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Sporting dos (grandes) pequenitos

Com oito jogadores com idades sub-23 nos titulares, o Sporting bateu o Tondela por 2-0, graças a uma 1.ª parte de qualidade em que o Sporting que Rúben Amorim quer para o futuro já se viu a espaços. Jovane Cabral continua exuberante nesta nova vida com Amorim e Nuno Mendes estreou-se no onze com apenas 17 anos. E o futuro é deles

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL A. LOPES/POOL/EPA

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Ora isto então é assim: Wendel, 22 anos; Jovane Cabral, 22 anos; Matheus Nunes, 21 anos; Luís Maximiano, 21 anos; Rafael Camacho, 20 anos; Gonzalo Plata, 19 anos; Eduardo Quaresma, 18 anos; Nuno Mendes, 17 anos. Estes são oito dos 11 jogadores com que o Sporting iniciou o jogo com o Tondela esta quinta-feira. E foi muito por culpa deles, naturalmente mais uns do que outros, que pelo menos na 1.ª parte a equipa treinada por Rúben Amorim deixou um vislumbre daquilo que poderá ser o futuro.

E um futuro bem mais esperançoso que aquele que há uns meses se poderia esperar do Sporting.

A contratação de Rúben Amorim será sempre uma contratação de projeto. Pelo que custou, pela pequena disrupção que causou no panorama do futebol português, pela ideia de jogo e pelos poucos receios que o técnico mostrou em apostar em miúdos no período em que foi treinador principal do Sp. Braga. Com uma época em que praticamente o Sporting já só joga o seu bom nome - e com uma pandemia pelo meio -, Amorim terá aquilo que os seus antecessores não tiveram: tempo. Tempo para experimentar, para testar, mas observar, coisa que claramente o técnico fez nos últimos quase três meses de paragem.

Daí para cá, Matheus Nunes tornou-se titular, tal como Eduardo Quaresma. Esta quinta-feira foi a vez de Nuno Mendes, lateral-esquerdo que quando este texto chegar ao leitor estará nos primeiros minutos do seu 18.º ano de vida. Com as lesões que têm assolado o Sporting, Plata saltou também para os titulares, enquanto Jovane, com Amorim, tornou-se inesperadamente um proto-líder do ataque.

A 1.ª parte foi deles. Foi de Jovane Cabral, a marcar mais um golo de livre direto (13’); foi de Matheus, que aos poucos começa a mostrar visão de jogo e grande noção de posicionamento; foi de Eduardo Quaresma, seguríssimo a defender; e foi de Nuno Mendes, o mais miúdo de todos, um traquina no lado esquerdo e que com Jovane inventou o bonito lance que deu origem à grande penalidade que Sporar converteu aos 29’.

MIGUEL A. LOPES/POOL/LUSA

Pelo meio, ainda que nem sempre de forma constante, houve um Sporting paciente, a rodar a bola à espera dos espaços que inevitavelmente vão aparecer quando as peças se movimentam bem.

Durante os primeiros 45 minutos, o Sporting raramente sentiu dificuldades, ainda que tenha ficado evidente que a pressão dos leões ainda precisa de muita afinação. Com bola, o Tondela teve espaço, que só não aproveitou por manifesta falta de intensidade e porque os centrais do Sporting fizeram um jogo quase perfeito - até o cabeceamento de Mathieu ao poste da própria baliza pareceu coisa propositada.

Depois do intervalo o jogo descaracterizou-se e tornou-se mais partido e menos interessante do que na 1.ª parte. O Sporting entrou com clara intenção de gerir e aproveitar num qualquer lance de desatenção do Tondela - Sporar esteve perto de o fazer numa boa jogada individual aos 60’ -, mas o Tondela, nunca sendo verdadeiramente perigoso, aproximou-se muito da área leonina nos últimos 20 minutos. Ficou a sensação que um golo dos beirões poderia intranquilizar e muito um Sporting que tem talento, mas é ainda muito inexperiente. Amorim percebeu isso mesmo e colocou em campo homens mais calejados e com números mais elevados no bilhete de identidade para os derradeiros minutos, mas ainda assim o jogo na 2.ª parte nunca esteve verdadeiramente controlado.

É uma obra em construção, este Sporting, e as dores de crescimento serão reais. Mas parece, pelo menos, existir um caminho. E há muito que não se podia dizer isto de uma equipa do Sporting.