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Sporting. Então, isto é que é ir com sede ao Pote

O Sporting bateu o Santa Clara por 2-1, com dois golos de pé esquerdo do destro Pedro Gonçalves, marcados do lado contrário ao que costuma jogar, que é o direito. Pode parecer estranho, mas é merecido, valeu três pontos e fica a ideia de uma equipa com ideias arrumadas e madura, apesar da idade dos seus intervenientes. Até porque o maior disparate foi de Coates, que não é um jovem

Pedro Candeias

Carlos Rodrigues

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O Santa Clara - Sporting era o jogo entre a equipa que não sofrera golos em casa e a que não sofrera golos fora dela. Estes dois factos foram resolvidos nos primeiros quarenta e cinco minutos: aos 20’, Pedro Gonçalves recebeu um passe de Jovane e chutou de um ângulo supostamente impossível, porque foi para o lado fechado por Marco Pereira, e abriu as expectativas do SCP; aos 42’, Lincoln aproveitou um disparate de Coates e pôs a bola em Thiago Santana que rodeou Adan e encostou para o empate.

Depois, veio o intervalo. O resultado era então injusto? Bem, provavelmente, sim.

É que o Santa Clara, que se apresentou com três centrais e dois laterais, tal como o Sporting se apresentou com três centrais e dois laterais, nunca conseguiu igualar o nível do adversário; foi-lhe, aliás, sempre inferior.

Durante a primeira-parte, a equipa de Rúben Amorim apresentou-se intenso e fogoso, com a mobilidade e velocidade de Pedro Gonçalves, Nuno Santos e Jovane a contribuírem para vários buracos na defesa dos açorianos. Com a ajuda preciosa de Matheus Nunes, que agora faz de ‘oito’ com o enérgico Palhinha nas suas costas, os miúdos de Alvalade criaram situações de golo que foram defendidas ou então saíram ao lado. Por Nuno Santos, sobretudo, que é refilão, destemido e de remate fácil.

Quando sofreu o golo de Pedro Gonçalves, o Santa Clara nem assim ousou sair - como agora se diz - com critério, pois o jogo interior não era opção perante o intransponível Palhinha. Uma das soluções era procurar o balanço do SCP, pôr a bola nas costas de Porro ou Nuno Mendes - houve, realmente, algumas tentativas - e cruzar para Thiago Santana.

Ou então esperar por um disparate e este sucedeu quando Coates pôs a bola no pé de Lincoln, número 10 de toque insolente e malandro, que a passou para o possante Santana fazer o seu quinto golo da época na Liga.

A seguir, o que estava a ser agradável deixou de o ser no início da segunda-parte. Bolas pelo ar, disputas físicas, coisas que o povo diz ser próprias de um jogo incaracterístico. E Amorim reagiu: tirou Neto, pôs Tiago Tomás e fez descer Neto para central; sacou Jovane e fez entrar Sporar, avançado consciente de que só lá está porque Paulinho não veio; mais tarde, Matheus deixou o relvado por troca com João Mário.

O nível do SCP voltou aos índices anteriores, com João Mário a acrescentar aquela qualidade extra que os desterros no Inter e na Rússia não apagaram. Foi dele um cruzamento rasteiro que Sporar falhou teatralmente (77’), não chegando a tocar na bola; antes (73’), o esloveno também chutara para cima, após passe de Porro. É possível que o ponta de lança proscrito e depois recuperado esteja a atravessar uma crise - e ninguém o pode culpar por isso.

Mas o Sporting iria chegar ao segundo golo num lance inacreditável, em que Fedall passou de longe para um sprint de Pedro Gonçalves que fez disparar algo lá dentro da cabeça de Marco Pereira. Desavisadamente, o guarda-redes saiu da baliza em passo de corrida, atropelou um colega de equipa no trajeto e Pedro Gonçalves, que gosta de ser chamado pela alcunha Pote, aproveitou a deixa para selar o triunfo leonino.

Foi estranho, mas merecido e valeu três pontos.