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Sporting poupou com lay-off o que pagou a Mihajlovic

Frederico Varandas está satisfeito com contas anuais, onde o Sporting apresentou lucros. Venda de jogadores é que permitiu o desempenho

Diogo Cavaleiro

Frederico Varandas, presidente do Sporting, diz-se satisfeito com os resultados

FOTO TIAGO MIRANDA

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Frederico Varandas mostrou-se satisfeito com as contas anuais da Sporting SAD, num período em que a SAD conseguiu lucros. Só que há aspetos a ter em atenção: desde logo porque só a venda de jogadores (com destaque para Bruno Fernandes) permitiu este resultado; já o lay-off trouxe poupanças, mas num montante que foi consumido para indemnizar a rescisão de Mihajlovic.

Começando pelo regime que possibilita não pagar todo o salário dos funcionários: “O facto de a Sporting SAD ter aderido ao lay-off simplificado permitiu reduzir os gastos com pessoal em cerca de 3.347 milhares de euros”, revela o relatório e contas de junho de 2019, publicado pela SAD do Sporting na segunda-feira à noite no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Ora: como noticiado em abril, o Sporting teve de pagar um montante em torno de 3 milhões pelo despedimento do treinador Sinisa Mihajlovic por decisão do Tribunal Arbitral do Desporto. Contratado ainda no tempo de Bruno de Carvalho, a equipa transitória de Sousa Cintra optou por anular a contratação. O encargo foi registado em 2020.

Este montante está incluído na rubrica designada de “provisões para outros riscos e encargos”, onde estão outros possíveis encargos com ações judiciais advindas de transferências de jogadores e com o ex-treinador. A rubrica teve um impacto negativo de 9 milhões de euros, mas não há discriminação do montante para Mihajlovic nem são identificados quais os outros casos. No ano anterior, a rubrica tinha 2 milhões positivos.

Assim, a rubrica de gastos operacionais do Sporting agravou-se, mesmo apesar do lay-off. O que aconteceu ao mesmo tempo que as receitas deslizaram, movimento “justificado pela redução de receitas relacionada com a suspensão da Liga NOS em Março de 2020 e a retoma dos jogos sem público e pelo facto de os mesmos terem sido realizados em Julho de 2020, ou seja, já no exercício de 2020/21”, segundo o relatório e contas.

Desta forma, os resultados operacionais (o que fica das receitas depois de todos os custos serem satisfeitos) foram negativos, de 39 milhões de euros na temporada 2019-2020, mais 10 milhões do que na época anterior.

Mas os resultados líquidos melhoraram e a razão veio dos resultados conseguidos com as vendas de jogadores, que duplicaram no espaço de um ano. A ajuda veio sobretudo de Bruno Fernandes, cuja venda ao Manchester United deu 55 milhões ao clube.

A SAD do Sporting conseguiu, assim, apresentar um lucro de 12,5 milhões de euros na época, saindo dos prejuízos de 7,9 milhões da temporada anterior.

Foi este o motivo pelo qual o presidente da SAD, Frederico Varandas, veio congratular-se pelo resultado, acreditando que o futuro será mais risonho e mais capaz de resistir a variações abruptas de receitas.

Apesar disso, a situação patrimonial da empresa continua deficitária: o capital próprio é de 10 milhões de euros negativos, graças a um ativo de 288 milhões de euros, incapaz de fazer face a todo o passivo de 299 milhões – facto que merece menção da auditora PwC.