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Ainda não foi desta que este Sporting perdeu. Mas também nunca esteve tão longe de ganhar

Foi talvez a exibição mais apagada da era Rúben Amorim no Sporting, no dia em que, curiosamente, o treinador apostou num onze mais experiente. Só quando o Moreirense ficou reduzido a 10 e Nuno Mendes e Wendel foram a jogo é que se viram vislumbres das ideias do novo treinador, mas não o suficiente para se sair de um nulo, que fica bem num jogo faltoso, duro e em que raramente a bola rondou as balizas

Lídia Paralta Gomes

OCTAVIO PASSOS/POOL/EPA

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Não havendo muito mais para ganhar ou perder, esta reta final de campeonato do Sporting é uma espécie de pré-pré-época, com Rúben Amorim - e apesar da lengalenga do “o que interessa é o próximo jogo” - já a pensar na próxima temporada e a tentar perceber quem serve para o Sporting em 2020/21 e quem não serve.

E, nesse sentido, o jogo com o Moreirense terá dado, pelo menos, para tirar um par de apontamentos. O nulo não é um bom resultado, a exibição, num todo, não foi famosa, talvez a menos famosa da era Rúben, mas houve dois Sportings esta segunda-feira em Moreira de Cónegos e isso, pelo menos, serve para aprender qualquer coisa. Rúben Amorim optou por entrar com um onze mais experiente do que em jogos anteriores, fazendo regressar Acuña para o lugar de Nuno Mendes e Battaglia, que jogou no meio, deixando Wendel no banco.

Resultado: na 1.ª parte, o Sporting nunca conseguiu ter a criatividade para sair a jogar, para variar jogo, caindo sempre na teia bem montada pelo Moreirense, com um meio-campo denso, a fechar todas as linhas ao Sporting. O apito fácil de Tiago Martins também não fez maravilhas pela fluidez do jogo, diga-se, com a 1.ª parte a acabar com inacreditáveis 17 faltas e zero oportunidades dignas desse nome - o mais perto que a bola esteve da baliza foi num remate acrobático de Filipe Soares perto da meia-hora, que saiu bem por cima.

Antes do encontro com o Gil Vicente, Rúben Amorim falava de como o Sporting juntava a experiência dos mais velhos com a irreverência dos miúdos e da 1.ª parte fica a ideia que, na próxima época, a experiência vai precisar de levar um grande update caso o Sporting queria ser candidato a algo.

A seguir ao intervalo, o jogo ameaçava mais do mesmo quando aos 52 minutos Halliche foi expulso - e o jogo mudaria necessariamente.

(O que não muda, diga-se, é a chico-espertice de alguns técnicos portugueses: antes da marcação do livre que se seguiu à expulsão do defesa argelino, Ricardo Soares exigiu que o seu guarda-redes simulasse uma lesão para ganhar tempo enquanto outro defesa aquecia. Pasinato, diligentemente, cumpriu as ordens do treinador e ali se perderam uns bons cinco minutos, uma daquelas coisas à antiga portuguesa que já são tão descontextualizadas do futebol do século XXI que, mais do que irritação, causa até vergonha alheia)

OCTAVIO PASSOS/POOL/LUSA

Dez minutos depois da expulsão/aula de teatro, Amorim chamou Nuno Mendes e Wendel, tirou Battaglia e Borja e o Sporting, obrigatoriamente, até porque jogava em vantagem numérica, pegou no jogo. E cedo ficou claro que o Sporting é melhor quando Mendes, Wendel e Jovane jogam juntos. Em pouco mais de 30 minutos, o jovem lateral-esquerdo deu o critério àquela zona do campo que Acuña nunca tinha dado na 1.ª parte e Wendel tentou finalmente levar o jogo do Sporting para a frente. Foi por ali que grande parte do jogo dos leões se fez na 2.ª parte, com Mendes a tentar incessantemente encontrar Wendel e Jovane na área e em posição de rematar, mas faltou sempre mais desembaraço e velocidade ao Sporting face a uma defesa compacta e organizada, que raramente se deixou apanhar em falso.

De tal forma que Sporar raramente teve bola e só num lance pela direita aos 69 minutos se viu perto de Pasinato. De resto, mal se viu o esloveno. E foi preciso esperar até aos 84’ para ver uma verdadeira jogada de ataque do Sporting, ou pelo menos um vislumbre da ideia de Rúben Amorim, uma troca de bola rápida entre Nuno Mendes, Jovane e Wendel, que acabou com o médio brasileiro com algum espaço para rematar, mas a atirar à figura do guarda-redes do Moreirense.

Ainda foi desta que o Sporting perdeu, e nisso Rúben Amorim não se enganou, mas talvez o Sporting nunca tenha estado tão longe de ganhar desde que o treinador chegou a Alvalade. O trabalho ainda será longo até ao início da próxima época.