hoje é muito difícil atrair um grande treinador português, sei disso por experiência própria. Posso dizer hoje que o treinador do Sporting dificilmente em três a quatro anos não estará nos melhores clubes europeus. Não tenho dúvidas. O Leonardo Jardim não ganhou títulos e foi. O Matheus Nunes, do que vi, só ele vai pagar o Rúben Amorim"

As contas do clube

"Quando chegámos tivemos de fazer medidas no passivo face ao momento de tesouraria extremamente difícil e tendo o fair-play financeiro à porta, tivemos de aumentar propositadamente o passivo com a operação de titularização do contrato da NOS. Aumentámos transitoriamente o passivo como medida de sobrevivência. Faz parte da estratégia. A partir daí, em três trimestres consecutivos, reduzimos o passivo. Hoje temos 304 milhões de euros de passivo, um valor já inferior ao passivo de 2016/17. Estávamos a reduzi-lo de forma consistente até à pandemia, mas agora temos um problema chamado covid-19, que mexe com o Sporting e com todos os outros clubes. O segundo ano era o mais duro porque tivemos de perder os ativos desportivos que valiam mais e não tínhamos ativos na formação ainda prontos. Agora temos"

Reunião com Vieira e Pinto da Costa

"Eu não tenho de ser amigo do presidente do FC Porto e do Benfica. Muito menos esquecer as rivalidades, elas fazem parte do futebol. Mas do ponto de vista da indústria, é uma loucura Benfica, Sporting e FC Porto não estarem alinhados em pelo menos 80% da visão para o futebol português. Falo do ponto de vista empresarial. O que levou Sporting, Benfica e FC Porto a estarem juntos naquela sala foi a necessidade de lutarem pela indústria do futebol português. Esta luta tem que ser contínua, apesar das divergências"

Campeonato reduzido

"O Sporting tem que ser muito mais bem tratado em temas como a violência, a defesa do espectáculo, as reformas. Tem que haver reformas no quadro competitivo, acho que a 1.ª Liga tem urgentemente que reduzir para 16 equipas. Playoff? Não acho que seja necessário. Tem de aumentar a competitividade, temos que ter menos equipas, com melhores condições. Temos que ter pessoas que queiram pagar bilhete num estádio onde não lhes chova em cima e onde não há violência e agressões"

Mercado

"Se não houver mercado de transferências durante um ano vai ser difícil. Se não normalizar nos próximos dois a três anos, vai ser extremamente complicado. Tínhamos um desequilíbrio financeiro muito acentuado quando chegámos e corrigimos isso. Agora o que me assusta é que vamos acabar uma época à porta fechada, isso vai trazer custos. Temos de respeitar os sócios que compraram gameboxes. Na próxima época não sabemos a lotação que o estádio poderá ter. Vamos fazer vários planos e a última palavra será dos sócios"

Guerra com Sp. Braga por Battaglia

"Falei pessoalmente com António Salvador e entendemos que é discutível. Disse-me: 'O seu departamento jurídico tem uma visão, o nosso tem outra'. O contrato que vigorava foi rescindido, o Sporting teve de pagar uma comissão, novo prémio de assinatura e novo contrato. Entendemos que o departamento jurídico do Sp. Braga tenha outra visão"