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“O Sporting tinha contratos quase criminosos com a Doyen, um escritório em Malta onde atendia uma senhora de vez em quando” 

O ex-presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, elogiou Rui Pinto por expor a atuação dos fundos de investimento no mundo do futebol e teceu fortes críticas em particular à Doyen

Miguel Prado

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O ex-presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, elogiou Rui Pinto por expor a atuação dos fundos de investimento no mundo do futebol e teceu fortes críticas em particular à Doyen, para a qual o Sporting perdeu um processo relativo a Marcos Rojo.

“No meio de dezenas de jogadores tínhamos um. O resto era dos fundos, ou do Peter Kenyon, ou da Doyen, ou do BES. Os jogadores eram só um bocadinho do Sporting. Percebi que o Sporting estava manietado", declarou em tribunal o homem que foi presidente do Sporting entre 2013 e 2018.

Bruno de Carvalho equiparou os fundos a "um género de droga". E questionou a atuação da Doyen e a origem dos seus fundos. "Nélio Lucas era um gestor de modelos de Hollywood. A Doyen era um escritório onde de vez em quando havia uma senhora a atender em Malta", descreveu .

"A Doyen chegava, dava o dinheiro, havia um alívio e depois precisávamos de dinheiro outra vez. É por isso que digo que era uma droga. Nós não podíamos fazer nada com os jogadores sem ser com a autorização da Doyen", contou Bruno de Carvalho.

"Eu tinha contratos com 3 fundos. O mais grave e com contornos quase criminosos eram os contratos da Doyen. Graças a Deus terminou com o travão da UEFA e da FIFA", acrescentou.

No julgamento disse ainda ter sido ameaçado várias vezes por desconhecidos por andar publicamente a criticar os fundos no futebol. E contou ainda as pressões sofridas da parte de Nélio Lucas em torno de Marcos Rojo.